quarta-feira, 9 de maio de 2012

Dia das mães!!


Vou logo avisando: este post é para quem está pensando ou está em vias de se tornar mamãe! Na verdade, acho que ele é sobre como eu me tornei mãe... Não, ele é sobre o que eu li enquanto me tornava mãe...sei lá, acho que será sobre isso...vamos ver no que dá!
Assim que comecei a pensar em engravidar, há cerca de um ano, deu aquele friozinho na barriga, aquele medo de não ter em mim um requisito essencial, de ter um instinto maternal defeituoso ou, pior, não ter nenhum! E, impulsionada pelo medo de ser uma péssima mãe, pela dúvida se queria mesmo ser mãe, sem saber exatamente o que isso significaria para o meu relacionamento conjugal, o que essa nova condição me traria de mudanças nos próximos meses...lá fui eu para o caminho de Santiago, pensar questões e dúvidas sobre um destino que já estava traçado: afinal, eu já estava grávida!
Uma vez lá, relaxei, curti minhas primeiras estranhas sensações, comi o que quis, vi tudo que pude, andei o que meus pés aguentaram, bebi toda a água da Espanha, rezei como nunca e, quem diria, aprendi a amar!
Voltei disposta a fazer tudo certo, descobri em mim uma vontade enorme de ter esse filho, de curtir minha gravidez ao máximo (sei lá se vai existir outra...), de cuidar melhor de mim e desse pequeno ser que já era parte de mim!
Esse desejo me levou à livraria (depois do médico, claro!): “tem livro sobre gravidez?”
O rapaz me olhou de esguelha e chamou uma colega: “Tipo um manual? Tem, sim”
Sim, comprei um manual mesmo, dizendo como funciona o corpo feminino a cada etapa da gravidez...fui lendo obsessivamente a cada dia, semana, mês...foi muito bom poder acompanhar cada mudança e saber que era tudo normal! Nos primeiros meses, só lia isso: “A Gravidez dia-a-dia” da Dra. Maggie Blott (organizadora), tradução de Renata Bottini, SP: pela Editora Senac, 2010.
Depois, achei o já manjado: “O que esperar quando você está esperando”, Heidi Murkoff, Arlene Eisemberg e Sandee Hathaway, traduzido pelo Paulo Fróes, RJ:Record, 2011. Esse é bem mais detalhado...explica alguns quadros clínicos que podem ocorrer, o que os exames podem detectar, remédios e alimentos que devem ser evitados etc...muito, muito bom! Especialmente, para quem tem alguma condição específica, como a pressão alta ou diabetes, porque ele te ajuda a tirar algumas dúvidas bobas sem ter que ligar para o médico a toda hora. Eu, pelo menos, não queria ligar pro médico a cada vez que tinha um ataque de paranóia. Dava uma lida no capítulo correspondente ao meu estágio e levava para o médico, no dia da consulta, só as dúvidas insanáveis...
No oitavo mês, em meio a uma situação de emergência, nasceu o Miguel!
Vários dias na UTI me mostraram a dor e a delícia da maternidade...
Para estes dias, só lia mesmo o “evangelho segundo o espiritismo”, mesmo assim, mais chorava do que lia...
Depois, com o Miguel em casa a salvo de qualquer problema, ficou só a delícia! Nesse primeiro mês ganhei da prima Teresa um livro chamado “Nossos filhos são espíritos” de Hermínio C. Miranda, SP:Editora 3 de outubro, 2010, 11a. Edição.
Foi o livro certo na hora certa!
Me ajudou a compreender melhor o momento de prova que passamos juntos, a confiar na providência divina e a amar ainda mais meu filhote, ficando juntinho dele para o que der e vier, e, principalmente, rezando muito por ele. Afinal, por mais que o ame, ele é um ser com sua própria bagagem, com um destino que eu não posso controlar, com seus compromissos e tarefas que só ele pode realizar, com todo um passado que me antecede e que eu não posso sequer imaginar...
Neste primeiro dia das mães, é ele meu maior presente, sua saúde a minha maior benção, seu sorriso minha maior alegria!
Para aquelas que, como eu, ficam na dúvida, com mil medos e aflições, posso garantir que tudo passa...na hora do chorinho, do colinho, da amamentação, quem tem tempo para dúvidas?! A maternidade se aprende no dia-a-dia, com muito conselho de vó, amor em altas doses e muita, muita fé!
Para todas as mamães, dedico as flores, dou meu abraço mais apertado e desejo sinceramente um feliz dia das mães no próximo domingo!!!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Leitura do feriado!

Este feriado foi tudo de bom! 

Marido em casa+chuvinha+bebê dormindo=leitura gostosa!

Como tinha que ser algo que eu pudesse começar e terminar num fim de semana, optei pelo romance espírita emprestado pela minha amiga Bete. Afinal, ela não tinha pressa na devolução, mas convém não abusar, já que sou membro de carteirinha da biblioteca dela...já pensou se ela corta meu cadastro por atraso na entrega?!

Assim, me atraquei com o livro: "A Noiva", psicografado por Jairo Avellar, ditado pelo espírito Elizabeth D'esperance, MG:Editora Itapuã, 2010.



Vamos combinar que eu adoro um casamento, então, o título e a capa já eram bem atraentes para mim... rsrsrsrsrs.

O enredo se desenvolve tendo como pano de fundo o início do séc. XX, quando o espiritismo começou a ser divulgado por aqui. A trama envolve um grupo de espíritos que se comprometeram uns com os outros na Inglaterra do séc. XIII e, tendo falhado em meio à nobreza, são enviados ao Brasil para um recomeço longe das memórias dos desatinos cometidos. Os personagens principais são figuras históricas conhecidas, reis e rainhas daquele tempo, cuja biografia é facilmente conferida até na Wikipedia, o que eu acho muito bacana!

Saber que as relações ali descritas foram vividas por personagens de que todos já ouvimos falar, nos faz repensar muitas opiniões e noções pré concebidas, pois constatamos o quanto a história que conhecemos é parcial quando contada apenas pela parte "vencedora" ou dominante em certo momento.

Justamente por se tratar de comprometimentos muito sérios, envolvendo assassinatos e conspirações pelo poder na corte inglesa, o livro aborda duas questões centrais que são: a vaidade e a obsessão. Primeiro, explicando como a vaidade e a sede pelo poder pode levar o ser humano ao que há de mais degradante que é o desrespeito à própria vida; depois, demonstrando que o efeito desse comportamento nos leva quase sempre a uma consciência culpada e ao resgate através da dor.

A bem da verdade, para os que como eu adoram um casório, no fim das contas a noiva deixa de ser noiva e dá uma certa tristeza ver que não vai ter casamento nenhum para a coitadinha...mas apesar disso ela dá uma bela lição de moral quando assume que o seu momento não é mesmo para romance e deixa o outro livre para ser feliz. Afinal, quem ama liberta, certo? 

O livro faz refletir muito sobre essa verdadeira fogueira de vaidades que se tornou até mesmo o momento da união de um casal...será mesmo necessário tanta "Pompa e circunstância"?! O início da vida a dois não deveria ser um momento de intimidade, carinho e oração pelos noivos? Será preciso um banquete para mil conhecidos bebendo até cair para celebrar o amor entre duas pessoas? Quem já não saiu de um casamento vendo até a noiva ser carregada? Adoro um vinho branco, um rosé, um vinho do Porto, um espumante, uma caipirinha, então, nem se fala... mas nem por isso saio por aí perdendo a linha em qualquer ocasião. O excesso de bebida, por ser deselegante, deixa péssimas recordações de qualquer festa e pode oferecer a oportunidade que faltava para o início de um processo bastante complicado de reverter, como a obsessão.

Cada um na sua, nada contra a bebida alcoólica em geral, mas, na dúvida, depois desse livro, prefiro beber com moderação...nunca se sabe o que andei fazendo em outras vidas!

Fica minha dica para uma leitura rapidinha de feriado! Quando será o próximo???

bjs!

terça-feira, 27 de março de 2012

SAUDADES!!!

Ai, que saudade de postar no blog!! Neste ano ainda não tinha conseguido postar nada! Quase tanta saudade quanto sinto do tempo em que efetivamente lia alguma coisa...mas há uma luz no fim do túnel! Agora que o Miguel já está com quase 3 meses e dorme quase a noite inteira (note a esperança contida neste quase! rsrsrsrsr) Começo a preparar meu primeiro post pós gravidez, claro, sobre livros lidos durante a experiência gravídica! Não que alguma leitura me pudesse preparar completamente para o que viria com a chegada deste primeiro rebento, mas quem sabe alguém aí tá pensando no assunto...uma leitura sobre o tema sempre ajuda! 

Bem, enquanto não termino o primeiro post de verdade do ano de 2012, assim, só para matar a saudade, compartilho a notícia do Blog Ciência Maluca no site da super interessante! Claro que adorei saber disso!!

http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/pessoas-que-leem-sao-mais-legais/






"Pesquisadores da Universidade de Washington e Lee (EUA) constataram esse efeito com um teste bem simples: colocaram voluntários para ler uma história bem curtinha, fizeram algumas perguntas para identificar o quanto cada um tinha curtido o que leu e aí derrubaram, sem querer querendo, um monte de canetas no chão. O estudo conta que, quanto mais “transportadas” para dentro da história as pessoas tinham sido, maiores eram as chances de levantarem o bumbum da cadeira para ajudar a recolher as canetas.
A explicação é que quando lemos algo que realmente mexe com a gente, criamos empatia pelos personagens da história — e quanto maior essa empatia, mais propenso a gente fica a ser bacana com os outros na vida real. E você aí, anda lendo muito?"

Esse Blog da Ciência Maluca é um barato e tem RSS, assina lá e fique por dentro dessas pesquisas e curiosidades que são super divertidas!

Bjs!!!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

"Um Dia"!


Em tempos de repouso, considerando que a leitura sempre foi meu passatempo preferido, nada melhor do que ler tudo que vem pela frente e só sair de casa para buscar mais suprimentos na livraria mais próxima de casa... Há algum tempo vinha namorando um romance chamado “Um dia”, do David Nicholls, que deu origem ao filme de mesmo título lançado recentemente nos cinemas, com a Anne Hathaway (que, by the way, eu adoro).
Ele me chamou atenção por se tratar de um romance narrado pelo próprio casal que se conhece na festa de formatura e meio que encontram um meio de manter-se sempre juntos, mesmo estando separados, sob o manto de uma amizade incondicional.
Tem momentos muito engraçados, já que a narrativa tem lugar em Londres e acompanha o período de amadurecimento de ambos, mais ou menos dos 20 aos 40 anos, quando todo mundo parece se dividir entre a confusão amorosa e a busca de um rumo na vida profissional, o que quase sempre esbarra em muitos enganos, alguns fracassos e desencontros.
O lado cômico, porém, não é o mais interessante, pelo menos para mim...
Gostei mesmo foi de ficar pensando como toda a nossa história pode ser determinada por um encontro, uma pessoa, um dia...e como tudo seria diferente caso aquele evento jamais tivesse ocorrido.
O livro imediatamente me fez pensar na minha própria formatura, quando já namorava o André (que recebeu seu diploma na mesma ocasião) e sentia que nada era tão definitivo e que mil coisas poderiam influenciar nossas vidas e levá-las para lugares diferentes.
A trajetória destes personagens me lembrou tudo que poderia ter nos afastado, mas também me fez pensar como nossa união foi determinante para minha felicidade atual. Hoje, acho que o dia em que nos conhecemos foi determinante para uma série de outras escolhas que viriam em seguida, mesmo que eu nem pensasse, na época, no quanto as opiniões dele e a vontade de estarmos juntos pesava em minha balança.
Claro, todo relacionamento tem sua cota emocional, racional e, creio eu, um certo “escrito nas estrelas”, mas até que ponto nos deixamos levar por cada uma dessas facetas? O que mantém duas vidas entrelaçadas por décadas não é só amor, nem só o comodismo, por que tem que haver algo mais, algo de divertido, de novo, de gostoso na companhia do outro, mesmo no silêncio do domingo de manhã.
A relação de amizade entre os personagens, muito mais do que uma louca paixão, faz com que eles permaneçam um na vida do outro, até nas fases de muita turbulência, porque sentem que podem dividir qualquer coisa, que o outro sempre terá uma visão menos crítica da situação e a capacidade de encontrar uma forma fazê-lo rir de si mesmo.
Adorei ter lido este livro que me fez pensar em tantos momentos inesquecíveis sem os quais a minha vida teria tomado outros rumos...
O livro começa com uma citação de Dickens que eu não conhecia, retirada de “Grandes Esperanças”:

“Foi um dia memorável, pois operou grandes mudanças em mim. Mas isso se dá com qualquer vida. Imagine um dia especial na sua vida e pense como teria sido seu percurso sem ele. Faça uma pausa, você que está lendo, e pense na grande corrente de ferro, de ouro, de espinhos ou flores que jamais o teria prendido não fosse o encadeamento do primeiro elo em um dia memorável”.

Neste natal, que tal pensar nestes dias memoráveis e agradecer pelo que fizeram da nossa vida? Por tudo que nos tornamos? Que tal???

Bjs!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Repartindo o pão!

Esta época do ano é cheia de simbolismos para mim: tenho uma música toda especial que só ouço no natal, tenho uma súbita necessidade de ir à Igreja, agradecer pessoalmente o ano que passou (o que na maior parte do ano faço de casa mesmo...), além daquelas comidinhas que só comemos no fim de ano, sei lá o porquê...

O fato é que a cada ano essas pequenas tradições festivas se tornam mais e mais gostosas para mim. Elas me lembram pessoas, momentos felizes, presentes esperados e surpresas inesquecíveis quase sempre compartilhadas com aqueles que mais amo.

Este ano, em especial, sinto o natal mais vivo do que nunca! A esperança e a expectativa de uma chegada tão desejada me faz vivenciar a felicidade desta comemoração como nunca! O natal está em meu coração, em meus sonhos, no meu desejo de paz, mais do que em qualquer exteriorização ou decoração natalina, que sempre curti tanto!

No entanto, o fim de ano também traz aquelas festinhas de despedida que muitas vezes podem se tornar meio chatas, seja porque reúne gente demais, seja porque a empresa escolheu um lugar desconfortável, seja porque a família do namorado ainda não te deixa tão à vontade...sei lá, sempre tem aquele encontro que a gente vai meio de má vontade, ainda, que nem às paredes confesse!

Neste estado de espírito, esbarrei num conto da Clarice Lispector que me fez pensar um pouco sobre o que torna toda e qualquer festa de fim de ano tão gostosa: a reunião em torno da mesa.

O conto é intitulado: “A repartição dos pães” e integra, originalmente, o livro “A Legião Estrangeira”, mas faz parte de uma coletânea lançada, há relativamente pouco tempo, pela Rocco, trazendo contos de Clarice selecionados por leitores para lá de especiais, como Maria Bethania, Lya Luft, Marina Colasanti, entre outros. Esta coletânea chama-se “Clarice na Cabeceira” e traz antes de cada conto uma pequena introdução elaborada por quem selecionou o texto, explicando porque ele é um dos seus preferidos desta autora.

É uma leitura para relembrar os livros da autora e (por que não?) dar novo sentido ao que foi lido a partir da visão de um outro leitor que escolheu compartilhar sua experiência com Clarice...claro que estou amando o livro!

Como nunca tinha lido este conto, como chegou a mim nesta época e como sei que nada é por acaso resolvi fazer este post para falar só dele!

A autora narra um almoço a que todos se sentem compelidos a comparecer por pura obrigação social, as pessoas não se entrosam, não há qualquer afinidade entre elas, todas se perguntam porque é tão difícil permanecer naquele compromisso, o que faz desta reunião de pessoas um tédio. Até que a anfitriã convida a todos para sentarem à mesa.

Não era uma mesa qualquer, mas uma mesa maravilhosa, com frutas frescas, arranjos de trigo e tudo mais que a terra pode prover em sua plenitude e beleza, conquistando os convidados com os seus sabores, as suas cores e o seu cheiro.

Resultado:

“(...)Ninguém falou mal de ninguém porque ninguém falou bem de ninguém. Era reunião de colheita, e fez-se a trégua. Comíamos. Como uma horda de seres vivos, cobriamos gradualmente a terra. Ocupados como quem lavra a existência, e planta, e colhe, e mata, e vive, e morre, e come. Comi com a honestidade de quem não engana o que come: comi aquela comida e não o seu nome. Nunca Deus foi tão tomado pelo que ele é. A comida dizia rude, feliz, austera: come, come e reparte. Aquilo tudo me pertencia, aquela era a mesa de meu pai. Comi sem ternura, comi sem a paixão da piedade. E sem me oferecer à esperança. Comi sem saudade nenhuma. E eu bem valia aquela comida. Porque nem sempre posso ser a guarda de meu irmão, e não posso mais ser minha guarda, ah não me quero mais. E não quero formar a vida porque a existência já existe. Existe como um chão onde nós todos avançamos. Sem uma palavra de amor. Sem uma palavra. Mas teu prazer entende o meu. Nós somos fortes e nós comemos. Pão é amor entre estranhos”.

E essa conclusão parece resumir tudo que realmente sinto quando volto desses encontros, aquela satisfação de ter simplesmente compartilhado um momento de alegria em torno da mesa, ter conhecido um pouco melhor aquele grupo, enfim, por ter avançado um pouco mais na direção do outro.

Mesmo na nossa família, onde nos reunimos em total alegria, será que a mesa de natal, tão caprichada, em que se vê a contribuição de cada um nos partos elaborados, nos arranjos de flores e tudo mais, não tem um poder agregador sobre cada um de nós?

Aqui em casa eu sei que tem... naquele momento em nos sentamos à mesa, não importa mais o que o ano nos trouxe ou nos levou, ali estamos reunidos em um só propósito e um só sentimento: gratidão pelo pão repartido e por estarmos reunidos mais uma vez.

Bjs!!

sábado, 19 de novembro de 2011

De volta pro futuro!

Um romance no estilo de volta pro futuro! Tem coisa melhor? Consegue se imaginar com a cabeça de hoje vivendo num corpo do início do séc. XX? Será que faria as mesmas escolhas? Seria capaz de se reconhecer ou reconhecer um grande amor na pele de outra pessoa?

Neste terceiro trimestre da gravidez tenho certa dificuldade em me concentrar na leitura. Para começar, achar uma posição para ler já é um desafio (porque sentada meus pés incham e deitada sinto falta de ar e não tenho muito jeito para segurar o livro). De qualquer modo, quando o livro é bom, Deus ajuda e a vontade de ler é mais forte que tudo!
Foi assim que consegui terminar esta semana esse romance muito gostoso: “As Esquinas do Tempo” da autora portuguesa Rosa Lobato de Faria, na 5a. Edição, pela Porto Editora, em 2011. A autora, romancista e poetisa, nascida em Lisboa, faleceu em 2010, aos 77 anos, mas nos deixou de herança suas obras muito bem escritas, mostrando uma sensibilidade e uma criatividade capaz de prender esta leitora tão displicente. A propaganda me dizia que este era o livro mais vendido da autora e, lendo, descobri que deve ter sido mesmo!
O Romance é narrado em terceira pessoa, mas em diversos momentos a protagonista parece assumir a narrativa, os diálogos são breves, diretos, mas muito bons, construindo uma ponte entre os dois momentos vividos pela personagem, no passado e no presente. E, justamente, por traduzir uma verdadeira viagem no tempo, com idas e vindas que agitam o leitor, o livro prende a atenção até o fim e nos faz torcer pela realização no presente de uma história de amor sonhada no passado. Como qualquer história, permite muitas interpretações. Sendo a romântica incurável que sou, fiquei o livro todo tentando ler nas entrelinhas um relato de vidas passadas, uma forma de amor predestinado que acabaria, inevitavelmente, se repetindo na vida presente. O final não revela exatamente isso, deixando o enredo suspenso, no ar, como se não tivesse terminado...e, por isso mesmo, surpreende. 

Eu continuei torcendo pelo amor inabalável, capaz de durar para sempre e ainda se reconhecer no outro em circunstâncias totalmente diferentes, quem pode dizer com certeza que jamais existiria algo assim?!

É um romance daqueles que você não tem vontade de parar de ler!
(salvo quando realmente precisa levantar para fazer xixi...aos sete meses, isso acontece muito!!!)

Fica a dica!!


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O caminho do meio...

Estou sempre às voltas com este tal caminho do meio. Nunca foi tema fácil para mim. Vira e mexe, lá vou eu para o vigilantes do peso em busca do apetite moderado, para a academia buscar o meio termo entre o físico e o mental, para a Universidade na tentativa de manter o equilíbrio entre a teoria e a prática da profissão, para a igreja ou centro espírita quando sinto que estou materialista demais e preciso fortalecer a minha fé... Enfim, sinto em mim uma constante busca por um equilíbrio (que nem sei se é possível) entre os diversos aspectos da minha personalidade.
Talvez por isso tenha sido tão difícil a leitura deste livro: “O Caminho do Meio”, de J. Herculano Pires, 3a. Edição, São Paulo:Editora Paidéia, 2004.


O livro foi escrito em 1948, por isso o contexto histórico conturbado parece influenciar muito a temática escolhida pelo autor. Acho que se hoje eu tenho dificuldades em encontrar o meu caminho do meio, naquele momento o mundo inteiro deveria estar se perguntando se isso seria possível, desejando ardentemente encontrar algum sentido para a palavra harmonia. Em um momento de extremos, como saber onde reside o ponto equidistante entre a guerra absurda e a paz utópica?  
O personagem principal vive a eterna busca pela sua paz interior em três fases: a primeira parte do livro explica sua visão de menino sobre as coisas do céu e da terra. Criado pela mãe em um ambiente muito católico, aos poucos ele percebe que não está disposto a abrir mão da própria sexualidade para tornar-se padre, como parecia ser o seu destino, e decide seguir os passos do pai e começar a trabalhar para ajudar no sustento da casa.
Diante das dificuldades vividas por todo trabalhador humilde, a segunda parte do livro mostra a sua incompreensão quanto às diferenças sociais e econômicas enfrentadas pela sociedade capitalista. Neste ponto do livro, só me lembrava de uma frase que o André ouviu sei lá de quem e que repete sempre aqui em casa: “Para ser um bom social-democrata aos quarenta, é preciso ter sido comunista aos 20 anos!” (Acho que ele fala isso só para me absolver das inúmeras vezes em que aborreci o meu avô defendendo fervorosamente o Fidel Castro nos meus tempos de “Halloween é o cacete: viva a cultura nacional!”)
Já na terceira e última parte do livro, o autor parece encontrar no amor e na espiritualidade seu caminho do meio, entendendo que a sua revolução passava mais por uma transformação interior do que pela violenta luta de classes ou por qualquer outra exteriorização de ideologias mais radicais. Escolhi um pequeno trecho da terceira parte, da pág. 183, para ilustrar o clima de suas reflexões em uma carta enviada à sua amada, que por sinal já vale a leitura:

“O homem é um peregrino estranho, Ana Maria, que parte do fundo de si mesmo para a grande aventura das planícies do mundo. Seduzido pela variedade e o brilho das coisas exteriores, entende que viver é mover-se entre os objetos dos sentidos, e atira-se loucamente à voragem das coisas. Filho pródigo, o legítimo pródigo de que nos fala o Evangelista, um dia ele volta, pelos caminhos palmilhados, cruzando de novo as planícies abertas em que correm os ventos de todos os quadrantes da terra. E chega outra vez a cidadela abandonada de si mesmo, surrado por todos os elementos, coberto por todas as poeiras da caminhada da incerteza”.

Levei uns dois meses para finalmente terminar de ler o livro. Não é uma leitura de entretenimento puro e simples, mas um romance que te faz refletir sobre a própria condição humana e suas fragilidades, suas complexidades. No fim das contas, acho que vale a pena conferir, nem que seja para concluir que o caminho do meio é mesmo o mais difícil de encontrar... e ainda mais difícil de seguir!


Bjs!