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quarta-feira, 28 de março de 2018

Passando meus lidos a limpo!

Conversando com a tia Maria outro dia, ela me pergunta: menina, e aquele seu blog? não tá lendo mais nada, não? tem colocando alguma coisa lá?

Na hora respondi...poxa, sabe que eu tenho lido muito, mas não tenho tido tempo de colocar no blog?

Me senti traída e traidora...entre tormentas e turbulências da vida, às vezes fico meses sem escrever nada.

Essa semana tinha feriado. Prazos suspensos, sem processo para ler e relatar.

Fiquei com uma vontade danada de botar o blog em dia.

É muito mais gostoso quando a gente acaba de ler e vai correndo comentar sobre o livro ou quando acabou de escrever alguma coisa e posta na mesma hora, mas passar a limpo a leitura tem seu valor.
A gente já leu tem um tempo, então, o que ficou é o que marcou mais mesmo, livro ruim que a agente encosta e deixa pra lá, nem lembra de passar a limpo.

Então agora vou começar a fase no passando a limpo meus últimos lidos, o que significa que vai ter overposting...😜

Valeu pela lembrança tia Maria!

Vou aproveitar pra comentar a leitura do livro que li na sua casa: A origem, do Dan Brown, da editora Arqueiro.

Não é nem de longe a melhor aventura do Robert Langdon, mas o cenário escolhido para mim é um dos mais interessantes: Espanha! Adorei! As andanças do personagem principal dá uma vontade louca de conhecer Barcelona!

Achei super bacana a interação entre ciência e tecnologia versus religião e fanatismo que marcam todas as obras deste autor, mais uma vez abordada neste livro, mas confesso que faltou um certo romance ou uma personagem feminina mais envolvente...não achei que rolou uma química bacana desta vez, nem no livro, imagina quando virar filme.

Resumindo: o que tem de bom é o Robert Langdon em sua eterna busca pelo desvendar do mistério em cada pequena pista através da simbologia que levará ao fanático da vez.

É bom, mas vamos combinar que não dá pra ficar melhor que o Código Da Vinci...#suspiros.

Vale a leitura só pra matar saudade do Robert.

Fica a dica.




segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Sobre liberdade!

Sabe aquele livro que te chama a atenção pelo título?

Assim, foi esse..."Cruzando o caminho do sol", do Corban Addison, editora Novo Conceito.

Eu comprei por impulso e ficou aqui na lista das leituras futuras um tempão.

Até semana passada.

Comecei a ler atraída pelo cenário pós tsunami dele, pensando que se alguém sobrevive a um tsunami é porque, realmente, se pode sobreviver a tudo, achando que a grande questão do livro seria a superação daquela tragédia e a reconstrução de uma família, daquele contexto em que os personagens estavam envolvidos e tudo mais.

Não era bem essa a temática central.

Na verdade, o livro é sobre liberdade e, especialmente, a feminina, sem ser feminista ou alardear a chamada cultura do estupro. É sobre algo muito mais básico. É sobre o direito de ir e vir do qual algumas (muitas) mulheres são privadas por traficantes que fazem delas um comércio. É sobre a ilusão de ganhar dinheiro fácil sem atentar para o valor que se perde no processo, é sobre um mercado mais antigo do que a nossa civilização, em que a sexualidade é uma moeda de troca, nem sempre justa. 

É sobre lutar o bom combate...mesmo quando tudo aponta para uma guerra perdida.

O tráfico de mulheres é uma realidade sobre a qual não debatemos o suficiente, mesmo que todo mundo já tenha ouvido falar dela. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimou em 2005 (último levantamento referente ao tema) que o tráfico de pessoas é uma das atividades criminosas mais lucrativas do mundo, envolvendo cerca de 2,5 milhões de vítimas e movimentando aproximadamente U$ 32 bilhões por ano.

As mulheres são larga maioria: 98% dos casos são de tráfico de mulheres para fins sexuais.

Os dados constantes na página do Governo Federal (Portal Brasil) são alarmantes.

E embora a situação narrada no livro esteja no contexto da Índia, logo após a tragédia decorrente do Tsunami, não é difícil imaginar porque o Brasil é parte significativa nesta engrenagem do tráfico, já que as vítimas são todas muito jovens (entre 13 e 25 anos), com pouca escolaridade e nível social muito baixo, normalmente, enganadas com a promessa de uma melhor qualidade de vida.

Não falamos o suficiente sobre isso. Não alertamos o suficiente nossas crianças. Não olhamos com olhos de ver para as pessoas que passam por nós nos aeroportos. Não estamos atentos para números tão alarmantes e que provavelmente nem chegam perto da realidade, porque é um crime silencioso, que envolve cárcere privado, vergonha, medo, etc...

O portal Brasil tem divulgado o número 180 que funciona em vários países para receber denúncias de crimes contra a mulher, um serviço disponibilizado 24h para todos que tenham qualquer tipo de informação sobre um possível caso de exploração ou mesmo que desconfiem terem presenciado qualquer conduta imprópria que possa estar relacionada ao tráfico de pessoas.

É muito pouco. E depois da denúncia? Como reinserir esta mulher na sociedade garantindo a sua segurança? Como evitar que outras passem pela mesma situação? O Tráfico de pessoas, como a pedofilia, só podem ser erradicados com uma conscientização cada vez maior da população sobre os riscos a que todos estamos expostos, sobre como devemos estar atentos no nosso dia-a-dia, levando informação na tentativa de uma prevenção que tem que partir de dentro de casa.

O livro me fez pensar sobre quantas vezes eu mesma poderia estar exposta a esse risco, o quanto eu menosprezo uma coisa tão importante, minha liberdade de trabalhar e viver como bem entender, criar meus filhos, estar com eles, educá-los para não acharem esse tipo de coisa normal.

Há algo de muito errado num mundo em que pessoas ainda são vendidas, mas há algo mais errado ainda na sensação de que isso é só um dado estatístico e de que não há mais nada a fazer.

Esse livro dá vontade de fazer alguma coisa, saber mais sobre isso, buscar um meio de parar essa engrenagem. 

Bom, tomara que essa vontade contagie muitos leitores! O livro merece ser lido e comentado!