quarta-feira, 10 de junho de 2020

Maternidade real

      Eu já tinha tido contato com o trabalho da Tati Bernardi pelas colunas que ela escreve e no livro "Depois a louca sou eu" que li um pouco para entender o drama de uma amiga muito próxima e também por perceber que as fobias e os medos são o grande desafio da nossa época.
     Acho o trabalho dela de uma sinceridade e de uma leveza muito gostosa, principalmente, para tratar de assuntos que todo mundo acha tão pesados, como a síndrome do pânico. 
Quando vi que ela tinha lançado um livro sobre maternidade fiquei doida pra ler.
      Na semana passada me inscrevi em um curso de escrita criativa e ela falou muito sobre o livro sobre um gênero que eu não entendia muito bem como funcionava: a autoficção.
       Eu tenho intimidade com as autobiografias, aliás, que já comentei aqui: adoro! 
      Causou estranheza quando ouvi que o livro não era autobiográfico, mas sim uma autoficção que seria um gênero apenas inspirado na própria experiência mas com vários elementos de ficção que não refletem necessariamente a realidade da vida de uma pessoa.
    Só lendo o livro entendi bem o que era isso, porque ao mesmo tempo que ele passa muitas situações que só podem vir de uma experiência muito pessoal, sobre a condição feminina durante a gestação, tem uma personagem ali com um nome próprio, uma existência distinta que cria muito espaço para a ficção.
       Adorei conhecer essa forma de escrita e entender melhor como ela se processa.
      O curso de escrita criativa da Tati Bernardi vale cada centavo, é muito instigante ouvir ela falando sobre o processo de criação dela, dando referências sobre esse estilo...estou com material para pesquisar o resto do ano depois dessa aula de duas horas com ela.
     Bom, mas aí a primeira coisa que peguei pra ler depois do curso foi o livro "você nunca mais vai ficar sozinha", editado pela Companhia das Letras.
     É muito bom ler alguém narrando a experiência da gravidez fora do padrão idealizado que a mídia faz questão de exibir. É fundamental falar que não é desse jeito pra todo mundo (sinceramente não acredito que seja para ninguém...mas essa é só minha opinião). É urgente falar sobre a dificuldade dessa transição da posição de filha, da qual não queremos desapegar, para de mãe, que vem cheia dos paradigmas trazidos pela principal ocupante dessa função até então: a nossa mãe.
     Não ajuda em nada quem diz que essa é a "melhor etapa da vida de uma mulher", que vc "precisa aproveitar pra dormir agora", que "vai sentir saudade de quando ficava o tempo todo pertinho dele". 
    E quanto antes a gente se der conta de que tudo bem não dar conta de todos os sentimentos, dúvidas, frustrações, que isso não significa que não estamos felizes, que ainda há espaço pra amor e felicidade nesse turbilhão, melhor pra gente.
     Há um milhão de coisas maravilhosas na maternidade, mas há também prematuridade, imprevistos durante o parto, dificuldade em amamentar, falta de tempo pra gente, saudade da vida como ela era, um sentimento de dependência, um não querer se separar dele, mas ao mesmo tempo precisar ter o corpo de volta pra si...há muito mais que o ensaio fotográfico (e by the way, minhas melhores fotos de grávida foram tiradas pelo meu marido ou pela minha mãe).
     Eu acho que quanto mais se falar em maternidade real melhor, menos frustrante para as próximas gerações, mais normal ela se torna.
     O livro tem esse enfoque na gravidez, faz a gente lembrar da nossa própria experiência, do nosso próprio referencial de maternidade. 
     No que diz respeito à relação com a mãe, embora minha experiência seja totalmente diferente, também foi bom refletir o quanto dela há na minha maternidade, porque é difícil separar mesmo...a gente tem aquela imagem maravilhosa do que foi a nossa mãe e isso cria duas coisas difíceis: ser uma mãe como ela e julgar as outras mães por ela, o que não é justo com ninguém.
     A minha mãe era perfeita, dedicação exclusiva, focada na minha felicidade, sempre de braços abertos para mim, se anulando por mim e pelas minhas irmãs a vida toda. Tudo que eu achava que precisaria fazer pra ser a boa mãe e tudo que eu cobrava das mães ao redor do mundo.
Enquanto o paradigma fosse ela, eu nunca seria uma boa mãe.
     Até que eu entendi que eu tinha uma vida muito diferente. Eu não seria ela, mas ainda seria a melhor mãe do meu mundo, se conseguisse descobrir uma nova versão. A mãe que eu, Caroline, poderia ser: trabalhando no que eu adoro, estudando, tendo tempo para me cuidar, delegando as responsabilidades que cabiam ao pai também, contratando a ajuda necessária, fazendo muitas escolhas diferentes, mas com ela ao meu lado. Muitas vezes o comentário dela soava como uma crítica (como quando fui fazer um curso de sábado inteiro na licença maternidade), mas eu decidi ouvir como mera opinião. Só em saber que ela estava ali, já sabia que poderia me aventurar na minha maternidade, poderia escolher o que quisesse, se nada mais desse certo ela estava ali comigo. Quando a presença dela era só aconchego e paz, o que mais poderia dar errado? 
     Encontramos uma nova maneira de nos relacionar, menos perfeita e mais cúmplice, mais próximas do que nunca, porque afinal tornar-se mãe é compreender os perrengues que ela passou e vc nunca percebeu.
     Não é fácil para ninguém, mas quem consegue elaborar a relação com a mãe, sem dúvida parte para a maternidade com a generosidade necessária para não julgar nunca mais mãe nenhuma. 

Obs: Hoje o Miguel tem oito anos e o Thiago 5, a gente vive se deparando com um ou outro desafio pelo caminho (como essa pandemia, aliás) e eles falam mesmo tudo que pensam...inclusive se mudam pra casa da vó de vez em quando no sábado e voltam só no domingo, agora eles são o espelho em que me miro como mãe...mas aí já um papo pra outro post.



Para entender Brasil!

     Há momentos na vida que a realidade nos parece tão incompreensível que o melhor a fazer é admitir que não estamos acompanhando o grupo, como no WhatsApp, e parar para procurar a informação. O Brasil me fez admitir que eu tenho uma limitação realmente, eu não consigo acompanhar a rapidez com que as coisas vão degringolando...
       Eu acredito na democracia, então, ganhe quem ganhe nas eleições, eu rezo pra dar certo e peço a Deus que ilumine nossas vidas pelos próximos 4 anos.
       Não sou petista roxa, não sou bolsominion.
     Eu sou aquela que votou um dia no PT, ficou decepcionada durante o governo Dilma, votou na Marina, que nunca ganha, mas tudo bem...votou em branco porque achava o segundo turno uma tristeza entre o ruim e o pior ainda.
      Para minha surpresa ganhou o pior ainda e, agora, sou aquela que conta os dias para a próxima eleição, na fé de que teremos melhores opções. Mas seja lá onde vc se situe nessa vida, se tem alguma coisa em comum comigo é que nós podemos buscar informação, podemos crescer com tudo que estamos vivenciando. Passar por essa experiência coletiva de fragilidade da democracia, nos irmanou na tarefa de sermos melhores eleitores no futuro.
       A única coisa que pode nos tirar dessa situação difícil é a informação.
       Eu sigo buscando sempre.
    Nessa busca, comprei um livro no início do ano passado que só terminei de ler agora na quarentena.
     O "Elite do Atraso" do Jessé Souza, da editora Leda, é um livro fácil de ler, até porque os acontecimentos mais recentes estão frescos na memórias, as notícias, as investigações da lava-jato citadas, tudo ainda em desenvolvimento...é como se a gente fosse ligando os pontos ao longo da leitura.
        Conforme fui avançando fui pensando que era um livro pra entender o Brasil mesmo, mas quase tão didático quanto um desenho. Não dava para ser mais claro.
Não concordo com tudo literalmente, especialmente, no que toca aos eleitores da Marina, rsrsrs...mas grande parte do livro traduz em palavras uma sensação que eu tinha e não sabia explicar: a de que precisamos falar dos nossos preconceitos, identificar nosso passado escravocrata e como ele ainda nos define, como sociedade.
          Não falamos o suficiente sobre isso.
       Esse livro deixou muito claro para mim que o problema não é simplesmente a corrupção. É muito mais que isso. É a naturalidade com que a desigualdade continua nos arrastando para uma realidade triste de exclusão, de desvalorização de toda uma camada da população. 
Eu me vi naquela classe média retratada ali no livro, a gente vai vivendo e não se dá conta do quanto contribui para as coisas permanecerem como estão há séculos...ignoramos no nosso dia a dia o quão pior a vida está para um monte de gente. 
         Gente que passa pela gente, gente que entra na nossa casa, gente de quem a gente gosta muito.
         Há que se pensar na redução das desigualdades em qualquer governo.
        Isso tem que ser pauta de todo mundo, porque não é possível pensar num futuro do Brasil sem um ponto de partida equânime, um mínimo existencial para todos. Incluir as pessoas é dar a todos o básico de qualidade, os instrumentos que a tornem capaz de ser o que quiser. 
         É preciso reconhecer que todos são passíveis de erro, mas um governo não se avalia só pelo que fez de ruim, é preciso reconhecer as iniciativas de inclusão social e amplia-las cada vez mais, independentemente de onde partiram. 
       Esta crise mundial gerada pela pandemia provavelmente só vai agravar essas desigualdades e nesses momentos é o Estado que tem que garantir o mínimo, ele tem que se fazer presente para os mais vulneráveis, apoiar os pequenos empreendedores, o setor dos serviços...
         Neste momento em que se reclama tanto do tamanho do Estado, das despesas com funcionários públicos, o que vejo é a importância destes funcionários para a nossa própria sobrevivência. Viva o SUS e os servidores que o integram. Vida longa a todos os serviços públicos que continuam funcionando online, muitos ampliando a sua capacidade de teletrabalho, como o tribunal do trabalho, tentando dar efetividade aos direitos dos trabalhadores nesse momento difícil, com tantas demissões.
Espero que isso tudo sirva pra gente refletir sobre o papel do Estado, sobre como ele é muito maior do que a corrupção de um ou outro. Ele é o instrumento para a sociedade que quisermos ser. 
         Toda crise é uma oportunidade de mudança e aprendizado.
         Vamos aprender o que precisamos, para nos tornarmos o que sonhamos.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Havaí seja aqui...HO'OPONOPONO

      Ano passado participei de uma montagem de um espetáculo da Cia Musical, onde faço aula de canto e de teatro quando consigo, aí em uma das cenas uma amiga tinha que que falar olhando para mim: "tudo vai dar certo, porque vc merece! Vc fez tanto Ho'oponopono..." e essa fala dela não saía por nada!
        Ela não conseguia falar a palavra, engasgava e a gente ria até não poder mais.
      Eu que não sou boba nem nada, já conhecia o tal ho'oponopono de uma das sessões de terapia com a Maria Tereza que tinha me apresentado a essa técnica havaiana que, na verdade, é mais um estilo de vida, muito focado no presente, na sintonia com a gratidão, que vai aos poucos apagando registros e memórias negativas associadas a crenças limitantes, por exemplo.
       Era dessas coisas que passam por você e não recebem a devida atenção.
      Até aquele momento.
     A gente custou tanto a acertar a cena, que no final das contas eu não conseguia pensar em outra coisa.
       Até porque tudo que diz respeito ao Havaí exerce em mim uma atração incrível.
     Não é à toa que esse era o o meu destino dos sonhos na adolescência, foi a primeira viagem internacional que pude escolher sozinha, minha viagem dos 15 anos, cheia de descobertas, muito mais sobre mim mesma, mas também sobre o mundo, sobre tudo que estava além da minha zona de segurança e tudo que eu ainda queria descobrir pela vida a fora.
    Eu amei aquele lugar, as pessoas, aquela sensação de que eles tinham uma filosofia de vida inteiramente diferente, em conexão com os elementos da natureza que ali nas ilhas são muito fortes, às vezes indomáveis, como um vulcão. Eles compreendem isso como uma benção e uma lição sobre o nosso tamanho no mundo, a nossa necessidade de se unir para sobreviver e respeitar algo maior que nós mesmos, tirar uma força, uma energia desses elementos que estão ali nos aproximando de Deus.
      Eu nunca esqueci a sensação de estar ali e simplesmente não pensar em mais nada olhando pro céu.
     Também a minha vida era mais simples...rsrsrs
     Não importa. Aquela é uma sensação a se cultivar.
     Eu ainda busco ela toda vez que mergulho no mar.
    Tudo isso para dizer que fui ler sobre o Ho'oponopono e, como não poderia ser diferente, tudo que li sobre essa sabedoria havaiana de cura me encantou. 
     Ela é baseada em um mantra: Sinto muito, perdão, obrigada, eu te amo.
     Que vc vai dirigir a você mesmo, ao seu Eu superior, quando uma memória ruim está atrapalhando o seu progresso, ou um acontecimento ou conflito se mostra difícil de superar, ou mesmo quando a vida apresenta um desafio que vc já conhece sabe que é uma dificuldade sua e precisa se fortalecer para conseguir transmutar alguma coisa e seguir em frente.
    Se o conflito é em um relacionamento é útil para que vc fique em paz com aquela situação, muito embora nem sempre a resolução dependa unicamente de uma das partes, com certeza emanar boas energias só pode ajudar os envolvidos.
   O que vc estará fazendo ao dizer estas frases é apenas dirigir-se a Deus ao Universo, a você mesmo, agradecendo pela oportunidade da vida, por esta situação ou memória ter sido criada, afinal, trouxe à luz algo que agora vc pode trabalhar e melhorar, mas se perdoando também e libertando aquela energia, aquele sentimento ruim que se originou daquele acontecimento, para seguir em frente, aprendendo, fazendo novas tentativas, criando relações diferentes, mandando vibrações diferentes, no padrão mental que vc deseja ter no momento presente.
   Não existe relacionamentos, famílias, amizades ou ambientes de trabalho perfeitos, o que existe, sim, por outro lado, são pessoas lidando cada uma com suas dificuldades, suas frustrações, suas alegrias, seus medos, suas conquistas e superações.
   E a gente pode o tempo todo escolher a vibe com a qual sintonizar hoje e a memória a deletar amanhã. Nesse processo de seleção, decisão e sintonia o ho'oponopono é uma ferramenta à disposição de qualquer pessoa, um estilo de vida, nada a ver com religião, por exemplo, que pode ser praticado diariamente, nem que seja apenas mentalmente, como uma oração. Seu minuto de paz diária pode render bons frutos.
    Esses são os livros que achei sobre o assunto e adorei! Um deles trata também da constelação familiar que ainda não fiz, mas já me disseram que é uma técnica terapêutica maravilhosa, mas isso é assunto pra outro post. Fica dica.






Biografia...pra ler cantarolando.

Se eu estiver lendo dois ou três livros ao mesmo tempo pode crer que um desses sobre o criado mudo será uma biografia.

Ando lendo assim como quem não quer nada a do Gilberto Gil.

Não sei o porquê, mas eu gosto até mais de ler sobre a pessoa quando ela está viva, participando do processo de relembrar a própria história. Acho biografia autorizada muito mais bacana do que as obras póstumas que relatam, na verdade, um olhar de terceiro, impressões de fora, tão mais frias e, muitas vezes, carregadas de uma visão pessoal que acaba impregnando a leitura...

Uma vez folheando uma biografia da Marilyn Monroe acabei desistindo de comprar por isso, achei que tinha uma pegada meio crítica e eu adoro ela, não quis ler mais, não queria ler a história dela com aquele viés. 

Há muitas maneiras de se contar uma história e eu sempre prefiro ouvir de quem viveu, presenciou, de alguma forma tem um envolvimento pessoal com aquele indivíduo sobre quem quero saber mais.

O Gilberto bem de perto é carregado de emoção, tem fotos do arquivo pessoal, tem declarações de amor e de amizade, tem letras sendo comentadas por quem escreveu aquilo de próprio punho e, por isso, mesmo ao ler você se sente parte daquele momento, entende muito bem o sentimento que emana daquelas composições que a gente cantou junto tantas vezes.

É muito interessante saber o que aconteceu naquele ponto da vida do cantor quando escreveu uma música que, para nós, simboliza uma etapa da nossa própria vida, nos remete a um sentimento parecido ou às vezes nada a ver com o que ele sentia naquele momento.

Não tem quem não busque a "paz"; não sofra com um momento "drão" e não decida mandar o "inferno pra longe daqui..." em certa etapa da vida!

Então, esse livro é pra vc que canta isso tudo aí com aquela voz que vem de dentro do coração, mesmo que se faça ouvir só dentro do seu chuveiro...delícia de leitura que vem com trilha sonora acoplada na memória, vai lendo e a música vai saindo do livro pra vida.

Muito bom!




terça-feira, 10 de setembro de 2019

Tua primavera!

O segundo elemento é solar,
ele ilumina o meu caminhar!
Teu riso é trilha sonora
enquanto sigo estrada à fora.

A história favorita vira brincadeira
que se repete todo dia,
porque o sonho não dá canseira
e a barriga dói de tanta zoeira...

Iluminada decisão: trazer pra roda um irmão!
Ter para quem dar a mão,
Te trazer comigo para o olho do furacão...
Sem nem saber que seria você nosso elo de união.

Meu segundo menino,
A ponta que faltava nesse quadrado,
deixa tudo de cabeça pra baixo,
de um jeito tão engraçado!

Impossível de dar bronca,
que cara mais sonsa!
Marrentinho da mamãe,
Dá cá mais um uma bitoca!

É setembro outra vez,
cresceu mais um pouco!
Comemora-se tudo outra vez,
celebrando a tua chegada,
Trazendo ao meu coração de mãe a tua primavera.

Porque até a raiva tem utilidade!

Se tem um tema que eu sempre tive certa dificuldade em lidar é a raiva. 

Primeiro, porque sempre achei que ter raiva era um sinal de atraso, uma coisa ruim mesmo.

Segundo, porque quando me bate a raiva, ela vem em forma de explosão incontrolável e, normalmente, se espalha ao meu redor.

E, por fim, porque ela tem o péssimo hábito de ficar em mim, como hóspede indesejado, incomodando...

A gente medita, né?

Tenta transcender...mas sem realmente entender de onde ela veio e a que veio, sei por experiência própria, fica difícil se despedir dela.

E a raiva mal resolvida fica ali adormecida em forma de mágoa, um peso desnecessário nessa vida já tão atribulada.

O caminho fica tão mais leve se buscamos nos compreender. Amorosamente observar: qual o aprendizado que esse sentimento veio trazer nesse momento?

Cada inconveniente ou discussão que nos desperta a raiva também pode servir de instrumento para o nosso autoconhecimento, tão necessário para nos livrarmos dela mais tarde.

É impossível não sentir raiva em nenhum momento do dia ou da vida, numa perspectiva maior, porque criamos tantas expectativas e a perfeição não é desse mundo, né? 

Lidar com as frustrações sem se abalar é o desafio máximo para qualquer pessoa.

Agora, é possível aceitar o sentimento, sentir a tal da raiva mesmo, deixar explodir e observar o que causou essa sensação para, então, fazer alguma coisa a respeito do que nos incomoda verdadeiramente.

Fazer da raiva um processo de descoberta e o início de uma grande mudança não parece tão ruim.

Até o ser humano mais pacífico do mundo, Gandhi, sentia raiva e sabia também como utilizá-la em seu proveito, como força para o progresso.

Lendo esse livro "A Virtude da Raiva" de Arun Gandhi, neto do eterno pacifista, publicado pela Sextante, resta uma conclusão maravilhosa: nem sempre a raiva é uma coisa ruim, a ser negada ou esmagada como um incômodo mosquito a perturbar a sua paz.

Se é pra sentir raiva, que seja em toda sua plenitude, aproveitando a força que vem dela para um impulso transformador daquilo que aparentemente vc nem sabia que te incomodava tanto...mas incomoda sim!

A visão de um neto rebelde e impulsivo sobre um avô pra lá de manso e pacífico que o ensina a lidar com toda a raiva de forma produtiva é um caminho para qualquer pessoa lidar com as próprias contradições, com seus próprios inconformismos, para chegar a uma versão melhor de si mesmo.

Acho, agora, que a raiva vai existir sempre e que evoluir não é sentir só alegria o tempo todo, mas saber reconhecer e transformar algo tão à flor da pele em força a ser empregada positivamente na nossa vida.

Aceitar, falar sobre ela, transformar em impulso para uma atitude diferente, são ações que podem fazer da raiva uma virtude.

Esse me pareceu um bom livro para buscar nessa semana em que a raiva parece tão intensa de qualquer ângulo que se olhe a situação...e justamente em meio a um ambiente tão transformador, como a Bienal do Livro sempre foi (e sempre será). 

É preciso um certo esforço para não simplesmente reagir, mas racionalizar o sentimento e ver como podemos fazer disso uma coisa positiva.  Embora não seja o mais fácil, é um caminho para retomar o diálogo...enquanto estamos só reagindo inflamadamente a tudo de errado que nos cerca parece que não conseguimos sair desse sentimento negativo instalado no inconsciente coletivo.

Precisamos fazer da indignação um mecanismo, um instrumento, não um limitador que nos isole e impeça de continuar se relacionando nesse mundo...

Já que não se pode viver sem sentir raiva, melhor tentar fazer dela uma aliada. #fica_a_dica


                                      




quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Conectados...e como isso pode ser bom!

Esse é o primeiro post deste ano (vergonha!)

Mas eu posso explicar o porquê.

Em 2018, eu tive um ano atribulado...desses que passam e a gente fez tudo no piloto automático, sabe? E lá pelo fim do ano decidi tudo que não queria mais e estabeleci algumas metas, como todo mundo faz, para o ano seguinte e comecei a correr atrás delas!

Tudo envolvendo o propósito de viver mais intensamente, com mais prazer, me dedicando ao trabalho que gosto de realizar, mas buscando novas oportunidades de aprendizado na carreira que escolhi, dividindo melhor o meu tempo, aproveitando com mais qualidade o tempo com os filhos, mas encontrando o tempo que precisava para mim, para ver os amigos, saber deles, me doar a quem eu admiro, com quem queria conviver mais, fazer viagens que sonhava há tempos...cuidar da minha aparência, pintar o cabelo, ouvir minha nova música favorita, enfim, fazer o que me desse vontade sem ter a menor preocupação com o olhar crítico externo.

E aí veio 2019: com trabalho em um lugar novo, totalmente diferente do que eu imaginava, tão leve que me permitiu muito mais do que pensava; veio uma amiga de infância estreitar nossos laços novamente, me levando para conhecer a dança do ventre, me curando com suas sessões de barras de acess; veio um convite por whatsapp de uma terapeuta e amiga para ir para o Egito relembrar um conhecimento adquirido lá há tantas vidas; veio uma amiga nova me falar sobre tethahealing; veio um livro me explicar o que, afinal de contas, estava acontecendo nesse ano...em que um acontecimento ia emendando no outro, como se respondessem aos meus anseios.

O livro "A Matriz Divina" do Gregg Braden foi recomendado por uma amiga, Deborah Souza, que conheci no Egito e passei a admirar e seguir no youtube. Ela tem um canal chamado Consciência Tetha que eu simplesmente adoro, com muitas boas indicações de leitura.

Eu comecei por este e não foi por acaso.


Ele respondeu tudo que eu sentia mas não estava entendendo exatamente como estava acontecendo.

Eu tinha decidido tão firmemente na minha cabeça o que eu queria que fosse diferente em 2019, que o Universo foi me atendendo das maneiras mais diferentes (às vezes totalmente diferente do que eu tinha planejado, sabe?) e eu fui topando. Eu simplesmente aceitei todos os convites que tive vontade de aceitar. Me recusei a deixar a dúvida entrar, o medo também bateu na porta várias vezes( e confesso que foi difícil) mas também nem deixei entrar. Eu fiz o que me deu vontade e tudo ao meu redor teve que se ajustar a isso (e esse tudo envolvia pais em vias de se aposentar, dois filhos pequenos, marido, casa, trabalho e todas as contas que todo mundo tem pra pagar, aquele pacotão completo!).

E o mais engraçado é que como eu estava decidindo fazer tudo com alegria, as pessoas ao meu redor também se contaminavam por esse sentimento e ficavam meio curiosas pra ver o que ia dar. Em nenhum momento eu ouvi uma palavra de desânimo, ou se disseram, eu simplesmente deletei (pode ser também...porque eu sou dessas...rsrsrs).

Aos que perguntavam: com quem as crianças vão ficar? eu respondia: Eles têm pai! 

Fim de papo.

E vida que segue! 

Lendo o livro fica fácil perceber como somos todos criadores da nossa própria realidade. Cada pensamento, cada decisão que tomamos firmemente quanto à nossa vida, quanto ao modo como vamos nos sentir em relação a alguém, como vamos nos portar em relação a uma situação, muitas vezes determina como os acontecimentos vão se desenrolar dali para frente. Se a coisa vai fluir ou empacar de vez.

Ninguém tem o poder de tirar a nossa paz, só nós mesmos. 
Ninguém tem o poder de tornar sozinho um ambiente pesado para todos, mas cada um de nós pode tornar ele mais leve.

Estamos todos conectados de alguma maneira por essa grande matriz divina que podemos ajustar, modificar, co-criar a todo momento, a maneira como nos comportamos, aquilo que emanamos para o mundo, pode mudar não apenas a nossa vida, mas contribuir para quem está a nossa volta.

Os tempos podem ser difíceis para todos, no que diz respeito ao cenário político e econômico, mas o que determina se você será pessoalmente afetado pela crise ou não, se a prosperidade e a alegria podem existir na sua casa, mesmo neste cenário coletivo, é a sua atitude diante dele. 

Libertar-se de crenças limitantes, expandir a consciência, mudar de sintonia, chame do que quiser, mas só uma reforma interior pode transformar o exterior. É preciso acreditar na vida que queremos ter, simples assim.

E quando a gente termina de ler esse livro dá uma vontade louca de perguntar: como ninguém me contou isso antes?

Bom, eu to contando pra todo mundo que eu encontro.

O Universo está aí pronto a responder à sua criação.

O que você tem pensado sobre você? sobre o seu autovalor? sobre os seus sonhos, aqueles de infância ou outros, sonhos novos? Deixe-se surpreender por eles...é tão bom! 

Aceite convites e retribua mensagens! Sinta aonde eles querem te levar! o que eles estão sinalizando?

No mínimo você pode descobrir que tinha uma vontade danada de dançar! Ou de correr! ou de cantar! 

E talvez tudo isso te torne mais leve.

Uma mãe mais leve, uma profissional mais feliz com o que faz todos os dias, uma mulher mais interessante, uma amiga mais divertida, uma irmã menos crítica.

Quem sabe? Que crença vamos modificar hoje? 

Universo, me surpreenda... que eu ADORO surpresas e 2019 ainda não acabou!







quinta-feira, 29 de março de 2018

Um propósito: fazer tudo com amor!

Tive a sorte de fazer uma sessão de fotos há uns dois anos com uma fotógrafa muito fofa, super carinhosa, com um olhar muito meio, que eu adorei. Curti tanto o trabalho dela que fui lá conferir a página no instagram e no facebook. Entre postagens de fotografia tinha uma linda mensagem falando sobre o movimento do amor livre ou awaken love.
Foi desta forma que eu conheci o Sri Prem Baba: um líder espiritual que buscou na psicoterapia e nos princípios do hinduísmo, as bases para o movimento Awaken Love, com o propósito de criar as condições para o despertar da consciência amorosa no mundo.
Passei a seguir ele no youtube.

Comprei um livro: Amar e ser Livre.
Era tudo que eu queria ouvir naquele momento!
Adorei a forma como ele expôs que o amor precisa de espaço, precisa ser livre, sem posse, sem disfarces, como precisamos amar a nós mesmos em primeiro lugar, estar bem e em paz, para amar o outro, como não podemos depender do outro pra ser feliz, como todo apego e todo medo só destroem a relação...a importância do autoconhecimento para não trazer nossos dramas passados para assombrar a relação, não repetir o padrão negativo com cada relação no futuro, permitir-se amar e ser amado no presente. Enfim, cuidar da criança carente e teimosa que todos carregamos em nós para a vida adulta sem perceber.

Comprei outro: Propósito. A coragem de ser quem somos.
Só reforçou em mim a noção de que estamos nesse mundo para amar e ser amado. Não há espaço para o desamor, não há tempo para a dúvida. É preciso se conhecer antes de tudo, pensar que mal ainda precisa de cura dentro de nós, em que área da vida ainda estamos perdidos, fazer do amor o nosso propósito. Criar filhos em outra sintonia, sem deixar que se repitam na formação deles padrões que identificamos como negativos na nossa história. Sobretudo quebrar um ciclo vicioso em que não nos realizamos, nos sentimos vítima do outro, pondo fim à troca de acusações, passando a ser o responsável por nosso propósito, ficando presente no nosso momento, cultivando a positividade e a alegria.

Era tudo que eu precisava ouvir!

Oração e meditação são grandes instrumentos para sair do piloto automático que nos faz um verdadeiro joguete na mão de influências que não são a nossa essência. 
Cada vez minha busca pelo autoconhecimento vai me levando além, vou mudando o foco, percebendo o que é a prioridade agora, para que eu consiga expandir a minha consciência, desapegar das emoções que me limitam e sintonizar com o amor que tudo liberta.

Nas palavras do autor:

"O amor é a luz que nos habita, é o que nos move neste pano. todos os males deste mundo existem por causa do amor adormecido em nós. E quando falo adormecido, estou me referindo a um estado inativo. Quer dizer que o amor está presente, porém adormecido ou desativado. Assim como uma semente que não é plantada não pode transformar-se numa árvore e dar frutos, o amor adormecido não pode cumprir sua meta de expansão da consciência.
[...]
Assim como o propósito do sol é iluminar e aquecer, o propósito do ser humano é amar. Por isso, eu sempre digo que tudo se resume ao amor."

Agora estou lendo o terceiro livro dele: Transformando o sofrimento em alegria.
Não vou parar de ler tão cedo, porque terminei e comecei de novo. Botei na mesa de cabeceira junto com o Evangelho segundo o espiritismo que é pra ver se entram por osmose durante o sono, o que facilitaria muito a minha vida....

Ele traz o que o autor chama "caminho do coração".

Procura mostrar como o autoconhecimento pode transformar nossos relacionamentos íntimos mais harmoniosos, pois passamos a nos observar mais, identificar quando nos deixamos levar por uma armadilha, por um sentimento que precisamos transformar. Isso é tomar consciência do que somos e deixar o amor falar mais alto. Ser honesto e verdadeiro, sem perder a gentileza. Não permitir que a conduta do outro tire a nossa paz, porque ela vem do estado constante de amor ao próximo ainda que não compreenda nosso propósito.

Difícil pra mim...continuo lendo.

Se conseguir identificar e trabalhar meus entraves já me dou por satisfeita, isso de amar o outro ainda que ele não nos ame ou compreenda, acho difícil pra caramba...a tal da minha criança ferida ainda exige reciprocidade, ainda quer ser a prioridade...e sigo relendo.

Quando o calo aperta tem um pequeno livro de mensagens dele que eu adoro, porque são uns pequenos trechos, lembretes diários que abro ao acaso e sempre tem tudo a ver com meu momento. Achei super legal para dar de presente. Fica a dica para quem quer conhecer mas de repente não quer uma leitura maior, nem está com tempo para os exercícios que os outros livros ensinam.

Os livros são super baratos, custam em torno de vinte ou trinta reais, presente bom, barato e super alternativo! Tem na amazon!







quarta-feira, 28 de março de 2018

Passando meus lidos a limpo!

Conversando com a tia Maria outro dia, ela me pergunta: menina, e aquele seu blog? não tá lendo mais nada, não? tem colocando alguma coisa lá?

Na hora respondi...poxa, sabe que eu tenho lido muito, mas não tenho tido tempo de colocar no blog?

Me senti traída e traidora...entre tormentas e turbulências da vida, às vezes fico meses sem escrever nada.

Essa semana tinha feriado. Prazos suspensos, sem processo para ler e relatar.

Fiquei com uma vontade danada de botar o blog em dia.

É muito mais gostoso quando a gente acaba de ler e vai correndo comentar sobre o livro ou quando acabou de escrever alguma coisa e posta na mesma hora, mas passar a limpo a leitura tem seu valor.
A gente já leu tem um tempo, então, o que ficou é o que marcou mais mesmo, livro ruim que a agente encosta e deixa pra lá, nem lembra de passar a limpo.

Então agora vou começar a fase no passando a limpo meus últimos lidos, o que significa que vai ter overposting...😜

Valeu pela lembrança tia Maria!

Vou aproveitar pra comentar a leitura do livro que li na sua casa: A origem, do Dan Brown, da editora Arqueiro.

Não é nem de longe a melhor aventura do Robert Langdon, mas o cenário escolhido para mim é um dos mais interessantes: Espanha! Adorei! As andanças do personagem principal dá uma vontade louca de conhecer Barcelona!

Achei super bacana a interação entre ciência e tecnologia versus religião e fanatismo que marcam todas as obras deste autor, mais uma vez abordada neste livro, mas confesso que faltou um certo romance ou uma personagem feminina mais envolvente...não achei que rolou uma química bacana desta vez, nem no livro, imagina quando virar filme.

Resumindo: o que tem de bom é o Robert Langdon em sua eterna busca pelo desvendar do mistério em cada pequena pista através da simbologia que levará ao fanático da vez.

É bom, mas vamos combinar que não dá pra ficar melhor que o Código Da Vinci...#suspiros.

Vale a leitura só pra matar saudade do Robert.

Fica a dica.




Alinhamento Energético: Luz!

Se há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia...o Espiritismo já me explicou alguns pela lei de causa e efeito; mas por mais que se estude sobre o espírito, sobre a reencarnação, sobre afinidades e virtudes que ainda precisamos desenvolver chega um momento na vida que a gente percebe que precisa se redescobrir. 
A gente conhece a teoria. Falta só a prática...só um detalhe né?
Sabe que fora da caridade não há salvação, que nada é por acaso, que a lei é do retorno e da sintonia, mas quem consegue orar e vigiar o tempo todo? 
Pode descrever todas as virtudes do homem de bem, mas como faz pra vivenciar cada uma delas sem esbarrar no orgulho e no egoísmo? 
Chega uma hora que não interessa mais quem está certo ou errado, quem agiu mal com quem, a gente quer seguir, para frente e para o alto, mas se sente sempre tropeçando em atitudes velhas. 
Para deixar o baú pra trás e seguir leve adiante, há que se conhecer, mergulhar na alma, buscar a origem, o que em nós projetamos no outro que tanto nos incomoda? Qual é de fato a carência que nos faz sentir desamor seja em que relação for? 
Vale terapia, meditação, tarde na praia, vale tudo para se conhecer melhor, iluminar nossas obscuridades e clarear o pensamento.
Conhecer nosso ponto fraco tem o poder de nos alertar para o tropeço iminente, acende a luz vermelha e nos torna mais atentos ao que podemos mudar: nós mesmos.
Nessas idas e vindas, de quem está à procura de si mesmo, já por duas vezes procurei a Mônica Oliveira. Na primeira vez, lembro que fui parar no alinhamento energético porque estava confusa e cheia de dúvidas no ano do vestibular como, aliás, todo adolescente que eu conheço. 
Entrei pra falar de um assunto, saí tendo resolvido outros que eu nem imaginava, mas com a certeza de que estava no caminho certo, era para a faculdade de direito que eu iria e pronto.
No ano passado voltei nela, procurei pela internet, liguei para uma amiga pedi o contato, cheguei no consultório de copacabana.
Senti a mesma conexão, como se ela falasse o que eu sentia mas não sabia expressar.
Trabalhamos as energias mais densas, deixamos aflorar os sentimentos mais sutis, canalizando com a energia divina que existe em todos nós e pedindo a cura daquelas experiências que me limitavam. 
É tão bom sentir que o mesmo poder que usamos para nos prender a um fato ruim da vida podemos usar para nos libertar. É a mesma força, é só inverter o sentido, se perguntar como uso isso a meu favor, o que eu tenho a aprender com essa experiência?
É um exercício.
Passar a borracha e mudar a sintonia é um exercício de vontade. Perdoar a si e ao outro é uma decisão. 
Minha terapeuta nessa época me apresentou o hoponopono, uma técnica que adotei e adoro que, em apertada síntese, utiliza a energia das expressões, "sinto muito", "eu te amo", "me perdoe" e "sou grato" para harmonizar as relações que por ventura estão em conflito no momento. Na verdade, para você se harmonizar consigo mesma em primeiro lugar.
Só o fato de visualizar essas palavras e trabalhar na energia delas já traz uma outra perspectiva da situação, nos devolve a paz, para recomeçar e tentar seguir em frente em outra sintonia que não seja a do conflito.
Para quem quiser conhecer mais sobre o alinhamento energético vale a leitura do livro lançado pela Mônica no ano passado que explica toda a sua caminhada, no desenvolvimento desta técnica de autoconhecimento: Fogo Sagrado - Alinhamento energético: a cura pelo amor. 
É uma leitura muito gostosa e que termina com um texto que nos ajuda nessa transformação que nos cabe:

"Posso hoje me libertar dos mais velhos padrões de comportamento. Agirei como seu eu fosse alguém bem melhor do que costumo ser. Hoje farei um treinamento com a generosidade, o bom humor, a confiança no meu destino e estarei plena nesta certeza, sem permitir influências. Liberto-me das grades da cadeia mental dos pensamentos. Eu os criei e, sendo assim, posso também criar pensamentos libertadores que farão de mim uma nova pessoa".

Todos podemos fazer melhor. Tentar mudar o outro é uma perda de tempo, tendo tanto a mudar em nós...mãos à obra! Luz e alegria!





Família e bagagens...

Tem autores que escrevem para a gente.
Eles não sabem, nem imaginam o alcance daquela palavra, mas por meio dela escrevem sobre nossas questões, falam de pessoas que lembramos vagamente ou de outros com quem convivemos todos os dias, descrevem lugares que nos são familiares e pintam imagens que temos na memória.
Ler os livros do Francisco Azevedo fez isso comigo, me fez sentir como se ele escrevesse para mim.
Comecei pelo "Arroz de Palma", no final do ano passado, minha leitura de recesso, pra fugir um pouquinho da reforma trabalhista.
A narrativa de um senhor que fala sobre suas memórias, desde a vinda da família de Portugal, até o seu casamento, a família que formou aqui no Brasil, a chegada dos filhos, os desafios e tradições familiares, a forma de lidar com os conflitos de gerações, tudo falava ao meu coração.
Gostei em especial da definição de família que o autor logo no início delineou em comparação com a culinária:

"...Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras, apimentadíssimas. Há também as que não tem gosto de nada  - seriam assim um tipo de "família diet", que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir".

E assim começa a narrativa dos amores, medos e reuniões de uma família portuguesa que fincou raízes no Brasil. Gente como a gente, cheia de contradições, desejos e culpas, mas que encontra a medida de cada emoção para uma vida feliz.
No início desse ano me deparei com o segundo livro que li dele, "Os novos moradores", editado pela Record. Foi amor à primeira leitura. Já a capa me conquistou. Uma capa amarela, com duas portas idênticas salvo pelo interior escuro de uma e um céu azul brilhante que se vê pela outra. 

Não somos todos assim? Verdadeira dualidade, buscando iluminar nosso interior?

A gente atrai o que precisa ler, como atrai as pessoas com quem precisamos aprender, os amigos que precisamos ajudar, os lugares em que precisamos vivenciar mais alguma coisa...senti isso mais uma vez lendo este livro.
É sobre amor, sobre maneiras de vivenciar o amor, sobre transparência e honestidade, consigo e com o outro, sobre ser livre e deixar livre, aceitando que as pessoas, os amores, as relações mudam mesmo, mas não deixam de ser intensas, muitas vezes à flor da pele, atraindo ou repelindo.

Abri o prefácio ainda na livraria e esse trecho me prendeu:

"...Por instinto de sobrevivência, somos todos caracóis. Vamos nos arrastando lenta e diuturnamente, carregando nossas bagagens secretas. Peso inútil. Até o fim. Tão bom seria, em dia abençoado, nos livrarmos dos velhos baús! Sem temor e sem defesa alguma, diríamos tudo ao outro e, com paciência zen, ouviríamos tudo do outro - as verdades mais sombrias vindo à tona - e, então, sem pôr em balança o certo e o errado, nos absolveríamos reciprocamente com desmedida generosidade, sem cobranças ou penitências. Céus, que alívio nos daríamos! Amores desalgemados, ninguém mais inconfesso a sete chaves. Anda, vem. Vamos sacudir nossos lençóis. Nos revirar, nos traduzir, nos decifrar. Vem, me abraça, me beija, me adentra. É para isso que estamos aqui. Nosso tempo é precioso e nossa carne é nosso ímã: atrai ou repele. Vem, que estamos do lado certo que chama. grudados e imantados, seremos vários, seremos um. E juntos nos libertaremos. Anda, vem. A verdade está tão perto..." 

Saí abraçada com o livro e só larguei quando terminei de ler.

Francisco Azevedo fala pra mim, sobre a minha família apimentada, sobre meus anseios de viver intensamente cada sentimento, verdadeira sobre o que sinto de bom e de ruim. Somos o que somos, se falhos, que ao menos sejamos verdadeiros, para sermos livres. Perto ou longe, o que tem que ser simplesmente é, nosso caminho vai esbarrando em outros, somos de carne e osso, mas se há amor, algo nos traz de volta ao rumo e vamos nos livrando das bagagem inútil para abrir espaço para novas emoções. 

"Os novos moradores" do Francisco Azevedo é para a nova moradora que pede passagem em mim, que redecora os espaços e se desfaz do que não traz alegria, que deixa a luz do céu entrar...

terça-feira, 27 de março de 2018

Mãe de menino

Eis que uma das mais divertidas tarefas de mãe é a escolha do livro, aquela leitura da noite, a contação de história da hora de dormir, a historinha rápida de gibi para entretenimento do domingo de manhã ou aquela pra distrair da colher que vem em direção à boca sempre fechada (como que recusando expressamente o avião que já sabe ser feijão).
Eu, modéstia à parte, sou boa na narrativa!
Em matéria de historinha: de chapeuzinho vermelho a três porquinhos, arraso nos efeitos especiais! Sou fiel ao enredo, mas dou aquela floreada pra deixar mais engraçado! Pausa intencional na hora do sopro à casinha de palha pra garantir o suspense...Sucesso garantido.
Já em se tratando de escolher o livro, sou chatinha.
Levo pra Bienal, livraria, coisa e tal...deixo cada menino livre a escolher.
Voltam eles com o livro sem história, aquele de pintar, de brincar, de ouvir músicas e sons, tudo menos uma boa história, sabe?! Dessas com início, meio e fim, deixando uma bela mensagem educativa...isso eles nunca escolhem.
Aí, lá vai a mamãe chatinha.
Mostro a primeira alternativa.
Oha esse aqui sobre o bolo de chocolate da Flávia...parece legal!
Olha esse aqui sobre o avô português...igual ao seu!
Olha esse aqui sobre o coelho que pensava...lembra do coelhinho da páscoa?
Olha isso, olha aquilo, vamos chegando a várias opções legais, eles ganham enredo, eu ganho momentos deliciosos de aconchego (e muita falação) que fazem chegar o soninho.
Aí tem o dia que o livro que eu escolho pra eles me lembra das minhas próprias leituras de infância, me lembra aquele que li na escola quando nem sonhava ser mãe de menino e eu rio de mim...já, já o Miguel vai aprender a ler, vai escolher as próprias leituras, vai deitar na cama e ler sozinho, sonhando os próprios sonhos pelas aventuras que imaginar.
Faz mal não...pelo contrário.
Faz bem.
Muito bem...
Se até lá, a gente se deparar de vez em quando com um poema do Drummond que nos faça rir ou dormir agarradinho já valeu! É isso que fica...
Tudo isso pra dizer que o livro "Menino Drummond" da Companhia das Letrinhas, com ilustrações da Angela Lago, foi um achado.
Vira e mexe entra na lista da hora do soninho e eu é que sonho, lendo para o Guel e o Thi poemas que sempre li, quando eles nem estavam aqui e que ainda vou ler para quem mais chegar...é o que fica!

Ontem li para eles:

"Quero

Quero que todos os dias do ano 
todos os dias da vida 
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos 
me digas: eu te amo.

Ouvindo-te dizer: eu te amo,
creio no momento que sou amado.
no momento anterior e no seguine como sabe-lo?"

[...]

Aí já viu...beijo, abraço, digo que amo mais que tudo no mundo...deita, fecha o olho e dorme, mamãe está aqui.

Eu sonho acordada, olhando para o maior amor do mundo.

Não sei até agora o que é mais gostoso, dormir agarradinhos na cama da mamãe ou ir ler na caminha de vcs...


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Solidariedade é o tema!

E quanto mais eu penso, menos consigo entender esse mundo. Em tempos de eleição de Trump (e nem vou falar da política brasileira pra não polemizar) como entender pra aonde vamos? Este livro estava encostado aqui em casa desses que a gente compra e fala que vai ler já, já, mas não pega sabe? Quando peguei e li tive vontade de mandar pra ele, tadinho, tão equivocado na vida...
"O mundo não tem mais tempo a perder", Le Collegium International, tradução de Clóvis Marques, editado pela Civilização Brasileira: Rio de Janeiro, 2014, 1a. Edição, é um estudo sobre governança solidária e responsável que discute a importância de olhar para o planeta livre de quaquer noção de hegemonia, porque não há nação no mundo que esteja isolada em uma realidade tão globalizada como a atual. O problema da Síria não é só dela, os refugiados não são objetos cujo fluxo migratório possa ser detido, são pessoas dispostas a tudo pra viver fora da guerra. Não existe quem já tenha cumprido sua missão e possa estar livre de qualquer contribuição para o bem estar do outro. Estamos todos conectados. A infelicidade de uns abala a todos. Não há paz se um só lugar no mundo está em conflito. E o bacana da proposta desse livro é que ela mostra o quanto estamos equivocados com as políticas públicas atuais...o quanto temos a contribuir para a comunidade em que estamos inseridos. Apenas nós podemos iniciar o movimento ali proposto. Não existe um único governante, do meu ponto de vista, que esteja apenas comprometido com essa mudança de paradigmas na Administração Global. Os interesses egoístas prevalecem sempre em cada nação. Protecionismos que vão na contramão das necessidades de todos...
E se a gente pensar bem, será que fazemos a nossa parte?
Em que contribuímos para esse estado de coisas?
Em que momentos somos realmente solidários, na nossa família, no nosso ambiente de trabalho, nos nossos relacionamentos mais caros? 
Na administração dos conflitos ensinamos solidariedade? Vivenciamos de forma responsável nosso dia-a-dia?
Eu tenho muita facilidade em identificar no outro o que faltou para governança ideal, assim como olho para o Trump e aponto tudo de errado que se pode identificar à primeira vista nessas medidas toscas dele, mas em mim o que falta construir...é mais difícil de implementar. 
Como mãe, olho para meus dois meninos tão amorosos mas também tão donos de tudo...nessa fase que a criança quer tudo pra si...e penso como torná-los menos ciumentos, mais generosos, como solucionar as disputas sem magoar nenhum deles, mas o certo é que as frustrações são parte do crescimento e eles precisam ver além do próprio umbigo. 
Como mulher entendo que o maior conflito do meu mundo interno está em seguir minha individualidade, meus desejos profissionais e pessoais, mas também manter a harmonia das minhas relações afetivas, não deixar que as frustrações de um lado interfiram em outro, não sobrecarregar de expectativas aqueles que estão a minha volta no percurso...ninguém é perfeito, mas podemos co-existir nos ajudando a construir o que falta, ao invés de viver apontando os mísseis na hora da crise. 
Não moramos na cidade perfeita e podemos protestar, sim, contra o que está errado, mas ao mesmo tempo, podemos agir de forma solidária, contribuindo para as famílias que estão sem receber salários, divulgando medidas (ainda que paliativas) para passarmos todos por esse momento da melhor maneira possível. 
Há sempre algo que podemos doar, não apenas dinheiro ou bens, mas de nós mesmos, nosso tempo, nossa voz, nossos ouvidos, nosso abraço, nosso perfil na rede social. Vamos divulgar o bem, curtir o que vale a pena...
Precisamos de governança solidária e responsável em nossas vidas; quando conseguirmos nos governar o mundo estará salvo.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Felicidade é saúde!

Cada vez acredito mais na relação entre a saúde e o estado emocional das pessoas. Sinto isso nas pessoas que me cercam mas sobretudo em mim. Eu não fico doente nunca, não sou de ficar gripada, não tenho mal estar nem quando como aquele iogurte vencido, verdade seja dita...eu nem reparo na validade antes de comer. Então quando me apareceu um nódulo no pescoço, a pressão subiu, a balança quebrou e eu comecei a desconfiar que era alérgica de tanto resfriado e indisposição...a família toda pegando a conjuntivite da creche do pequeno...naquele momento tive certeza: caramba, tem alguma coisa muito errada em como estou me sentindo nesse momento. E quando logo a seguir tem alguém realmente doente a sua volta, de quem você quer cuidar, quer que fique bem, a saúde se mostra o bem mais precioso que se pode ter, embora a gente saiba que quando tem não dá o menor valor. Nessa hora, impossível avaliar o que surgiu primeiro, se a infelicidade evidente de quem está se sentindo no olho do furacão ou se o mal estar generalizado que ameaça tomar conta do pedaço. Acho que todo mundo vive momentos assim, mas cada um a sua maneira. Eu não sei ser infeliz. Nunca soube. Não pretendo aprender. Mudo tudo se precisar, boto tudo pra fora do armário, mas eu mesma não me aguento se estiver infeliz. Insatisfeita já acho complicado, mas infeliz eu realmente não consigo ser por muito tempo. E não adianta pedir conselho, se abrir com a amiga, pelo contrário, quanto mais opinião pior fica, especialmente porque na hora h nem sempre recorremos à pessoa certa. Até porque ninguém pode resolver a tua vida, cada um está lutando para resolver a própria, que afinal não está fácil pra ninguém...
A única coisa que funciona (para mim, pelo menos) é parar tudo e olhar pra dentro; se perguntar o que me faria feliz nesse momento; olhar para o que realmente desandou, como e porque desandou...ver as pessoas e as situações como são agora e aceitar que o ideal nem sempre é possível, reduzir expectativas e analisar o custo benefício de cada relação para transformar a insatisfação crescente em fonte de renovação. 
Conviver com quem te faz bem, comer o que te faz sentir bem, celebrar a alegria do hoje, aproveitar o tempo junto daqueles que mais ama, dar o melhor de si naquelas relações em que a recíproca é verdadeira, retomar hábitos que sempre foram prazerosos, se cercar do que te dá forças para seguir, se reconectar com o divino que habita a cada um de nós, buscando nele o equilíbrio que nos falta naquele momento. Para mim, essa é a receita.
E, de repente, a felicidade que brota de nos cercarmos do que faz tão bem...cura todos os males, a vida vai se encarregando de botar tudo em ordem, todos sobrevivem. As situações a nossa volta já se mostram bem mais simples, porque escolhemos não lutar contra o inevitável e nos adaptar às transformações. E quando você dá um basta, as pessoas ao seu redor também se adaptam. A coisas na vida não são estáticas, tudo muda e eu também preciso mudar em muitas formas de lidar com elas, mas a seleção quem faz sou eu. O que fica e o que vai pra nunca mais sou eu que determino, porque é a minha vida. E o equilíbrio tão inatingível começa a parecer mais próximo. 
E passada minha explosão transformadora, pegar um livro com o título "Felicidade Incurável" parece até piada, mas parecia que o Carpintejar estava escrevendo sobre situações boas e ruins do meu último ano, minhas idas e vindas no amor, minhas buscas, minhas retomadas, minhas insatisfações e faxinas na alma, minhas alegrias e angústias reunidas sob um ponto de vista que não era exatamente o meu, porque o autor era um homem e isso muda um pouco as coisas.
Acho impossível não se identificar com o livro, é sobre o cotidiano, sobre amor, sobre crises, sobre a vida a dois, a três, a quatro, sobre as famílias, de uma forma muito bem humorada, mostrando que todo mundo passa por dilemas parecidos e cada um precisa encontrar sua saída de emergência, mas até para sair de uma situação difícil é preciso estar bem, olhar para si com bom humor, rir do que passou e se permitir ser feliz, de novo. Temos todo o tempo do mundo para mudar...a eternidade se for preciso, só não precisa ser tão sofrido...
O livro é editado pela Bertrand Brasil, vale a leitura!
Vai ficar aqui na minha cabeceira, just in case!



domingo, 25 de setembro de 2016

#amor

Eu esta semana me atraquei com um livro sobre amor na juventude, estilo primeiro amor, adolescente, imprudente, frio na barriga...é "O amor nos tempos de #likes", escrito a oito mãos por Pam Gonçalves, Bel Rodrigues, Hugo Francioni e Pedro Pereira, editado pela Galera do Rio de Janeiro.

O livro tem uma linguagem super moderna, misturando diálogos de whatsapp, mensagens de texto, blogues, canal de youtube entre outras parafernálias que surpreendem só a mim que fui adolescente no tempo do ICQ, quando nem o Orkut tinha bombado ainda.

Fiquei tentando imaginar o que é ser adolescente hoje, mas mais do que isso tentei imaginar Miguel e Thiago adolescentes, usando isso tudo para se relacionar com o mundo e pensando se seria mais fácil pra eles do que foi para mim...talvez não.

Na verdade é um livro super light e por isso mesmo muito gostoso de ler, com passagens engraçadíssimas!

Eu é que compliquei um pouco as coisas com meus devaneios...

É um livro que eu quero dar para minha afilhada Ana Beatriz, porque fala sobre encontros mas também sobre estar aberta a eles, sem medo da crítica, sem pudor de parecer boba, segura de que pode ser o que quiser, sempre...o importante é estar feliz consigo mesma.

É um livro que eu gostaria de dar para a Marcella, minha prima que vive o primeiro namoro intensamente, linda, feliz, cheia de vida, porque o livro é também sobre ela e sobre tudo que pode dar certo nessa vida, mesmo que não seja perfeita de cara.

Não tem nenhuma mensagem tão profunda, mas me fez pensar que é bom manter a capacidade de  olhar a vida por um prisma mais jovem, ver o novo sem tantas certezas de quem viveu mais, porque cada tempo traz seus desafios e quanto mais aberta estiver à nova geração mais próxima estarei deles: Miguel e Thiago adolescentes, independentes, mundo à fora, mas certos de que podem sempre voltar pra casa, para conversar sobre qualquer dilema, sentindo-se acolhidos em qualquer dificuldade, ouvidos e apoiados incondicionalmente...ainda que suas dificuldades sejam outras ou que me pareçam tão mais simples na minha visão de mundo um pouco mais ampla.

O importante não é tanto a opinião, mas o estender a mão...em qualquer geração! Os dilemas são outros, mas a sensação de quem inicia uma trajetória, uma relação, um projeto é a mesma...sobre isso todo mundo quer trocar...o livro é sobre trocas, reciprocidade, amar e ser amado, em qualquer tempo.

Essa é a meta desta mãe em construção! Amar, se deixando amar, educar, sem ser inflexível, ouvir, sem julgar, criar pra vida, sabendo que eles vão ter outros amores, nem sempre fáceis, outros dilemas do tamanho das suas dificuldades, mantendo sempre a capacidade de estender a mão...porque filhos são uma missão que não termina nunca...mães são sempre necessárias...e que bom quando a recíproca é verdadeira.

Fica a dica para as leitoras que curtem um livro curtinho sobre amor!



bjs!


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Sobre liberdade!

Sabe aquele livro que te chama a atenção pelo título?

Assim, foi esse..."Cruzando o caminho do sol", do Corban Addison, editora Novo Conceito.

Eu comprei por impulso e ficou aqui na lista das leituras futuras um tempão.

Até semana passada.

Comecei a ler atraída pelo cenário pós tsunami dele, pensando que se alguém sobrevive a um tsunami é porque, realmente, se pode sobreviver a tudo, achando que a grande questão do livro seria a superação daquela tragédia e a reconstrução de uma família, daquele contexto em que os personagens estavam envolvidos e tudo mais.

Não era bem essa a temática central.

Na verdade, o livro é sobre liberdade e, especialmente, a feminina, sem ser feminista ou alardear a chamada cultura do estupro. É sobre algo muito mais básico. É sobre o direito de ir e vir do qual algumas (muitas) mulheres são privadas por traficantes que fazem delas um comércio. É sobre a ilusão de ganhar dinheiro fácil sem atentar para o valor que se perde no processo, é sobre um mercado mais antigo do que a nossa civilização, em que a sexualidade é uma moeda de troca, nem sempre justa. 

É sobre lutar o bom combate...mesmo quando tudo aponta para uma guerra perdida.

O tráfico de mulheres é uma realidade sobre a qual não debatemos o suficiente, mesmo que todo mundo já tenha ouvido falar dela. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimou em 2005 (último levantamento referente ao tema) que o tráfico de pessoas é uma das atividades criminosas mais lucrativas do mundo, envolvendo cerca de 2,5 milhões de vítimas e movimentando aproximadamente U$ 32 bilhões por ano.

As mulheres são larga maioria: 98% dos casos são de tráfico de mulheres para fins sexuais.

Os dados constantes na página do Governo Federal (Portal Brasil) são alarmantes.

E embora a situação narrada no livro esteja no contexto da Índia, logo após a tragédia decorrente do Tsunami, não é difícil imaginar porque o Brasil é parte significativa nesta engrenagem do tráfico, já que as vítimas são todas muito jovens (entre 13 e 25 anos), com pouca escolaridade e nível social muito baixo, normalmente, enganadas com a promessa de uma melhor qualidade de vida.

Não falamos o suficiente sobre isso. Não alertamos o suficiente nossas crianças. Não olhamos com olhos de ver para as pessoas que passam por nós nos aeroportos. Não estamos atentos para números tão alarmantes e que provavelmente nem chegam perto da realidade, porque é um crime silencioso, que envolve cárcere privado, vergonha, medo, etc...

O portal Brasil tem divulgado o número 180 que funciona em vários países para receber denúncias de crimes contra a mulher, um serviço disponibilizado 24h para todos que tenham qualquer tipo de informação sobre um possível caso de exploração ou mesmo que desconfiem terem presenciado qualquer conduta imprópria que possa estar relacionada ao tráfico de pessoas.

É muito pouco. E depois da denúncia? Como reinserir esta mulher na sociedade garantindo a sua segurança? Como evitar que outras passem pela mesma situação? O Tráfico de pessoas, como a pedofilia, só podem ser erradicados com uma conscientização cada vez maior da população sobre os riscos a que todos estamos expostos, sobre como devemos estar atentos no nosso dia-a-dia, levando informação na tentativa de uma prevenção que tem que partir de dentro de casa.

O livro me fez pensar sobre quantas vezes eu mesma poderia estar exposta a esse risco, o quanto eu menosprezo uma coisa tão importante, minha liberdade de trabalhar e viver como bem entender, criar meus filhos, estar com eles, educá-los para não acharem esse tipo de coisa normal.

Há algo de muito errado num mundo em que pessoas ainda são vendidas, mas há algo mais errado ainda na sensação de que isso é só um dado estatístico e de que não há mais nada a fazer.

Esse livro dá vontade de fazer alguma coisa, saber mais sobre isso, buscar um meio de parar essa engrenagem. 

Bom, tomara que essa vontade contagie muitos leitores! O livro merece ser lido e comentado!






segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A última romântica...entra na fila!



Há bastante tempo só comprava e ganhava livros que não lia mais...acho que desde que o Thi nasceu não consegui engrenar na leitura. Não tanto porque não tivesse tempo ou vontade, mas por uma absoluta falta de concentração, como se meus pensamentos atropelassem as palavras lidas e elas não me prendessem ao enredo de coisa alguma que não fosse muito, mas muito breve.
Aí ganhei um livro no natal passado...porque sempre ganho algum mesmo, até aí tudo ótimo: aquela empolgação de quem ganhou um objeto de desejo constante. OK.
Era um romance.
O primeiro de uma saga da autora Julia Quinn sobre uma família composta basicamente por mulheres fortes e que estão dispostas a tudo para viver aquele grande amor.
Confesso: ficou alguns dias pegando poeira na minha cabeceira.
Não olhava na direção dele.
Dividida entre a vontade de ler e a decisão de ver a Pocahontas matar a Cinderela que existia em mim.
Até que peguei para ler e não parei mais.
Já li tantas vezes a mesma história...e a questão é que mesmo depois de tudo ela ainda me prende e me diverte...porque no fundo, eu gosto mesmo é do sentimento que ela me proporciona...eu gosto de acreditar no amor.
Depois de ler os oito livros (pasmem! ela consegue escrever oito livros sobre a mesma família, mesmo contexto, mesmo cenário, sem ser chato!), eu preciso acolher essa minha essência namoradeira e esperançosa, aceitar que eu sou um ser romântico (afinal, Lulu não era o último) e deixar que esse ser cínico e desconfiado encontre passagem para outro tempo e lugar...ele não me pertence.
E foi assim que ao longo dos últimos seis meses, andei voltando a estudar, a ler e a devanear, me fazendo lembrar do que me faz feliz quando estou comigo mesma, do que me faz sonhar, do que ainda quero contemplar...e com quem quero dividir.
No fim das contas, acho que os romances alimentam muitas caraminholas nas meninas (olha minha avó falando por mim), a gente acredita no conto de fadas e ele se vira contra nós, mas que mal tem se me faz bem? Suspiros...as relações não precisam ser tão cheias de expectativas, ninguém é tão perfeito, mas há uma deliciosa alegria em ser imperfeito com quem acha graça ao descobrir sua mais recente imperfeição e se recusa a desistir de ser imperfeito junto com você.
O amor de hoje não permanece estático e acima do bem e do mal. Ele vacila, se transforma, nos transforma, mas de alguma forma contribui para nossa felicidade em todas as fases de sua transformação...mesmo que termine no amigos para sempre.
Dúvidas? Quem não as tem? 
Acho que aceito as minhas porque as certezas ainda são maiores.
Por enquanto...ficamos assim. Eu leio, romanceio, floreio, mas fico atenta às inúmeras possibilidades...e acreditando mais em mim, no meu potencial de me fazer feliz!
Obrigada a quem me deu o livro! Foi só o começo da redenção do romantismo por aqui...

Se você está precisando de uma leitura para estimular devaneios, é só escolher um desses. Cada um aborda uma situação distinta da outra e não precisam ser lidos em sequência...ah, depois é só entrar aqui atrás de mim na fila para o título de último romântico... aceita que é melhor!




quarta-feira, 20 de maio de 2015

O casamento!

  Quem é que não gosta de casamento? vestido de noiva, bolo, fotos, tudo me atrai neste tema...acho sempre lindo do mini ao big wedding! 

  Por isso quando passei por este título do Nicholas Sparks, "O Casamento", da editora Arqueiro, não tive a menor dúvida. Comprei sem ler a contracapa. 
Tive uma grata surpresa: o livro é uma espécie de continuação do maravilhoso "Diário de uma paixão", do mesmo autor.
  Para quem, como eu, não conseguia parar de ler o primeiro este é uma gostosa passagem pela vida dos dois personagens que tangencial a vida dos protagonistas daquele primeiro livro. Isso porque é a história sobre o casamento de uma das filhas do casal e de como este relacionamento busca inspiração na vida dos pais dela para sobreviver à rotina, depois de uma vida inteira juntos.
  É um romance diferente dos que já tinha lido até então.
  Em primeiro lugar os personagens já estão em uma faixa etária mais avançada e, ao contrário da maioria dos romances que a gente vê por aí, não estão vivendo uma louca paixão, nem acabaram de se conhecer, mas sim começam a duvidar da própria capacidade de amar além dos obstáculos impostos pelo tempo.
  Com filhos criados e já estabilizados financeiramente, o marido se dá conta do distanciamento entre ele e sua esposa, bem como em relação às pessoas que já foram, há anos atrás quando se conheceram, e decide mudar pequenas atitudes a fim de reconquistarem um ao outro.
  A sua luta para fazer renascer o amor de sua esposa com coisas tão simples, como um jantar, um álbum de fotografias, uma carta ou uma celebração inesperada, tudo isso é tão fofo que dá vontade de ler o livro todo até o fim, sem parar um minuto.
  Eu adorei em especial a narrativa que vai do momento presente voltando no tempo e contando aos poucos detalhes da vida que construíram juntos. 
  É como se fosse uma história narrada de trás para frente.
  Vale a pena a leitura, se vc é uma romântica inveterada como eu!

domingo, 8 de setembro de 2013

Coisa Minha

Coisa Minha

O teu rosto,
a minha cara.

Teu sorriso,
Minha alma.

Teu olhar, só teu,
Mas tudo mais é meu.

Meu filho,
Coisa minha,
Nosso amor
há de sempre mesclar
tua infância na minha.


Domingo, no parque,
tua mão na minha.

Contigo, sou mãe menininha...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Bienal para pequeninos!

Ano de Bienal do livro, que coisa boa!

Apesar de ser presença confirmada em todas, desde sempre, este ano fiquei na dúvida...não dava para ir e deixar meu pequeno para trás, então, me perguntei será que ele vai curtir? será que vale a pena levar uma criança de 1 ano e oito meses neste evento tão cheio etc...

Falei com a minha amiga Rose, que levou o sobrinho mais ou menos da mesma idade, e ela me garantiu que ele curtiu muito...como  o Artur é do mesmo tipo do Miguel (levado e curioso), me armei de coragem e paciência, mandei o "seja o que Deus quiser" e fui!

Tomei a decisão certa!

Esse post é uma injeção de ânimo nas mães que como eu ficaram na dúvida!

Para começar, fui de carro e estacionei bem perto da entrada (R$ 18,00, por 10h) pois chegamos cedo (abria às 09h, chegamos às10h, de ingresso na mão, comprado na loja South com antecedência, por R$ 14,00 a inteira). Criança com menos de 1m não paga.

Logo na entrada tinha um carrinho para alugar e ele adorou o vermelho (só porque o dele é azul, claro). O carrinho vale cada centavo! R$ 12,00 por hora, mas como eu não fiquei muitas horas, nem ficou caro. Ele tem um ótimo compartimento para compras, assim não carreguei nada nas mãos. A mochila ficou pendurada nele, mas bem a mão, para água, suco etc... No final do passeio, confesso que foi um tal de desculpe e dá licença pra todo lado, porque estava muito cheio e o carrinho é meio trambolho...
mas deixa pra lá!



Miguel não ficou muito tempo no carrinho, quis andar, foi no colo de todo mundo que acenou com novidade e como de manhã ainda estava bem vazio, sentava no chão onde bem entendia e brincava com os livros, no estilo test drive. Quando ele saía do stand com um escolhido na mão eu entendia o recado: ele iria levar para casa. Sorte que tinha muitas bancas com promoção infantil. 






Aí vão as dicas de compras:

Quem tem bebês de colo, com menos de um ano, deve investir em livros de pano e de banho, como estes que o Miguel só quis porque era do Peixonauta (desenho que adora no momento) e eu morri em R$ 40,00, por algo que sei que ele já nem está ligando muito na hora de tomar banho...rsrsrsrs



Para os bebês da faixa de um aninho, a Galinha Pintadinha é um hit, estava lá em pessoa recepcionando os fãs, para alegria do Miguel, que ficou extasiado no stand da Melhoramentos e até fez pose para fotos. É mole?



Com quase dois anos, já interessado em pintar e desenhar, ele demonstrou interesse nestes livros de atividades, então, comprei porque estava muito baratinho, (entre R$1,00 e R$ 9,90) mas sei que vou pintar mais que ele...porque são para a faixa etária de 3 anos.





O que mais desperta o interesse dele sem dúvida são os livros sonoros, com música ou som de bichinhos integrados à história. Ele ama apertar os botões e quando gosta muito de um não quer nem virar a página para ver no que vai dar, fica repetindo o mesmo som sem parar e rindo.

Este da Galinha Pintadinha custou R$ 29,90:



Estes da Ciranda Cultural estavam muito baratos, apenas R$ 5,00.



Como eu adoro aqueles contos clássicos de antigamente que todo mundo ouviu da vovó, ele levou alguns destes com páginas plastificadas e bem coloridas, mas muito leve e gostoso de manusear. (Acredite se puder, R$ 5,00 cada, também Ciranda Cultural).



Por fim, ele queria porque queria um livro de pop ups, mas acabei não comprando porque as folhas eram de papel bem frágil, não duraria nada nas mãozinhas dele... Esse tipo de livro não recomendo de jeito nenhum para a faixa etária dele, sempre terminam rasgados poucos minutos depois de ganhar. Eu fico uma fera e ele triste...não compro mais nada que não tenha páginas duras ou reforçadas, como plastificadas, por exemplo.

Escolhido 100% pela mamãe, só o da Pé da letra que também recomendo, pois o stand está cheio de coisas lindas e bem legais, mas foi um pouco mais caro, acho que cerca de R$ 25,00. Quem resiste ao "menino que devorava livros"com passaporte da leitura incluído? Achei um negocião, como diz meu maridinho...





Enfim, se vc pode levar seu pimpolho, não perca tempo! Se tem alguém para presentear, é um bom negócio, aproveite os descontos atraentes para os bolsos dos adultos!

Compartilhar uma grande paixão com seu pequeno não tem preço!

Bienal, sua fofa, obrigada por cativar meu filhote, já estou ansiosa pelo nosso próximo encontro!