sábado, 29 de dezembro de 2012

Escravidão sob a visão espírita!

Olá,

Não existe nada mais prazeroso do que curtir a semana entre o natal e o reveillón entre as páginas de um bom livro...seja na praia, na varanda de casa, na piscina ou, no meu caso, no sofá da Tia Maria, buscando um ventinho em Teresópolis! (Ainda bem que levei o ventilador só para garantir!)

Esta semana me debrucei com afinco sobre um novo romance espírita: "Sob a Égide da Cruz", psicografado por Elizabeth Pereira, ditado pelos espíritos Sophie e Cristóvão, editado pela Vivaluz Editora, primeira edição, 2012. 

A história começa no período das invasões Holandesas, na época do Brasil colonial, quando um grupo de espíritos encarnados no engenho Massapê, em Pernambuco, se vê as voltas com os compromissos assumidos no auge da escravidão no Brasil. 

Nesta fase é muito bacana a abordagem das vicissitudes sofridas pelos escravos e de como esta prova poderia significar uma grande oportunidade de resgate para uns, mas de crescimento e evolução para muitos missionários também, já que não raro espíritos de luz encarnavam nesta difícil condição e acabavam contribuindo para atenuar o sofrimento de todos que habitavam as senzalas, disseminando a humildade e a resignação entre corações revoltados. 

Este mesmo grupo, posteriormente, reencarna em Minas Gerais, na cidade de Diamantina, já no final do século XIX. A partir daí o enredo se concentra mais na relação de um casal que tem como objetivo resgatar os compromissos pretéritos, assumidos no engenho, lutando no presente pela causa abolicionista.

Só final do livro é que percebi que havia um romance anterior com estes mesmos personagens, chamado "Horizonte Vermelho" (prometo que vou ler este e comentar aqui também, fica para 2013!), mas não são tão encadeados que a leitura deva se dar nesta ordem necessariamente.

É interessante ver como, ao mesmo tempo em que os personagens desejam estar juntos, cada um se vê atado às obrigações assumidas na espiritualidade, das quais são lembrados em sonhos, quando se encontram com o preto velho que seria o guia do casal nesta empreitada.

Neste ponto do livro confesso que bateu uma inveja básica... eu nunca me lembro de sonho algum! Sempre rezo antes de dormir, peço proteção etc... e mesmo fazendo tudo como manda o figurino, mesmo que nem durma durante a oração, mesmo assim, não sonho com meu guia espiritual! 

Não tenho dúvida de que ele exista. Sei que me protege e até percebo um ou outro sinal de que estou no caminho certo ou não, mas eu sinto falta de ver e ouvir um conselho em um momento difícil. 

No livro, os sonhos são verdadeiros meios de comunicação entre os dois planos, em que os encarnados são esclarecidos e lembrados de seus compromissos o tempo todo. Em várias passagens, na verdade, o preto velho rouba a cena, com suas lições que demonstram as leis de causa e efeito, falam de parábolas de Jesus e aplicam as passagens do evangelho ao momento vivido pelos personagens. 

Aí a gente fica tentando absorver aquelas palavras e meio que quer encaixar elas na nossa vida...mas não é tão simples. Queria mesmo é que meu guia me esperasse dormir, pegasse na minha mão e me explicasse o porquê desta decepção, o porquê daquela tristeza, o que fazer para mudar de sintonia e não me deixar levar pelo desequilíbrio nos momentos de raiva... Seria tão mais fácil se durante o sono tudo me fosse explicado e eu acordasse certa do rumo a tomar. 

Às vezes, me pego desejando menos livre arbítrio e mais receita de bolo para viver... Se alguém tiver uma, adoraria receber por email! É pedir muito?

Um 2013 leve, cheio de saúde, luz, paz, amor e muitos sonhos bons!

É o que desejo para meu filhote e para todo mundo!

Fica aí no link abaixo a última dica do ano:


Te vejo no ano novo!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A força do amor!

Ho-Ho-Ho!!!

É natal!

A sáude, a alegria e a união da minha pequena família são meus maiores presentes neste natal e por eles sou muito, muito grata!

Apesar de acreditar que meus maiores tesouros são imateriais, não posso deixar de agradecer também pelo conforto e pela prosperidade que me permitem proporcionar ao Miguel o que de material ele possa precisar.

Ainda mais grata fico quando percebo as dificuldades e provas que pessoas bem próximas procuram superar.

No conforto de nossos lares, do nosso escritório ou local de trabalho, nem sempre percebemos que há pessoas vivenciando realidades muito distintas. Enquanto gastamos o nosso 13° salário em presentes de amigo oculto e festas de fim de ano, a auxiliar de serviços gerais que ainda não recebeu sequer o salário de dezembro pensa em como driblar a dura realidade diante da falta do básico.

Esta semana minha leitura parecia encomendada para responder às minhas dúvidas. Enquanto o pessoal se reunia numa vaquinha para ajudar a mitigar a situação difícil de uma funcionária terceirizada do nosso escritório, eu pensava no quanto isso é pouco...voltei para casa pensando em todos os que como ela vivem um natal de dureza, sem salário, sem saúde, sem uma família acolhedora...sei lá, sem o tudo que me parece tão banal no dia-a-dia... e pensei no pouco que faço por estas pessoas. Esse pensamento me causou uma angústia...

Aí entrou o livro de Robson Pinheiro, intitulado "A Força Eterna do Amor", ditado por Teresa de Calcutá, publicado pela editora Casa dos Espíritos.

A figura de Madre Teresa, seu olhar, suas mãos, me transmitem uma força que nunca associei ao medo ou a qualquer tipo de insegurança. Suas palavras sempre carregadas de uma simplicidade chocante falavam direto aos corações de milhares de pessoas. Sua imagem me passava uma paz instantânea.

Só pela foto da capa o livro já teve um apelo enorme ao meu coração.

Quanto mais lia, mais minhas impressões a respeito desta personalidade se confirmavam...mas um trecho me surpreendeu; no qual ela faz menção à importância de superar os nossos medos e dar o primeiro passo, praticar mesmo pequenas atitudes, que podem ter um impacto maior no futuro. Acho que me surpreendi porque para mim as atitudes dela eram sempre tão grandiosas em amor, generosidade, trabalho pelo próximo...que pareciam muito distantes da minha insignificância.

Tenho certeza que a leitura foi uma resposta aos meus questionamentos desta semana!

Transcrevo a passagem de fls. 144/145 que calou minha inquietude e pode ser que fale ao coração de mais alguém:

"(...) Teimosa, muito mais que corajosa, empreendi um trabalho que começava primeiro dentro de mim. Sabia que algo eu era capaz de realizar - ou Deus, através de mim, ainda que nunca imaginasse o quanto se concretizaria. Sempre me considerei uma gota neste imenso oceano da vida, da humanidade, e assim pensei que poderia fazer um pouquinho só de cada vez; que valeria carregar apenas um tijolo, fazer ao menos uma migalha do que teria de ser feito. E, para a migalha, eu tinha coragem - muito embora jamais cogitasse que essa migalha inspiraria outras pessoas a fazer muito mais. Na verdade, passo a passo descobri que o medo cedia à medida que eu caminhava; que a coragem crescia na proporção do amor e da fé dedicados ao pouco que realizava. Descobri em mim uma força que em momento algum supus deter. Percebi que estava ao meu alcance amar intensamente, tão intensamente quanto possível, apesar de não poder fazer coisas grandiosas. Logo canalizei minhas certezas, minha esperança e minha coragem para a força do amor. Se não pudesse realizar grandes feitos, então me derramaria inteira, até que o amor doesse ao máximo, naquela pequena contribuição que eu conseguiria dar. Hoje tenho certeza de que o medo é tão somente um obstáculo a transpor, a fim de que nos impulsionemos, pela fé e pelo amor, rumo às realizações que, mesmo pequenas, podem modificar o panorama do globo. (...) Cristo, conforme compreendo sua mensagem, jamais nos pediu que fizessemos grandes feitos ou fôssemos santos, missionários. Pediu-nos apenas que amássemos. E é claro que tinha consciência, ao formular semelhante pedido, de que cada um de nós amaria numa medida e numa dimensão diferente. De modo que não há lugar para comparações entre  o que esta ou aquela pessoa fez ou faz pela humanidade; o que se pode confrontar é a coragem individual em demonstrar o amor com que se é capaz de amar (...)"

O livro é todo muito bonito e muito emocionante, mas sabe quando você uma passagem e ela fala contigo? te diz o que precisava ouvir?

Nessa passagem, Teresa de Calcutá falou para mim...

Que neste Natal, o amor nos impulsione ao abraço mais forte, ao telefonema difícil, ao email que sempre esquecemos de mandar... a realizar aquela pequena atitude que está ao nosso alcance. Que seja o amor essa força a nos aproximar uns dos outros, seja como for!

Fica a dica de um ótimo presente de natal no link abaixo:

http://www.livrariasaraiva.com.br/pesquisaweb/pesquisaweb.dll/pesquisa?ORDEMN2=E&ESTRUTN1=&PALAVRASN1=A%20FOR%C7A%20ETERNA%20DO%20AMOR

Boa leitura!!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Dark Romances!

Semana passada fui ao cinema (meu marido não perde o 007 por nada nesse mundo!) e vi o trailer da última parte do "Amanhecer". Como li a série "Crepúsculo" e companhia durante o final meio complicado da gravidez, acho que não postei nada sobre o assunto aqui no blog. Então, aproveitando a deixa do filme, quero deixar claro que os livros são infinitamente melhores! Quem ficou curioso e foi ao cinema conferir os filmes, não pode deixar a curiosidade morrer na telona, tem que conferir os livros. A história de Isabella e Eduard fez tanto sucesso que desencadeou uma série de livros com temática parecida, misturando romance e algo de sobrenatural. Em algumas livrarias utiliza-se o termo "dark romances"para fazer menção a esse tipo de livro. 
Quanto à série de Stephenie Meyer, todos eles são bons, mas meu preferido é o mesmo o último.
O quarto livro, "Amanhecer", reúne tudo de bom, do meu ponto de vista: casamento, amor, louco amor, com direito a lua de mel no Brasil (e tem lugar melhor?!) e aquele lance meio vampiro proibido que já rola desde o primeiro livro. No entanto, relendo o livro, para poder ver o filme e criticar bastante (coisa de gente chata mesmo!) percebi que podemos fazer um paralelo interessante entre o sucesso do crepúsculo e o de outra "saga" que já comentei aqui o "cinquenta tons". Pense bem, o que Eduard e Christian têm em comum? Ambos são homens muito endinheirados e dominadores dispostos a tudo por uma mulher submissa o suficiente para abandonar o resto de suas vidas e viver em função do dito cujo. A diferença é o meio empregado para convencer a candidata. Enquanto um é bem direto e incisivo o outro opta por um aproach delicado no estilo "não quero te morder, mas como posso resistir se vc é tão irresistível?!" 
O fato é que cada vez fico mais convencida de que as mulheres (evidente público alvo destas publicações) estão encantadas com a idéia de ter novamente um "macho provedor". Quem leu a coluna da Marta Medeiros na revista do Jornal O Globo, de domingo passado, viu que ela esta chegando à mesma conclusão, embora por motivos diversos. A idéia de que a mulher de hoje deseja uma dependência financeira que a de ontem tanto lutou para abolir não me causa nenhum espanto, ao contrário da Marta. Vou te dizer que se um vampirinho aparecer aqui em casa me oferecendo tudo que seus milhões podem comprar, eu não vou estender meu pescocinho não...mas se ele me garantisse um dia por semana só para mim, sem filho pra criar, processo para ler, voto para fazer, cardápio para pensar, marido para manter e casa para organizar, eu com certeza não ia usar minha gola rulê. A verdade é que essa coisa de dupla jornada já era cansativa, mas depois dos filhos, a dupla vira tripla e nem todas estão preparadas para segurar esse rojão. Posso garantir que eu não estava. A Revista Época de uns 15 dias atrás falava justamente sobre as mil dificuldades geradas pela visão da maternidade de forma idealizada. A mulher pensa que é só ter o filho e tudo será só alegrias, mas esquece que continua tendo que dar conta de todo resto e ainda criar o filhote, o que não é moleza! Bem, tudo isso não quer dizer que acho ótimo virar uma submissa completa de homem nenhum, longe de mim, mas eu bem que entendo o que o cansaço desta vida moderna pode fazer... A tendência do olhar feminino se voltar primeiro para o bolso do pretendente e depois para os seus predicados é uma realidade. Não é a toa. Quem vive uma vida escravizada pela necessidade do trabalho além de suas forças, em casa e no escritório, não curte a liberdade conquistada pelas feministas de outrora, nem sabe dar o devido valor ao seu livre arbítrio. Na verdade, nem quer saber o que isso significa. É triste, mas esse mundo capitalista está arrasando com o que há de mais feminino. Na prática, nós trabalhamos cada vez mais e temos cada vez menos tempo para o amor e para a maternidade...é uma pena, mas do jeito que a coisa vai continuo achando que a geração do Miguel vai ser uma geração de filhos únicos.

Tudo isso para dizer que os livros da série: "Crepúsculo", "Lua Nova", "Eclipse" e "Amanhecer, de Stephenie Meyer, são ótimos!! kkkkkkkk

Ops, desviei um pouquinho do tema...acho que estou tendo uma semana difícil...rsrsrsrs

Vale a pena ler os livros antes de ver o final nos cinemas, neste mês de novembro!

Segue o link para quem quiser conferir:


Bjs!

sábado, 13 de outubro de 2012

Para ser sincera...

Bom, não vale ler, meter o pau e depois fingir que não continuou lendo, né?! 
Então, para ser totalmente sincera aqui no blog, preciso abrir meu coração e contar que a curiosidade superou a indignação e acabei lendo a continuação do "Cinquenta tons de cinza"da autora E. L. James. Pelo menos não paguei nada por isso, já que os livros estão disponíveis na versão em inglês no 4shared. 
Vale dizer que a versão original já é bem melhor que a tradução no que diz respeito ao vocabulário utilizado...rsrsrsrs.
Lendo o "Cinquenta tons mais escuros"já deu para perceber porque o livro fez um sucesso danado com a mulherada... tudo que era só ultraje no primeiro livro, vira só esperança no segundo. Ele volta a procurá-la todo arrependido e disposto a ser um novo homem já nas primeiras páginas, ela por sua vez, tremendamente apaixonada, acha que tudo vai ser diferente e, para minha surpresa, não é que o sapo vira um príncipe? No terceiro livro, "cinquenta tons de liberdade", que será lançado em português apenas dia 15/11, até eu já estava meio apaixonadinha pelo Christian Grey...apesar de continuar achando que ele era meio safadinho demais para mim...kkkkkkkkkk.
O fato é que a chave do sucesso, sem dúvida, foi a mistura do amor bandido com a redenção pela mudança definitiva e radical ao fim da trilogia. Afinal, qual a mulher que nunca pensou que seria capaz de mudar um homem? tá, a gente pode até saber que "ninguém muda ninguém", mas quem nunca sonhou que o sapo virasse um príncipe do dia para noite? e tem coisa mais lisonjeira do que um homem dizer que seria capaz de mudar tudo só por amor a uma mulher? Não existe mulher na face da Terra que não fique caidinha por um homem capaz de mudar radicalmente por ela. Principalmente se ele for podre de rico e der um audi de presente de aniversário...kkkkkkkkk
Sério, a continuação me fez rir muito, tudo que achei horrível no primeiro livro, ficou bem melhor nos próximos, mas o mais interessante, realmente, foi perceber que este livro demonstra tudo que a maioria da mulherada quer nos dias pós feminismo: um cara rico, que faça todas as suas vontades, super disposto a toda e qualquer mudança, capaz de transar todos os dias como se o mundo fosse acabar no dia seguinte,  que diga "querida, vc sabe que não precisa trabalhar..." e como declaração de amor te leve para a Europa no Iate dele... 

Não posso negar que quando li esta parte da lua de mel no iate imaginei o André cantando aquela música da propaganda do Kuat no Iate... ri muito nessa parte... quem não lembra pode acessar o video aqui, hilário!!


Bom, pelo menos agora eu entendi onde estava o ó do borogodó. 

Até a próxima!

sábado, 15 de setembro de 2012

Paris a la Hemingway!

Esta semana, depois do fiasco da última leitura, me atraquei por dois dias inteiros com o livro da Paula Mclain sobre o casal Hemingway na Paris do início do séc. XX: "Casados com Paris", editado pela Nova Fronteira. Aquele resumo da contracapa (que tem um nome, mas não to lembrando...) já demonstra que o livro mistura ficção e dados da própria autobiografia de Hemingway ("A moveable Feast"), cujo primeiro casamento é o objeto principal da narrativa. Todas as impressões da cidade e de seus personagens daquele momento específico de efervescência cultural são descritos pela primeira mulher de Ernest Hemingway, Hadley Richardson. O livro é um romance baseado na história do casal, mas o mais interessante é a vida louca que levavam em meio aos outros artistas, escritores, pintores, etc... naquele cenário maravilhoso que Paris continua sendo (embora deva confessar que prefiro Londres, mas isso fica para um outro post...).
Ela foi a primeira de muitas esposas que Hemingway teria ao longo da vida que, por sinal, terminou em suicídio, então, pode parecer que o livro vai ser extremamente dramático...mas não é. Ao contrário, é uma leitura leve, dá uma vontade louca de se mudar para Paris levando só um laptop e apreciar, muito bem acompanhada, as muitas facetas da cidade depois uma garrafa de champagne! O que a vida tem de bom, por lá, pode ser bem mais glamuroso. Não acredito que alguém possa passar a vida inteira no ritmo frenético de bebida, amor e farra noturna, o que deve ter algo a ver com as insatisfações que levaram ao suicídio do personagem principal, mas por um período até que seria muito bom! 
Ao mesmo tempo, o livro mostra como pode ser dura a vida de um escritor ainda no início da carreira em uma cidade cara, como já era Paris. Aborda as dificuldades relacionadas à moradia e ao sustento de uma família em um período de pós guerra, a dor moral de quem lutou ou vivenciou as perdas durante esse período. Talvez por ser algo tão distante da minha realidade (note que eu nem sabia que Hemingway lutou e depois cobriu como jornalista vários conflitos deste tipo), a guerra e seus efeitos sobre as pessoas sempre ganham um destaque maior na minha leitura, mesmo quando ela nem é o tema principal, como neste livro. Tenho um profundo respeito pela vida, ainda mais agora, depois de entender como ela é difícil de ser gerada...sempre imagino como deve ser impensável viver um tempo em que a vida de uma pessoa não signifique nada, a não ser um número a mais em milhões de mortos. A gente sempre fala da violência nos centros urbanos e da banalização da morte, mas isso com certeza não é a mesma coisa. Uma guerra deve causar um impacto coletivo que inviabiliza a normalidade por gerações, todos são afetados por ela, pelo peso que ela acarreta sobre a sociedade. 
Acho que esse contexto histórico também contribuiu para que naquele momento as pessoas buscassem loucamente um sentido para a vida, uma afirmação de felicidade e prazer em viver, através da bebida, das artes, do amor mais intenso, mais apaixonado possível, ainda que isso não fosse sustentável para sempre. Por outro lado, quem viveu num período assim deve saber que o "para sempre" não existe, então, melhor viver o momento.
O livro é ótimo e mesmo quando Hadley e Ernest se separam, o que já se esperava desde o início, fica um gostinho de quero mais, porque a autora faz parecer que aqueles foram os melhores anos da vida do casal. 
Como é apenas uma ficção, montada do ponto de vista da esposa, fofoqueira como sou, fiquei com muita vontade de ler a versão do próprio Hemingway sobre este período...já contei aqui que adoro uma biografia! 

Fica aqui a dica deste ótimo livro:


Agora, tenha em mente que depois de ler dá muita, mas muita vontade de ir a Paris! Se não tiver mais férias pela frente, como eu, tranque o cartão de crédito na gaveta até o ano que vem! Nesse meio tempo, ficamos com as fotos...olhar não tira pedaço e mata um pouquinho a vontade...rsrsrsrsrsrsrs





Au revoir!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Leitura pra lá de quente!

Férias pedem uma leitura diferente, relaxante, surpreendente e atrevida. Foi procurando uma aventura para as minhas férias que encontrei o "Cinquenta tons de cinza", romance da autora E. L. James, editado pela Intrínseca, neste ano. Li em formato digital, então, acho que é um pouco mais barato, ainda assim, que pena do meu rico dinheirinho empregado neste livro....rsrsrsrsrsrs. Tudo bem, ele prometia ser uma literatura erótica, promessa cumprida, mas quem disse que era um erótico voltado para o público feminino não entende nada de mulher. O romance começa bem, um encontro por acaso, vai evoluindo muito bem, com uma atração irresistível entre uma estudante e um empresário milionário, e quando chega lá pela metade fica bizarro. Dali em diante o assunto é só sadomasoquismo descrito nos mínimos detalhes em cenas repetitivas de degradação feminina. Sério, erótico seria ótimo, não tenho nada contra, tudo a favor! Nem se trata de mero preconceito contra formas alternativas de fugir da rotina na vida sexual de um casal, porque até aí tudo bem...mas violência doméstica, no estilo "vários tapinhas não doem"... ninguém merece! O pior de tudo é que o enredo parece ir pelo caminho do cara traumatizado que é violento porque teve uma causa traumática escondida no passado, mas que permanece escondida para o leitor até o final, já que isso fica totalmente no ar. A impressão que tive é que o livro tem um fim abrupto, sem mais nem menos, do modo menos empolgante, a parte "submissa" simplesmente decide que não tá afim de apanhar do "dominador" (agressor, do meu ponto de vista) e ponto final, literalmente. Talvez a sensação de história interrompida seja porque há outros 2 volumes da mesma autora ("Cinquenta tons mais escuros" e "Cinquenta tons de liberdade") que dão continuidade ao enredo. Pode até ser que lendo os demais as coisas façam mais sentido... se alguém aí tiver lido me conta se melhora, porque acho que fico por aqui mesmo. O fato é que minhas esperanças de um final redentor para as mais de 400 páginas de um vai não vai sem pé nem cabeça...foram por água abaixo. Depois de tantas tentativas de empolgar, o livro termina sendo um banho frio para a mulherada que, como eu, esperava um romance de verdade, recheado de cenas calientes, mas no contexto mais contemporâneo de uma relação entre homem e mulher, em bases de igualdade e respeito à integridade física dos envolvidos...pelo menos isso, né?!
Bem, na minha modesta opinião, a leitura não vale nem meus vinte e poucos Reais nela empregados, mas para quem curte o estilo tapas e beijos...pode ser bacana.

Vai ver sou apenas muito careta para ver alguma graça neste livro. 

OK, sou mesmo muito careta neste aspecto! Vou ter que admitir: fiquei horrorizada quando o mocinho virou um safadão no meio do livro!
kkkkkkkkkkk

Acho que vou ter que conviver com o fato de que sou muito, muito quadrada, para esse tipo de leitura. Pelo menos agora entendi porque tanto falatório sobre o livro, devia ter desconfiado...

Quem quiser conferir segue o link para maiores informações:


Até a próxima leitura!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

"Múltipla escolha" e o nosso livre arbítrio!

Sempre achei que esse negócio de livre arbítrio era meio complicado. Parece tudo muito bom, liberdade total, cada uma faz suas escolhas e pronto, do jeito que eu gosto, sem interferências, sem palpites de ninguém, cada um na sua! Só que a coisa foi se complicando...a gente vai lendo um pouquinho mais e vai passando dos 30, então, vai observando as consequências das próprias escolhas e um dia percebe que caiu no conto do vigário! Nesse dia é que percebe que o livre arbítrio só é livre mesmo na hora de decidir para que lado você vai, uma vez escolhido o rumo, as consequências daquela decisão são nossa responsabilidade e aí a liberdade encontra limites. A gente acha que casar é simples, que casa a hora que quiser, descasa quando quiser e ninguém tem nada a ver com isso. Esquece que quando decide dizer sim ao outro, assume um compromisso de tentar fazer a coisa dar certo, de compartilhar tudo, de decidir junto, de abrir mão de uma parcela da própria liberdade, de tolerar mais, de assumir um a família do outro e formar uma nova, de ver os mesmos amigos, viver os mesmos sonhos, até as antipatias do outro a gente acaba incorporando. A gente pensa que tem filhos a hora que quiser, faz com eles tudo que faria sem eles, que os cria como bem entender e ninguém tem nada a ver com isso. Esquece que dar a vida a alguém implica mudar imediatamente de prioridades, que durante algum tempo, o bem estar daquele ser tão indefeso depende unicamente de nós, pais e mães, que seremos os primeiros exemplos e referenciais daquela pessoa em formação. De repente, não mais que de repente, percebi que um monte de escolhas feitas nos últimos cinco anos já determinam meu futuro pelo menos nos próximos 10 anos, porque vou ter que arcar com as responsabilidades dessas escolhas, vou ter que fazer o melhor possível para dar conta dos deveres que vieram dessas escolhas (com relação ao marido e filho, acho que para o resto da vida!...rsrsrsrsrs). Não que isso seja ruim. Só requer um pouco de atenção para viver com coerência as cenas dos próximos capítulos.  Lendo o livro  "Múltipla Escolha"da Lya Luft, editado pela Record, pensei o tempo todo em como é importante assumir nossas escolhas, nos pautar por elas, lembrar e renovar as escolhas certas todos os dias. O livro fala de mitos da nossa sociedade que nós simplesmente vestimos sem pensar se eles nos caem bem, se realmente traduzem nossa vida. Como sempre, a autora escreve muito bem sobre o passar do tempo, sobre o envelhecimento, mas também sobre maternidade, amizade, sofrimento, mas, principalmente, sobre a nossa postura diante dos fatos da vida. Às vezes, escuto dizer que a felicidade não é desse mundo. Lendo o livro tive certeza de que é sim. Entre redes sociais, às vezes escuto dizer que a felicidade ficou artificial, que ninguém é tão feliz nem tão bonito quanto aparenta no facebook...ouso discordar. Todo mundo tem momentos difíceis, mas nem todo mundo deixa que as dificuldades se transformem no centro da sua vida. A felicidade é um estado de espírito, dizem, mas é antes de tudo uma escolha. Cada um escolhe ser feliz ou não. Não adianta olhar para o hoje, fruto de tudo que já fizemos ao longo de anos, pensando que o melhor da vida ficou para trás. Não adianta olhar para o corpo de hoje pensando que bom mesmo era aquele dos meus vinte anos. Assim, como não adianta estar num relacionamento pensando como seria bom poder decidir tudo por si mesmo, fazer o que tivesse vontade, como quando era solteira. É uma ilusão achar que a liberdade, a beleza, a disposição da juventude nos fariam mais felizes. Esse mito para mim é o pior de todos: o de que só se é feliz quando jovem. Na minha opinião, o livro já valeria a pena a leitura só pelo capítulo que aborda esse mito da "gloriosa juventude". A autora mostra como uma frase tão comum "fulana tem espírito jovem" traz em si mesma um significado que não tem razão de ser, por que uma pessoa mais velha precisa de espírito jovem? A idade traz tantas coisas boas, especialmente ao espírito, diga-se de passagem, por que alguém quer elogiar o outro dizendo que apesar da idade seu espírito é jovem?? Nunca tinha parado para pensar nisso...mas acho que ela tem toda razão. E como é cruel para as mulheres, principalmente, as mães, ter que correr atrás do tempo, como se estivesse na esteira da academia, correndo, fazendo ginástica, plástica, dieta, escova progressiva, tudo para ficar no mesmo lugar, porque a passagem do tempo é inexorável. É preciso estar bem consigo mesma, se gostar, mas também é fundamental usar o bom senso para entender quando a preocupação com a aparência está suplantando coisas que deveriam ser mais importantes...Um profissional, antes de mais nada, tem que ser competente, dedicado ao trabalho, comprometido, mesmo que não esteja sempre lindamente vestido. Uma mãe tem que ser presente, estar com os filhos, curtir momentos de lazer, proporcionar segurança nos momentos difíceis, cuidar da saúde física e emocional deles, amar os filhos acima de tudo e de todos, mesmo que não dê tempo de ir à academia ou ao salão de beleza quando forem pequenos. O livro me fez pensar que preciso ser mais feliz com as escolhas que fiz, ver o que cada fase da vida tem de bom, continuar tentando aproveitar o presente, fazer o bem em todas as oportunidades que aparecerem e naquilo que hoje não me faz bem tentar escolher melhor daqui para frente. A vida se repete, as escolhas nunca cessam e cabe só a cada um de nós se ver livre desses mitos abordados pelo livro e ser feliz com o que fez da própria vida. Qual o sentido de remoer as escolhas erradas? Melhor seguir em frente e usar melhor o livre arbítrio no futuro...vivendo plenamente cada etapa da vida. 

Boas escolhas para todos nós!