quinta-feira, 24 de maio de 2012

Ainda sobre a transição planetária!

Dando sequência a outros posts em que já abordei o assunto transição planetária (que muito me interessa!!), esta semana escolhi comentar um romance espírita (que acabei de ler hoje) cujo enredo me surpreendeu muito por tratar deste tema de maneira mais suave, narrando uma série de encarnações de um espírito bastante adiantado intelectualmente, mas pra lá de atrasado no aspecto moral, motivo pelo qual acabou sendo exilado de seu mundo de origem: o planeta Capela.
obs: Mini flashback! Para quem não está lembrando ou nunca ouviu falar, Capela foi um planeta que passou exatamente pelo processo de transição de um mundo de provas e expiação para um mundo de regeneração - por que passamos hoje - quando a Terra não passava de um planeta muito primitivo, milhares de anos atrás. Não por acaso, os espíritos que já não poderiam reencarnar por lá, pelo seu atraso moral, incompatível com o planeta em estágio de regeneração, foram exilados para a Terra, com o objetivo de purgar seus débitos contribuindo para o adiantamento intelectual de povos ainda muito atrasados que por aqui viviam. Quem quiser se inteirar um pouco mais sobre a transformação de Capela e sua relação com o nosso planeta pode começar pelo livro "A Caminho da Luz", de Chico Xavier,  que explicava muito bem este processo de exílio e foi o pioneiro no que diz respeito à história do planeta Capela, pelo menos, foi o primeiro livro que li sobre o assunto.
Bem, tendo esse momento de transformação como pano de fundo, a dica de hoje é "Exilados por Amor", psicografia de Sandra Carneiro, pelo espírito Lucius, da editora Vivaluz. 
O romance é sobre o exílio de Ernesto, um espírito muito avançado intelectualmente, que se vê afastado de Capela e levado a sucessivas encarnações compulsórias na Terra, para resgate de inúmeros delitos gerados pelo mau uso de sua inteligência no campo da pesquisa genética. O livro aborda suas encarnações pelo Egito, Grécia e Jerusalém, exemplificando como a chegada de espíritos mais adiantados contribuiu para o avanço da civilização em cada momento histórico, avanço, este, que nem sempre foi acompanhado pelo necessário desenvolvimento de princípios morais e éticos, como pretendido pelo plano espiritual.
Todo o progresso de Ernesto é acompanhado de perto por Elvira, um espírito abnegado que se prontifica a acompanhá-lo em suas difíceis encarnações apenas para auxiliar o seu adiantamento moral, personificando o verdadeiro amor quando ele mais precisaria de apoio espiritual.
A terceira parte do livro é, de longe, a mais interessante, quando é narrada a sua encarnação em Jerusalém, como contemporâneo de Jesus Cristo, na pele de José de Arimatéia, um mercador muito rico, seguidor oculto de Jesus, que após a crucificação resolve vivenciar a sua fé abertamente, enfrentando a fúria do Sinédrio e a prisão pelos romanos. 
Eu não tinha a menor idéia de quem era esse personagem tão interessante na história de Jesus. Foi José de Arimatéia quem conseguiu a autorização de Pilatos para dar a Jesus um sepultamento digno, de acordo com os costumes da época, o que era incomum nos casos de criminosos crucificados. Em consequência deste gesto, acabou preso por exigência de Caifás, acusado de traição pelo povo Judeu, por reconhecer em Jesus o messias enviado por Deus. Depois de vários anos preso, é libertado sem nunca ter sido sequer julgado. Tendo todos os bens confiscados e sendo rejeitado pela família, voltou-se para o trabalho novamente como mercador, mas destinando a maior parte dos lucros aos apóstolos, aproveitando-se desta atividade para levar o Evangelho a terras distantes. 
Procurando na Wikipedia, o breve comentário confirma as informações do livro sobre a personagem: "José de Arimateia era assim conhecido por ser de Arimateia, cidade da Judeia. Homem rico, senador da época, era membro do Sinédrio, o Colégio dos mais altos magistrados do povo judeu. Também conhecido como `Sanhedrin´, formava a suprema magistratura judaica. É venerado como santo católico no dia 31 de agosto. A Bíblia relata que ele era discípulo de Cristo, mesmo que secretamente (Joao 19:38). Segundo os evangelhos, José de Arimateia, juntamente com Nicodemos, providenciou a retirada do corpo de Cristo da cruz após solicitação feita a Pôncio Pilatos. Era o dono do sepulcro onde Jesus Cristo, seu amigo, foi embalsamado, numa esplanada a cerca de 30 metros do local da crucificação e de onde ressuscitou três dias depois da morte. Após a retirada do corpo de Jesus, foi preso por seguir a doutrina dele; ficou muitos anos preso.Caifás queria que ele ficasse preso até morrer, mas como José era muito inteligente para negócios lucrativos , o governador depois de Pôncio Pilatos, conversou com os membros do Sinédrio e convenceu a soltá-lo; ambiciosos pelos lucros que ele traria, libertaram Arimateia. José de Arimateia além de trazer riquezas para a sua região, aproveitou as viagens para divulgar os ensinamentos de Jesus Cristo. Atribui-se também a José o lençol de linho em que Jesus foi envolvido, conhecido como Santo Sudário. De acordo com algumas lendas, José de Arimateia,teria ficado de posse do cálice da Santa Ceia, levando-o para a Europa. Este cálice ficou conhecido como o Santo Graal, tão mencionado nas Lendas Arturianas.".
O livro emociona muito, principalmente, por demonstrar que cada um tem o seu próprio tempo e ninguém pode alavancar o progresso do outro, mas também por deixar claro que o verdadeiro amor tudo suporta na espera pelo outro, de forma paciente e generosa, sem egoísmo ou cobranças...só transmitindo aquela paz de um abraço carinhoso. Quantas vezes, em meio às dificuldades, ficamos alheios a esse abraço que sempre nos envolve no amor de Jesus...quando leio esses livros me lembro que nunca estamos sós e isso me conforta tanto!
Vale a pena ler! Fica a dica para o fim de semana!
Bjs!!

domingo, 13 de maio de 2012

Hino ao amor cristão


Eu já ouvi e li este trecho de Paulo aos Coríntios inúmeras vezes! Acho lindo em todas as ocasiões! Fica lindo em casamento, fica maravilhoso na missa, enfim, fala ao nosso coração sempre! Dei uma lida esta semana, porque queria colocar no álbum do batizado do Miguel. Queria ser eu a levar a ele estas palavras sobre amor. Afinal, ele me fez entender do que isso realmente se trata... Fica minha homenagem ao maior amor do mundo, o mais próximo desse que Paulo nos ensina: o amor de mãe!

Hino ao amor cristão

“Eu poderia falar todas as línguas 
que são falas na Terra e até no céu, 
mas, se não tivesse amor, as minhas palavras seriam 
como o som de um gongo 
ou como o barulho de um sino. 
Poderia ter o dom de anunciar 
mensagens de Deus, 
ter todo o conhecimento, 
entender todos os segredos 
e ter tanta fé, que até poderia tirar 
as montanhas do seu lugar, 
mas, se não tivesse amor, 
eu não seria nada. 
Poderia dar tudo que tenho
e até mesmo entregar o meu corpo
para ser queimado, 
mas, se não tivesse amor, 
isso não me adiantaria nada. 
Quem ama é paciente e bondoso,
Quem ama não é ciumento, 
nem orgulhoso, nem vaidoso. 
Quem ama não é grosseiro nem egoísta, 
não fica irritado, nem guarda mágoas. 
Quem ama não fica alegre quando alguém
 faz uma coisa errada, 
mas se alegra quando alguém 
faz o que é certo. 
Quem ama nunca desiste, 
porém suporta tudo com fé, esperança 
e paciência. 
O amor é eterno. 
Existem mensagens espirituais,
porém elas durarão pouco. 
Existe o dom de falar 
em línguas estranhas, 
mas acabará logo.
Existe o conhecimento, 
mas também terminará. 
Pois os nossos dons de conhecimento 
e as nossas mensagens espirituais 
são imperfeitos. 
Mas quando vier o que é perfeito, 
então o que é imperfeito desaparecerá. 
Quando eu era criança falava como criança, 
sentia como criança 
e pensava como criança. 
Agora que sou adulto, 
parei de agir como criança. 
O que agora vemos 
é como uma imagem imperfeita 
num espelho embaçado, 
mas depois veremos face a face.
Agora meu conhecimento é imperfeito, 
mas depois conhecerei perfeitamente,
 assim como sou conhecido por Deus. 
Portanto, agora existem 
estas três coisas: 
a fé, a esperança e o amor. 
Porém a maior delas é o amor.”

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Dia das mães!!


Vou logo avisando: este post é para quem está pensando ou está em vias de se tornar mamãe! Na verdade, acho que ele é sobre como eu me tornei mãe... Não, ele é sobre o que eu li enquanto me tornava mãe...sei lá, acho que será sobre isso...vamos ver no que dá!
Assim que comecei a pensar em engravidar, há cerca de um ano, deu aquele friozinho na barriga, aquele medo de não ter em mim um requisito essencial, de ter um instinto maternal defeituoso ou, pior, não ter nenhum! E, impulsionada pelo medo de ser uma péssima mãe, pela dúvida se queria mesmo ser mãe, sem saber exatamente o que isso significaria para o meu relacionamento conjugal, o que essa nova condição me traria de mudanças nos próximos meses...lá fui eu para o caminho de Santiago, pensar questões e dúvidas sobre um destino que já estava traçado: afinal, eu já estava grávida!
Uma vez lá, relaxei, curti minhas primeiras estranhas sensações, comi o que quis, vi tudo que pude, andei o que meus pés aguentaram, bebi toda a água da Espanha, rezei como nunca e, quem diria, aprendi a amar!
Voltei disposta a fazer tudo certo, descobri em mim uma vontade enorme de ter esse filho, de curtir minha gravidez ao máximo (sei lá se vai existir outra...), de cuidar melhor de mim e desse pequeno ser que já era parte de mim!
Esse desejo me levou à livraria (depois do médico, claro!): “tem livro sobre gravidez?”
O rapaz me olhou de esguelha e chamou uma colega: “Tipo um manual? Tem, sim”
Sim, comprei um manual mesmo, dizendo como funciona o corpo feminino a cada etapa da gravidez...fui lendo obsessivamente a cada dia, semana, mês...foi muito bom poder acompanhar cada mudança e saber que era tudo normal! Nos primeiros meses, só lia isso: “A Gravidez dia-a-dia” da Dra. Maggie Blott (organizadora), tradução de Renata Bottini, SP: pela Editora Senac, 2010.
Depois, achei o já manjado: “O que esperar quando você está esperando”, Heidi Murkoff, Arlene Eisemberg e Sandee Hathaway, traduzido pelo Paulo Fróes, RJ:Record, 2011. Esse é bem mais detalhado...explica alguns quadros clínicos que podem ocorrer, o que os exames podem detectar, remédios e alimentos que devem ser evitados etc...muito, muito bom! Especialmente, para quem tem alguma condição específica, como a pressão alta ou diabetes, porque ele te ajuda a tirar algumas dúvidas bobas sem ter que ligar para o médico a toda hora. Eu, pelo menos, não queria ligar pro médico a cada vez que tinha um ataque de paranóia. Dava uma lida no capítulo correspondente ao meu estágio e levava para o médico, no dia da consulta, só as dúvidas insanáveis...
No oitavo mês, em meio a uma situação de emergência, nasceu o Miguel!
Vários dias na UTI me mostraram a dor e a delícia da maternidade...
Para estes dias, só lia mesmo o “evangelho segundo o espiritismo”, mesmo assim, mais chorava do que lia...
Depois, com o Miguel em casa a salvo de qualquer problema, ficou só a delícia! Nesse primeiro mês ganhei da prima Teresa um livro chamado “Nossos filhos são espíritos” de Hermínio C. Miranda, SP:Editora 3 de outubro, 2010, 11a. Edição.
Foi o livro certo na hora certa!
Me ajudou a compreender melhor o momento de prova que passamos juntos, a confiar na providência divina e a amar ainda mais meu filhote, ficando juntinho dele para o que der e vier, e, principalmente, rezando muito por ele. Afinal, por mais que o ame, ele é um ser com sua própria bagagem, com um destino que eu não posso controlar, com seus compromissos e tarefas que só ele pode realizar, com todo um passado que me antecede e que eu não posso sequer imaginar...
Neste primeiro dia das mães, é ele meu maior presente, sua saúde a minha maior benção, seu sorriso minha maior alegria!
Para aquelas que, como eu, ficam na dúvida, com mil medos e aflições, posso garantir que tudo passa...na hora do chorinho, do colinho, da amamentação, quem tem tempo para dúvidas?! A maternidade se aprende no dia-a-dia, com muito conselho de vó, amor em altas doses e muita, muita fé!
Para todas as mamães, dedico as flores, dou meu abraço mais apertado e desejo sinceramente um feliz dia das mães no próximo domingo!!!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Leitura do feriado!

Este feriado foi tudo de bom! 

Marido em casa+chuvinha+bebê dormindo=leitura gostosa!

Como tinha que ser algo que eu pudesse começar e terminar num fim de semana, optei pelo romance espírita emprestado pela minha amiga Bete. Afinal, ela não tinha pressa na devolução, mas convém não abusar, já que sou membro de carteirinha da biblioteca dela...já pensou se ela corta meu cadastro por atraso na entrega?!

Assim, me atraquei com o livro: "A Noiva", psicografado por Jairo Avellar, ditado pelo espírito Elizabeth D'esperance, MG:Editora Itapuã, 2010.



Vamos combinar que eu adoro um casamento, então, o título e a capa já eram bem atraentes para mim... rsrsrsrsrs.

O enredo se desenvolve tendo como pano de fundo o início do séc. XX, quando o espiritismo começou a ser divulgado por aqui. A trama envolve um grupo de espíritos que se comprometeram uns com os outros na Inglaterra do séc. XIII e, tendo falhado em meio à nobreza, são enviados ao Brasil para um recomeço longe das memórias dos desatinos cometidos. Os personagens principais são figuras históricas conhecidas, reis e rainhas daquele tempo, cuja biografia é facilmente conferida até na Wikipedia, o que eu acho muito bacana!

Saber que as relações ali descritas foram vividas por personagens de que todos já ouvimos falar, nos faz repensar muitas opiniões e noções pré concebidas, pois constatamos o quanto a história que conhecemos é parcial quando contada apenas pela parte "vencedora" ou dominante em certo momento.

Justamente por se tratar de comprometimentos muito sérios, envolvendo assassinatos e conspirações pelo poder na corte inglesa, o livro aborda duas questões centrais que são: a vaidade e a obsessão. Primeiro, explicando como a vaidade e a sede pelo poder pode levar o ser humano ao que há de mais degradante que é o desrespeito à própria vida; depois, demonstrando que o efeito desse comportamento nos leva quase sempre a uma consciência culpada e ao resgate através da dor.

A bem da verdade, para os que como eu adoram um casório, no fim das contas a noiva deixa de ser noiva e dá uma certa tristeza ver que não vai ter casamento nenhum para a coitadinha...mas apesar disso ela dá uma bela lição de moral quando assume que o seu momento não é mesmo para romance e deixa o outro livre para ser feliz. Afinal, quem ama liberta, certo? 

O livro faz refletir muito sobre essa verdadeira fogueira de vaidades que se tornou até mesmo o momento da união de um casal...será mesmo necessário tanta "Pompa e circunstância"?! O início da vida a dois não deveria ser um momento de intimidade, carinho e oração pelos noivos? Será preciso um banquete para mil conhecidos bebendo até cair para celebrar o amor entre duas pessoas? Quem já não saiu de um casamento vendo até a noiva ser carregada? Adoro um vinho branco, um rosé, um vinho do Porto, um espumante, uma caipirinha, então, nem se fala... mas nem por isso saio por aí perdendo a linha em qualquer ocasião. O excesso de bebida, por ser deselegante, deixa péssimas recordações de qualquer festa e pode oferecer a oportunidade que faltava para o início de um processo bastante complicado de reverter, como a obsessão.

Cada um na sua, nada contra a bebida alcoólica em geral, mas, na dúvida, depois desse livro, prefiro beber com moderação...nunca se sabe o que andei fazendo em outras vidas!

Fica minha dica para uma leitura rapidinha de feriado! Quando será o próximo???

bjs!

terça-feira, 27 de março de 2012

SAUDADES!!!

Ai, que saudade de postar no blog!! Neste ano ainda não tinha conseguido postar nada! Quase tanta saudade quanto sinto do tempo em que efetivamente lia alguma coisa...mas há uma luz no fim do túnel! Agora que o Miguel já está com quase 3 meses e dorme quase a noite inteira (note a esperança contida neste quase! rsrsrsrsr) Começo a preparar meu primeiro post pós gravidez, claro, sobre livros lidos durante a experiência gravídica! Não que alguma leitura me pudesse preparar completamente para o que viria com a chegada deste primeiro rebento, mas quem sabe alguém aí tá pensando no assunto...uma leitura sobre o tema sempre ajuda! 

Bem, enquanto não termino o primeiro post de verdade do ano de 2012, assim, só para matar a saudade, compartilho a notícia do Blog Ciência Maluca no site da super interessante! Claro que adorei saber disso!!

http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/pessoas-que-leem-sao-mais-legais/






"Pesquisadores da Universidade de Washington e Lee (EUA) constataram esse efeito com um teste bem simples: colocaram voluntários para ler uma história bem curtinha, fizeram algumas perguntas para identificar o quanto cada um tinha curtido o que leu e aí derrubaram, sem querer querendo, um monte de canetas no chão. O estudo conta que, quanto mais “transportadas” para dentro da história as pessoas tinham sido, maiores eram as chances de levantarem o bumbum da cadeira para ajudar a recolher as canetas.
A explicação é que quando lemos algo que realmente mexe com a gente, criamos empatia pelos personagens da história — e quanto maior essa empatia, mais propenso a gente fica a ser bacana com os outros na vida real. E você aí, anda lendo muito?"

Esse Blog da Ciência Maluca é um barato e tem RSS, assina lá e fique por dentro dessas pesquisas e curiosidades que são super divertidas!

Bjs!!!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

"Um Dia"!


Em tempos de repouso, considerando que a leitura sempre foi meu passatempo preferido, nada melhor do que ler tudo que vem pela frente e só sair de casa para buscar mais suprimentos na livraria mais próxima de casa... Há algum tempo vinha namorando um romance chamado “Um dia”, do David Nicholls, que deu origem ao filme de mesmo título lançado recentemente nos cinemas, com a Anne Hathaway (que, by the way, eu adoro).
Ele me chamou atenção por se tratar de um romance narrado pelo próprio casal que se conhece na festa de formatura e meio que encontram um meio de manter-se sempre juntos, mesmo estando separados, sob o manto de uma amizade incondicional.
Tem momentos muito engraçados, já que a narrativa tem lugar em Londres e acompanha o período de amadurecimento de ambos, mais ou menos dos 20 aos 40 anos, quando todo mundo parece se dividir entre a confusão amorosa e a busca de um rumo na vida profissional, o que quase sempre esbarra em muitos enganos, alguns fracassos e desencontros.
O lado cômico, porém, não é o mais interessante, pelo menos para mim...
Gostei mesmo foi de ficar pensando como toda a nossa história pode ser determinada por um encontro, uma pessoa, um dia...e como tudo seria diferente caso aquele evento jamais tivesse ocorrido.
O livro imediatamente me fez pensar na minha própria formatura, quando já namorava o André (que recebeu seu diploma na mesma ocasião) e sentia que nada era tão definitivo e que mil coisas poderiam influenciar nossas vidas e levá-las para lugares diferentes.
A trajetória destes personagens me lembrou tudo que poderia ter nos afastado, mas também me fez pensar como nossa união foi determinante para minha felicidade atual. Hoje, acho que o dia em que nos conhecemos foi determinante para uma série de outras escolhas que viriam em seguida, mesmo que eu nem pensasse, na época, no quanto as opiniões dele e a vontade de estarmos juntos pesava em minha balança.
Claro, todo relacionamento tem sua cota emocional, racional e, creio eu, um certo “escrito nas estrelas”, mas até que ponto nos deixamos levar por cada uma dessas facetas? O que mantém duas vidas entrelaçadas por décadas não é só amor, nem só o comodismo, por que tem que haver algo mais, algo de divertido, de novo, de gostoso na companhia do outro, mesmo no silêncio do domingo de manhã.
A relação de amizade entre os personagens, muito mais do que uma louca paixão, faz com que eles permaneçam um na vida do outro, até nas fases de muita turbulência, porque sentem que podem dividir qualquer coisa, que o outro sempre terá uma visão menos crítica da situação e a capacidade de encontrar uma forma fazê-lo rir de si mesmo.
Adorei ter lido este livro que me fez pensar em tantos momentos inesquecíveis sem os quais a minha vida teria tomado outros rumos...
O livro começa com uma citação de Dickens que eu não conhecia, retirada de “Grandes Esperanças”:

“Foi um dia memorável, pois operou grandes mudanças em mim. Mas isso se dá com qualquer vida. Imagine um dia especial na sua vida e pense como teria sido seu percurso sem ele. Faça uma pausa, você que está lendo, e pense na grande corrente de ferro, de ouro, de espinhos ou flores que jamais o teria prendido não fosse o encadeamento do primeiro elo em um dia memorável”.

Neste natal, que tal pensar nestes dias memoráveis e agradecer pelo que fizeram da nossa vida? Por tudo que nos tornamos? Que tal???

Bjs!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Repartindo o pão!

Esta época do ano é cheia de simbolismos para mim: tenho uma música toda especial que só ouço no natal, tenho uma súbita necessidade de ir à Igreja, agradecer pessoalmente o ano que passou (o que na maior parte do ano faço de casa mesmo...), além daquelas comidinhas que só comemos no fim de ano, sei lá o porquê...

O fato é que a cada ano essas pequenas tradições festivas se tornam mais e mais gostosas para mim. Elas me lembram pessoas, momentos felizes, presentes esperados e surpresas inesquecíveis quase sempre compartilhadas com aqueles que mais amo.

Este ano, em especial, sinto o natal mais vivo do que nunca! A esperança e a expectativa de uma chegada tão desejada me faz vivenciar a felicidade desta comemoração como nunca! O natal está em meu coração, em meus sonhos, no meu desejo de paz, mais do que em qualquer exteriorização ou decoração natalina, que sempre curti tanto!

No entanto, o fim de ano também traz aquelas festinhas de despedida que muitas vezes podem se tornar meio chatas, seja porque reúne gente demais, seja porque a empresa escolheu um lugar desconfortável, seja porque a família do namorado ainda não te deixa tão à vontade...sei lá, sempre tem aquele encontro que a gente vai meio de má vontade, ainda, que nem às paredes confesse!

Neste estado de espírito, esbarrei num conto da Clarice Lispector que me fez pensar um pouco sobre o que torna toda e qualquer festa de fim de ano tão gostosa: a reunião em torno da mesa.

O conto é intitulado: “A repartição dos pães” e integra, originalmente, o livro “A Legião Estrangeira”, mas faz parte de uma coletânea lançada, há relativamente pouco tempo, pela Rocco, trazendo contos de Clarice selecionados por leitores para lá de especiais, como Maria Bethania, Lya Luft, Marina Colasanti, entre outros. Esta coletânea chama-se “Clarice na Cabeceira” e traz antes de cada conto uma pequena introdução elaborada por quem selecionou o texto, explicando porque ele é um dos seus preferidos desta autora.

É uma leitura para relembrar os livros da autora e (por que não?) dar novo sentido ao que foi lido a partir da visão de um outro leitor que escolheu compartilhar sua experiência com Clarice...claro que estou amando o livro!

Como nunca tinha lido este conto, como chegou a mim nesta época e como sei que nada é por acaso resolvi fazer este post para falar só dele!

A autora narra um almoço a que todos se sentem compelidos a comparecer por pura obrigação social, as pessoas não se entrosam, não há qualquer afinidade entre elas, todas se perguntam porque é tão difícil permanecer naquele compromisso, o que faz desta reunião de pessoas um tédio. Até que a anfitriã convida a todos para sentarem à mesa.

Não era uma mesa qualquer, mas uma mesa maravilhosa, com frutas frescas, arranjos de trigo e tudo mais que a terra pode prover em sua plenitude e beleza, conquistando os convidados com os seus sabores, as suas cores e o seu cheiro.

Resultado:

“(...)Ninguém falou mal de ninguém porque ninguém falou bem de ninguém. Era reunião de colheita, e fez-se a trégua. Comíamos. Como uma horda de seres vivos, cobriamos gradualmente a terra. Ocupados como quem lavra a existência, e planta, e colhe, e mata, e vive, e morre, e come. Comi com a honestidade de quem não engana o que come: comi aquela comida e não o seu nome. Nunca Deus foi tão tomado pelo que ele é. A comida dizia rude, feliz, austera: come, come e reparte. Aquilo tudo me pertencia, aquela era a mesa de meu pai. Comi sem ternura, comi sem a paixão da piedade. E sem me oferecer à esperança. Comi sem saudade nenhuma. E eu bem valia aquela comida. Porque nem sempre posso ser a guarda de meu irmão, e não posso mais ser minha guarda, ah não me quero mais. E não quero formar a vida porque a existência já existe. Existe como um chão onde nós todos avançamos. Sem uma palavra de amor. Sem uma palavra. Mas teu prazer entende o meu. Nós somos fortes e nós comemos. Pão é amor entre estranhos”.

E essa conclusão parece resumir tudo que realmente sinto quando volto desses encontros, aquela satisfação de ter simplesmente compartilhado um momento de alegria em torno da mesa, ter conhecido um pouco melhor aquele grupo, enfim, por ter avançado um pouco mais na direção do outro.

Mesmo na nossa família, onde nos reunimos em total alegria, será que a mesa de natal, tão caprichada, em que se vê a contribuição de cada um nos partos elaborados, nos arranjos de flores e tudo mais, não tem um poder agregador sobre cada um de nós?

Aqui em casa eu sei que tem... naquele momento em nos sentamos à mesa, não importa mais o que o ano nos trouxe ou nos levou, ali estamos reunidos em um só propósito e um só sentimento: gratidão pelo pão repartido e por estarmos reunidos mais uma vez.

Bjs!!