quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Só Jesus!

Gente,

   A maternidade pode ser a melhor coisa do mundo, mas quem inventou aquele lance de padecer no paraíso devia estar no último trimestre da gestação! Foi só virar o cabo do sexto mês e toda minha esperança de ter uma boa noite de sono foi ficando cada vez mais distante da realidade. Resultado: durante o dia fico morta de cansada, de péssimo humor e doida para comer um chocolate! Tudo isso tem tornado as leituras mais esporádicas e este blog negligenciado... bateu até um sentimento de culpa, afinal também sou muito maternal em relação a ele! 
   Bem, por conta de uma semana complicadinha em que não consegui nem ir ao estudo do evangelho de quinta-feira (o que me faz muita falta!), acabei escolhendo uma leitura com efeito pra lá de calmante: o livro  "Jesus no Lar", obra psicografada pelo médium Chico Xavier e ditada pelo espírito Neio Lúcio, editada pela Feb (Federação Espírita Brasileira). 
   É um livro de fácil leitura porque foi ditado em vários tópicos, com mensagens sobre temas variados, portanto, quem lê aos poucos (como eu atualmente) pode escolher uma página por semana sem perder o fio da meada. Ele apresenta lições passadas por Jesus aos apóstolos durante as famosas reuniões noturnas na casa de Pedro. Como os ensinamentos partem de questionamentos dos próprios apóstolos, a maioria deles tem tudo a ver com as dificuldades de "gente como a gente"na prática de princípios cristãos no seu cotidiano, como a caridade, o amor ao próximo, a compaixão, etc...
   Eu me identifiquei muito com várias páginas e recomendo fortemente a leitura do livro, principalmente, pela paz que ele traz ao ambiente quando lido em voz alta. Quando terminei de ler hoje a última mensagem fiquei especialmente emocionada com uma oração que vem descrita como a última feita por Jesus antes de partir, encerrando aquele período de reuniões edificantes na casa do pescador. 
   Para provar que não é coisa de grávida que se emociona a toa, vale a pena transcrever a página 211:

"Pai, 
Acende a tua Divina Luz em torno de todos aqueles que te olvidaram a bênção nas sombras da caminhada terrestre. Ampara os que se esqueceram de repartir o pão que lhes sobra na mesa farta. Ajuda aos que não se envergonham de ostentar felicidade ao lado da miséria e do infortúnio. Socorre os que se não lembram de agradecer aos benfeitores. Compadece-te daqueles que dormiram nos pesadelos do vício, transmitindo herança dolorosa aos que iniciam a jornada humana. Levanta os que olvidaram a obrigação de serviço ao próximo. Apieda-te do sábio que ocultou a inteligência entre as quatro paredes do paraíso doméstico. Desperta os que sonham com o domínio do mundo, desconhecendo que a existência na carne é simples minuto entre o berço e o túmulo, à frente da Eternidade. Ergue os que caíram vencidos pelo excesso de conforto material. Corrige os que espalham a tristeza e o pessimismo entre os semelhantes. Perdoa aos que recusaram a oportunidade de pacificação e marcham disseminando a revolta e a indisciplina. Intervém a favor de todos os que se acreditam detentores de fantasioso poder e supõem loucamente absorver-te o juízo, condenando os próprios irmãos. Acorda as almas distraídas que envenenam o caminho dos outros com a agressão espiritual dos gestos intempestivos. Estende paternas mãos a todos os que olvidaram a sentença de morte renovadora da vida que a tua lei lhes gravou no corpo precário. Esclarece os que se perderam nas trevas do ódio e da vingança, da ambição transviada e da impiedade fria, que se acreditam poderosos e livres, quando não passam de escravos, dignos de compaixão, diante de teus sublimes desígnios. Eles todos, Pai, são delinquentes que escapam aos Tribunais da Terra, mas estão assinalados por tua justiça soberana e perfeita, por delitos de esquecimentos, perante o infinito bem".

   A mim só resta o "que assim seja..." já que estou sempre cometendo esses "delitos do esquecimento"!

   Boas leituras!

 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Genética: muita coisa a se pensar...

   A gravidez está me fazendo repensar uma série de temas que já estavam meio consolidados em mim: minha noção de independência (nunca pensei que fosse precisar tanto da minha mãe outra vez, mas a verdade é que me sinto muito mais tranquila com ela bem aqui ao lado!), minha capacidade de relativizar os problemas, redimensionar as preocupações com o futuro e priorizar o presente, enfim, surge uma nova forma de pensar a vida. 
    É aí que entra a genética...
   Eu nunca tinha parado para pensar na influência dela na minha vida, quanto mais na vida de quem ainda nem nasceu. Ocorre que as pessoas começam a te questionar o tempo todo sobre ela: "será que serão gêmeos? Tomara que tenha os olhos do pai, na sua família tem alguém com olhos claros? Será menino ou menina? Sabia que um moderno exame de sangue pode identificar o sexo com apenas algumas semanas de gestação? Já ouviu falar de diagnóstico pré-natal? Vai congelar o sangue do cordão umbilical?"
   E foi assim que comecei a pensar sobre a importância dos exames que estou fazendo hoje para o amanhã da nossa família... mas confesso que faço só os exames recomendados pelo médico, sem nenhuma neurose para antecipar qualquer notícia sobre as características do bebê que, agora, já sei que é um meninão!
   Na verdade, a questão que me parece mais relevante no momento diz respeito ao armazenamento em bancos privados das células tronco contidas no sangue do cordão umbilical. As propagandas no consultório do obstetra querem fazer deste armazenamento uma prova de amor, os amigos que contrataram o serviço também passam a idéia de que a saúde de um filho não tem preço, por isso fica aquela carga emocional nos impelindo a pagar o que for sem nem pensar no assunto. Esse também foi meu primeiro impulso, mas por um acaso da vida acabei esbarrando num livro que me fez pensar um pouco mais sobre o tema. Esta semana terminei de ler "Genética: escolhas que nossos avós não faziam", da Mayana Zatz, publicado este ano pela editora Globo. 
   A autora dispensa apresentações, é uma pesquisadora da USP e colunista da VEJA, cujo trabalho ganhou notoriedade pela constante divulgação na mídia, tornando-a respeitada por todos, inclusive, leitores leigos no assunto, como eu...
   Entre muitas questões éticas trazidas pelas recentes pesquisas no campo da genética, o livro destaca a importância de olhar para estes dilemas científicos do ponto de vista do ser humano, pensando que vantagem um resultado de exame de DNA pode trazer para a sua vida, inclusive, em família. Achei super interessante a noção de aconselhamento genético como a pesquisa que pode ser feita para que uma mulher planeje a sua vida reprodutiva para evitar transmitir à sua prole uma doença recorrente na família, verificando se carrega ou não os genes responsáveis pelo seu desenvolvimento. Ao mesmo tempo, se a mulher em questão já está em estágio avançado de gravidez, a autora destaca que é preciso comunicar o resultado do exame de uma forma positiva, ressaltando a probabilidade desta característica não ser transmitida ao filho. É muito diferente ouvir que um filho tem 25% de chance de ter uma doença ou que este tem 75% de chance de ser perfeitamente saudável, cabe ao profissional ter a sensibilidade de perceber a diferença que essa notícia pode fazer para a vida da mãe.
   As minhas dúvidas foram sanadas no capítulo 10: "Bancos de cordão umbilical para todos ou só para você?", cujo teor demonstra a importância da doação do cordão a bancos públicos que podem utiliza-lo agora, para a pesquisa ou tratamento de pessoas que estão doentes neste momento. O armazenamento em bancos privados de algo que poderá jamais ser utilizado pelo seu titular não seria o cúmulo do egoísmo? Além disso, mesmo que o titular desenvolva alguma doença e pretenda utilizar as células armazenadas, a verdade é que hoje elas só poderiam ser utilizadas nos mesmos casos em que se realiza o transplante de medula óssea. Não há nenhum tratamento que possa ser feito exclusivamente com células-tronco. 
   A autora chega a afirmar que "guardar o sangue do cordão do bebê em laboratórios particulares é praticamente inútil". Primeiro, porque a maioria dos tratamentos de leucemia e linfomas se resume a quimioterapia, sem necessidade de transplante, segundo, porque nem seria recomendável o tratamento com o sangue da própria pessoa, cujo material genético já possui a predisposição para a doença. 
   Por fim, alguns dados internacionais merecem ser destacados: "Em 2004, o comitê de ética europeu declarou desnecessário o armazenamento do cordão umbilical dos filhos para uso próprio. A França proibiu bancos privados de cordão umbilical por considerá-los improdutivos. A Itália e a Bélgica tomaram a mesma decisão." 
   No Brasil, como já mencionado, o apelo emocional desta prática é tão grande que, ao que tudo indica, ela só deve crescer, virou um negócio da china! 
   Essa leitura me ajudou muito, porque me situou no debate que, até então, eu nem conhecia, mas acima de tudo, acho que contribuiu para que a minha decisão seja melhor informada, mais consciente do que eu realmente estou fazendo de bom por alguém.
     Vale a pena conferir este e outros temas muito polêmicos (adoro!) abordados neste livro.
   Em se tratando da possibilidade de escolha de genes, a fim de que o filho possua características desejadas pelos pais, a autora faz menção ao texto de Khalil Gibran que merece ser transcrito aqui também:

"Seus filhos não são seus filhos. São os filhos e filhas da vida desejando a si mesma. Eles vêm através de vocês, mas não de vocês. E, embora estejam com vocês, não lhes pertencem. Vocês podem lhes dar amor, mas não seus pensamentos, pois eles têm seus próprios pensamentos. Vocês podem lutar para ser como eles, mas não procurem torná-los iguais a vocês. Vocês são o arco de seus filhos são lançados como flechas vivas".



    Fica a dica para uma boa leitura!
    Bjs!!

  


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

História de amor: Pedro e Inês!




Livros sobre história são sempre um grande barato. Quem não se surpreende e se diverte lendo as curiosidades e fatos narrados no livro “1808”, por exemplo? Esse tinha sido o último que li deste gênero antes da viagem, até porque por aqui livros sobre o tema história do Brasil demoram a emplacar, pelo menos esta é a minha primeira impressão. De qualquer modo, chegando no Porto, para um merecido descanso antes de voltar ao Brasil, claro que minha primeira preocupação foi visitar a minha livraria favorita logo ali no centro histórico: Livraria Lello, inaugurada em 1906, tida como a terceira mais bonita da Europa, dizem por lá! Quem quiser sentir-se dentro dela pode visitar este site, com imagens 360°.


Bem, o fato é que essa livraria é o melhor lugar do mundo para se descobrir um livro sobre a história de Portugal, até porque ela faz questão de fazer parte dessa história! Foi lá que encontrei um livro super legal que faz uma análise bem bacana do episódio inesiano da obra de Camões, “Os Lusíadas”. Diga-se de passagem que eu bem que tento ler a obra all by myself, mas em alguns pontos confesso que o vocabulário rebuscado e truncado do séc. XV me derrotam na empreitada... Esse livro vem bem a calhar para quem, como eu, curte muitos trechos da obra de Camões, mas tem certa dificuldade em compreender todo seu sentido. Este episódio tem um apelo especial para mim poque trata da história do herdeiro ao trono de Portugal (D. Pedro I – que não é o que conhecemos por aqui, este seria o D. Pedro IV por lá!) que se apaixona por uma dama de companhia da esposa, chamada Inês de Castro. O casal causou tanto escândalo na corte portuguesa do séc. XIV que o pai de D. Pedro I, Rei Afonso IV, a expulsa de Portugal e, por fim, ordena sua morte. Diz a lenda que D. Pedro I, quando tornou-se Rei, anunciou o casamento secreto com Inês, tornando-a Rainha depois de morta, legitimando sua prole de 3 filhos.

Claro, sendo a romântica incurável que sou, fiquei encantada com a história de uma paixão tão intensa! O povo português adora contar causos sobre as personagens e o fato de envolver a realeza só torna tudo mais empolgante!!

Em Coimbra, onde o casal passou alguns anos vivendo seu amor longe da corte, hoje há um hotel de luxo, a Quinta das Lágrimas, exatamente no local em que viveram. Lá, é possível visitar a fonte que brotou das lágrimas de Inês, morta por ordem do Rei, quando o Princípe estava caçando.



Vale a pena se hospedar por um ou dois dias, só para sentir-se parte desta história!

A igreja de Alcobaça guarda os jazigos de Pedro e Inês, a pedido do Rei, um de frente para o outro, para que, no despertar da eternidade, um fosse a primeira visão do outro. Também rende uma visita muito bacana!



O livro traz o episódio de camões original e, na página ao lado, o mesmo texto parafraseado por Jorge Tavares, de modo que o sentido do texto fica bem mais claro no português de nossos dias, mas sem perdermos o encanto dos versos originais. Achei muito boa a introdução histórica, narrando todos os envolvidos e abordando sua relação com os protagonistas deste drama. Mesmo quem nunca ouviu falar da tragédia, a partir desta breve introdução, consegue captar a emoção por trás de cada verso! Vale a pena a leitura!

Fica a dica: “Linda Inês: O Episódio Inesiano em Os Lusíadas de Luís de Camões”, Introdução e Paráfrase de Jorge Tavares, da Mel Editores.


Boa leitura!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Lendo pelo caminho a fora!

Ufa! Faz tempo que eu não escrevo nada por aqui...mas foi por uma boa razão! Estive andando pelo caminho de Santiago, na Espanha, durante minhas merecidas férias! Eis que pela estrada a fora, fui me descobrindo em estado interessante e na volta: Surpresa!!! Gravidez confirmadíssima pelas imagens lindinhas de meu filhote na tela da ultrassonografia! Até nisso o caminho me ajudou: eu antes tāo insegura quanto ao momento ideal, quanto às condições ideais, voltei mais segura de que nada é por acaso e que o agora é sempre o melhor momento quando a vontade torna-se irresistível. Ao longo de minhas aventuras em busca do meu "eu interior", acabei por descobrir que, na verdade, no meu interior já crescia um outro "eu"...muito menos complexo, muito mais concreto, muito mais fácil de amar! Esse tempo era o que eu precisava para elaborar minha versão mãe que, ao contrário do mito divulgado pela mídia em geral, não veio pronta e acabada, impressa em minha personalidade feminina. Durante muito tempo nem soube se queria ou se seria um dia a mãezona de comercial de margarina e achava uma grande bobagem esse lance de mulher que "nasce pra ser mãe". Foi quando me peguei comendo fruta o dia inteiro, eliminando o café, me preocupando em beber mais água, me preocupando se o sol estava muito forte, que percebi o quanto queria ser mãe. Quando finalmente cheguei à Catedral de Santiago, dos muitos pedidos que carreguei na bagagem, por inúmeros kms, entreguei mesmo só os alheios, aqueles que outras pessoas me encarregaram de levar ao Santo, de mim ele ouviu um único agradecimento pelo presente que sabia que já tinha recebido. 
Bem, além dessa maravilhosa surpresa, o caminho trouxe também muitas leituras inesperadas que hoje compartilho aqui. Digo inesperadas porque, sinceramente, depois do primeiro dia de caminhada vi que seria impossível carregar um livro, por menor que fosse, já que mal aguentava minha mochila média, nem era das maiores! Fiquei até meio triste por abrir mão deste prazer durante tanto tempo...confesso que saí daqui acalentando a vontade de descobrir um ótimo pocket book que eu pudesse ir lendo...mas não deu! É aí que entra o Universo conspirando a meu favor! Sabendo de minha frustração, Deus me enviava um verso aqui, um salmo ali, uma banca de revistas acolá, e pasme: até meu clássico favorito esbarrou comigo em um albergue no meio do nada: "E o Vento Levou..." Não resisti e li o capítulo em que Rhett Butler  deixa Scarlet O'Hara no meio do nada, para seguir o exército praticamente derrotado das tropas do sul durante a Guerra de secessão, não sem antes dar-lhe um beijo daqueles, um dos meus favoritos, inclusive, no cinema! O engraçado é que o livro foi abandonado por algum peregrino italiano, então, o que eu não entendia, imaginava, tentando lembrar da versão original... coisas da vida! Perfeiçāo não dava, né?!
Destaco as passagens lidas em dois momentos muito críticos desta viagem: o primeiro na chegada ao albergue de Burgos, quando me debatia com o sentimento de culpa por ter que pular um trecho da caminhada até Leon, por motivos de cansaço extremo e pelas dificuldades desta etapa, para a qual nāo me sentia apta. 



Mais tarde, depois de encarar uma dura subida ao Cebreiro, fui recompensada por uma passagem da bíblia que estava aberta bem em frente ao banco em que me ajoelhei para rezar na Igreja. 


Destaco apenas essas duas passagens porque de todas foram as mais significativas, por praticamente responderem meus questionamentos e dúvidas no momento em que chegaram a mim, mas quantas vezes nos deparamos com pequenos sinais, verdadeiros recados a nós endereçados, que teimamos em não receber... Que seja a alegria da chegada nossa eterna companheira, a nos motivar sempre a continuar andando, que seja essa alegria a transparecer em nosso semblante, por verdadeiro sentimento emanado de nossos corações, que somente palavras inspiradas por esta alegria de viver sejam proferidas por cada um de nós... para mim, a felicidade só se constrói assim, encarando cada mudança com a alegria da chegada!


Seja bem vindo, meu (minha) filho (a). Sua chegada é minha alegria!


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Fora de mim!

Fora de mim, de Martha Medeiros, relata de maneira reflexiva e bucólica um dos momentos mais temidos pela classe feminina: ser trocada por uma mulher, que a primeira vista, julga-se mais bonita e intelectualmente mais interessante que você. Antes fosse apenas o término de um relacionamento qualquer. Era, na verdade, o fim de uma relação que não deveria ter sido. 
O livro me fez refletir sobre os porquês de pessoas tão opostas, tão antagônicas, se manterem presas em relações fadadas ao insucesso. Porque cargas d água as pessoas insistem em manter um relacionamento fracassado? Se soubéssemos os reais motivos as estantes de auto-ajuda não estariam abarrotadas de livros voltados às problemáticas da vida amorosa. 
Será puro masoquismo? Preguiça de recomeçar? Medo de retomar uma vida “solitária”? Angústia de se imaginar mais uma vez “disponível”? Medo de não “pertencer” a alguém? Medo de não ter pra quem telefonar no fim do dia e contar todos os detalhes da sua rotina, desde o que comeu no almoço ... até o sapo que teve que engolir no trabalho? Medo de não ter por quem e para quem se arrumar? Medo de não construir a família do comercial de margarina (com direito a cachorro, filhos lindos e felizes, marido prestativo e sorridente) e terminar seus dias como titia?? (nada contra, vou adorar ser titia!!! ;-p) Medo de não se encaixar nos ditos padrões normais, em que uma mulher bonita, bem sucedida, já de meia idade, se não estiver em um relacionamento sério possui, de certo, alguma doença altamente contagiosa ou fatalmente algum distúrbio em sua psique. 
Medos, angústias, inquietações intermináveis. Inúmeras são as hipóteses para tentar justificar o injustificável: anular-se por um outro,  que, provavelmente, não merece um décimo de você. Eu não saberia explicar porque existem ainda mulheres que se julgam incapazes de seguir sozinhas. Nascemos e morremos sozinhos. Porque nos julgar tão dependentes do outro? Porque jogar no outro a responsabilidade da nossa vontade de viver, da nossa existência? 
Acredito que a razão desta dependência esteja em um falso amor. Julgamos mal nossos sentimentos. Muitas vezes é difícil distinguir amor, paixão, costume, posse.....
Certa vez li, não lembro bem aonde, que paixão é o fogo do início de qualquer relacionamento, a famosa “química”, que lhes leva a suplicar pela chegada dos momentos em que vocês dois estarão juntos novamente. Amor, se for o caso, é o que resta após o cessar da paixão, e enquanto este perdurar manterá vivo o relacionamento. Amor é o sentimento de querer bem, querer ser para o outro tudo de melhor que você pode ser, dar e receber nas mesmas proporções, querer cuidar e ser cuidado. Dizendo metaforicamente: é a calmaria depois da tempestade. É aceitar o outro como ele é, reconhecendo suas imperfeições e sabendo que suas qualidades subestimam seus defeitos. Mas sabe aquele verso de Vinicius de Moraes “seja eterno enquanto dure”? E como já dizia Cássia Eller “o pra sempre... sempre acaba”. (Acho, modéstia a parte, que sempre é exagero, há amores que podem, sim, durar pra sempre....porque não?....sabe lá....) Mas, quando o amor acaba e fica apenas o hábito, o costume e a pessoa não se move porque simplesmente não “sabe” mais viver sem o companheiro (que, a essa altura, não se pode mais chamar de companheiro), é aí que mora o perigo.
Ou, pior ainda, quando o que julgava ser amor era, catastroficamente, posse doentia. Imagina-se ser dono do outro, possuidor do seu corpo e do seu amor. Aí me lembro do título de um livro da Zíbia Gaspareto, com o qual meu cunhado adora brincar, “ninguém é de ninguém”. Não somos possuidores de nada nesta vida, nem de nós mesmos, que dirá do outro. Amar é um sentimento, que, por sua pureza, nos leva à libertação. Somos livres e quando amamos de verdade alguém, ficaremos com ele apesar de todas as tentações mundanas e o respeitaremos e caminharemos lado a lado unidos até o que “a morte nos separe” (sabemos que não separa coisa nenhuma...a morte não existe, mas isso não vem ao caso agora). Ao passo que se há amor não adianta levar a diante uma relação sem futuro, sem respeito......respeito por si mesmo principalmente. Mas muitas pessoas levam sim a diante.....porque se julgam donas do outro! Estão atreladas a um sentimento quase obsessivo e confundindo-o com amor. Isso porque fica se imaginando sem a risada do outro, que antes era dela e agora é de outra, o beijo que também era dela e agora pertence à outra, os olhos dele agora desejam outra, ou outras...vai saber..., e assim por diante. Esses pensamentos extremamente “martirizantes” a que se submete uma mulher que acabou de ser trocada é capaz de enlouquecer qualquer pessoa sã...credo!!
É evidente que no fim de qualquer relacionamento, e quem já passou por isso sabe bem (mesmo que tenha sido um namoro colegial sem importância ou um casamento nas vésperas de completar bodas de prata), passa-se por etapas do fim. E são estas etapas que o livro retrata de forma fidedigna. No primeiro capítulo, parece que vivenciamos pela personagem toda a dor do término. A fase dos choros intermináveis, da depressão profunda, vontade de se enfiar num buraco e nunca mais ser achada, sente-se a pessoa mais feia e infeliz do universo, come-se tudo o que se vê pela frente... e como a própria personagem narra: todos os carros se parecem com o do “filho da mãe”, todos os pedestres se parecem com ele (um perigo para o trânsito), e se verde fosse sua cor predileta nunca mais você poderia ver esta cor em qualquer objeto sem se lembrar do dito cujo.
Pois bem, no segundo capítulo, a personagem nos esclarece e nos faz entender porque este relacionamento nunca deveria ter sido. Fornece-nos todos os dados da incompatibilidade entre eles. Já no terceiro capítulo ela nos convida para assistir às etapas finais da crise existencial. Momento em que se entende porque não deu certo, não tinha mesmo como dar, como ela desperta novamente para a vida, mesmo sentido falta, saudade, mesmo achando estranho saber que um dia essa pessoa foi tão próxima dela e hoje é a mais distante (isso é mega estranho mesmooo!!hehehe). Mesmo sentindo medo de se entregar de novo para outras relações, ela vai se libertando do fantasma do “falecido”(adorooooo esse termo...ahahahha). 
E, por fim, logo ela que acreditava cegamente no amor único, sublime e eterno, nos confidencia que somos sim capazes de viver muitos amores em uma só vida: 
“(...), nem passava pela minha cabeça que fosse possível amar vários durante uma vida. Eu acreditava no amor único e indissolúvel. Inclusive achava muito transgressora aquela história de “até que a morte nos separe”: nem a morte poderia terminar com um amor verdadeiro.” 
“(...) o amor termina apenas para aquele que morre: quem sobrevive dedica-se a um breve luto e depois volta pra vida – e voltar pra vida quase sempre significa voltar a amar. Sendo assim, aos poucos fui relaxando e aprendendo que somos aptos a amar muitas vezes, de formas diferentes.”
“Não consigo imaginar nada mais satisfatório do que amar, e mesmo não sabendo o que o amor significa, sei o que representa. É o que nos faz, no meio de uma multidão, destacar alguém que se torna essencial para nosso bem estar, e o nosso para o dele. É receber uma atenção exclusiva e ofertá-la na mesma medida. Ter uma intimidade milagrosa com a alma de alguém, com o corpo de alguém, e abrir-se para essa mesma pessoa de um jeito que não se conseguiria jamais abriria para si mesma, porque só o outro é que tem a chave desse cofre. O amor é uma subversão, e seu vigor nunca será encontrado em amizades e parentescos.  Todas as palavras já foram usadas para defini-lo: magia, surpresa, visceralidade, entrega, completude, requinte, deslumbre, sorte, conforto, poesia, aposta, amasso, gozo. Amar prescinde de entendimento.”
Moral da história: ame! Ame intensamente, mas queira também ser amada, ame a si própria em primeiro lugar. Não se deixe anular por uma relação falida, por uma pessoa que, mesmo sem querer, te faz sofrer mutações e aos poucos você não é capaz de reconhecer a si mesma. Pule antes do barco afundar. Grite. Peça socorro. Ou, se possível identificar, nem inicie esse tipo de relação. O que se leva da vida são os momentos, as vivências, então: sejamos felizes (segundo o carol´s way of life.....) enquanto a vida nos deixar.....Não há razão para a clausura em relacionamentos fracassados....Dê o melhor de si para que dê certo....e, se possível, para sempre...mas se não der....cada um pra um lado e dê a cada um o que lhe é de direito. 
Recomendo a leitura!!! Longe dos livros de auto-ajuda, embora possa parecer, o livro enquadra-se na espécie Romance, e eu acrescentaria uma subespécie .... é um romance-dramático. Vale a pena!

Priscilla.
(redatora interina)

Férias!!!

Gente,

Como já comentei em post anterior, estou saindo de férias! Este fim de semana embarco para Madri, onde tem início minha aventura como peregrina!! Ai, que frio na barriga!!! Realmente, muito embora eu esteja muito animada para postar tudo através do meu iPhone, não sei se vou conseguir fazer posts decentes de lá!  Conto com a providência divina para fornecer a rede Wi-fi pelo caminho...hahahahaha.

Bem, neste período, serei carinhosamente substituída pelas minhas fiéis mosqueteiras: Priscilla, minha irmã, e Rosane, mãezona! Fico tranquila porque confio meu Blog a duas pessoas que me conhecem como ninguém e de quebra arrumo uma ocupação para mantê-las quietas em casa sem se preocuparem com minhas andanças! Na minha última viagem, devidamente acompanhada pelo maridão, minha mãe ficou tão preocupada porque não liguei quando cheguei lá que começou a ligar para companhia aérea, descobriu meu hotel devassando meu e-mail e ainda reclamou com a atendente na recepção... Já pensou se ela resolve reclamar direto com o Santo?! Não duvido nada! Quando eu finalmente chegar à Catedral, ao invés do perdão aos pecados, vou receber uma intimação do Santo: pelo amor de Deus, volta logo pra casa minha filha! 

Para evitar maiores transtornos, é melhor ocupar as duas! 

Então, aí vai o primeiro post assinado pela Pris sobre o livro de Marta Medeiros!

Até a volta!!


terça-feira, 14 de junho de 2011

Transição Planetária!

 O período de transição por que o planeta está passando vem causando debates e inúmeras palestras nas casas espíritas. A palestra do Divaldo Franco em abril deste ano, aqui no Citybank hall do Rio de Janeiro, abordou o tema de forma bastante profunda, até porque foi através deste médium que foi psicografado o melhor livro que já li sobre o assunto "Transição Planetária" ditado por Manoel Philomeno de Miranda. O livro explica o cenário espiritual gerado pelo tsunami de 2004, no oceano Índico, como um instrumento necessário à limpeza fluídica pela qual o planeta precisa passar. Este livro também aborda os conflitos mundiais contemporâneos como um reflexo dos sentimentos de revolta e de cobrança arraigados na nossa bagagem histórica, gerados por momentos de matança e de perseguição, como as famosas cruzadas, por exemplo. Achei especialmente interessante o modo como foi descrito o programa de reencarnação na Terra de espíritos de estágio moral bastante elevado provenientes do planeta chamado "Alcíone", com a missão de nos impulsionar a evolução em direção ao mundo de regeneração. No entanto, mesmo tendo adorado o livro, ainda fiquei com algumas dúvidas no que diz respeito ao momento da tão falada "separação do joio do trigo". Ficava pensando: se a Terra tem que virar um planeta de regeneração e se tem gente de todo tipo por aí, como seria feita essa separação, na prática?? Foi aí que a minha amiga Bete divulgou uma trilogia psicografada por André Luiz Ruiz, ditada pelo espírito Lucius, que tem início com o livro: "Despedindo-se da Terra". Confesso que ela me falou desta obra de modo bem enfático (tipo: tem que ler porque não dá pra esperar, é agora ou nunca!) e eu fiquei até meio com medo de ler...mas foi ótimo! Primeiro, porque é um romance, o que já torna tudo muito mais fácil para mim, já que adoro o gênero. Segundo, porque a narrativa é permeada de análises quanto ao comportamento dos personagens que demonstram como suas más escolhas foram ensejando um futuro diferente do que imaginavam, acarretando compromissos difíceis de serem resgatados... Essas passagens foram as mais esclarecedoras para mim, porque as escolhas deles são muitas vezes aquelas com que nós mesmos nos deparamos. O enredo tem por trama central a vida de um grupo de advogados que trabalham no mesmo escritório, obsediados coletivamente por um ex-sócio, revoltado por ter sido assassinado. Em diversas ocasiões percebe-se que entre encarnados e desencarnados, no fundo, sempre há uma opção a ser feita: esforçar-se para merecer um mundo novo ou manter-se na posição mais cômoda, arraigados ao que ainda nos torna tão primitivos, como o orgulho, o egoísmo, a prepotência, a intolerância... Na verdade, acho que só agora estou começando a entender que a separação entre quem fica e quem parte está acontecendo o tempo todo, na medida em que cada um escolhe dar um passo na direção certa ou simplesmente ficar para trás. A Bete tem razão, o momento é de reflexão e de despertar para aquilo que nos faz melhores. Afinal, "ninguém pode voltar no tempo e fazer um novo começo, mas todos podem recomeçar e fazer um novo final" (Chico Xavier).

Assim, já fica aqui a dica de dois bons livros para quem se interessar pelo tema! Agora começo a ler o segundo da trilogia: "Esculpindo o próprio destino"! Quando terminar comento aqui!