terça-feira, 10 de setembro de 2019

Porque até a raiva tem utilidade!

Se tem um tema que eu sempre tive certa dificuldade em lidar é a raiva. 

Primeiro, porque sempre achei que ter raiva era um sinal de atraso, uma coisa ruim mesmo.

Segundo, porque quando me bate a raiva, ela vem em forma de explosão incontrolável e, normalmente, se espalha ao meu redor.

E, por fim, porque ela tem o péssimo hábito de ficar em mim, como hóspede indesejado, incomodando...

A gente medita, né?

Tenta transcender...mas sem realmente entender de onde ela veio e a que veio, sei por experiência própria, fica difícil se despedir dela.

E a raiva mal resolvida fica ali adormecida em forma de mágoa, um peso desnecessário nessa vida já tão atribulada.

O caminho fica tão mais leve se buscamos nos compreender. Amorosamente observar: qual o aprendizado que esse sentimento veio trazer nesse momento?

Cada inconveniente ou discussão que nos desperta a raiva também pode servir de instrumento para o nosso autoconhecimento, tão necessário para nos livrarmos dela mais tarde.

É impossível não sentir raiva em nenhum momento do dia ou da vida, numa perspectiva maior, porque criamos tantas expectativas e a perfeição não é desse mundo, né? 

Lidar com as frustrações sem se abalar é o desafio máximo para qualquer pessoa.

Agora, é possível aceitar o sentimento, sentir a tal da raiva mesmo, deixar explodir e observar o que causou essa sensação para, então, fazer alguma coisa a respeito do que nos incomoda verdadeiramente.

Fazer da raiva um processo de descoberta e o início de uma grande mudança não parece tão ruim.

Até o ser humano mais pacífico do mundo, Gandhi, sentia raiva e sabia também como utilizá-la em seu proveito, como força para o progresso.

Lendo esse livro "A Virtude da Raiva" de Arun Gandhi, neto do eterno pacifista, publicado pela Sextante, resta uma conclusão maravilhosa: nem sempre a raiva é uma coisa ruim, a ser negada ou esmagada como um incômodo mosquito a perturbar a sua paz.

Se é pra sentir raiva, que seja em toda sua plenitude, aproveitando a força que vem dela para um impulso transformador daquilo que aparentemente vc nem sabia que te incomodava tanto...mas incomoda sim!

A visão de um neto rebelde e impulsivo sobre um avô pra lá de manso e pacífico que o ensina a lidar com toda a raiva de forma produtiva é um caminho para qualquer pessoa lidar com as próprias contradições, com seus próprios inconformismos, para chegar a uma versão melhor de si mesmo.

Acho, agora, que a raiva vai existir sempre e que evoluir não é sentir só alegria o tempo todo, mas saber reconhecer e transformar algo tão à flor da pele em força a ser empregada positivamente na nossa vida.

Aceitar, falar sobre ela, transformar em impulso para uma atitude diferente, são ações que podem fazer da raiva uma virtude.

Esse me pareceu um bom livro para buscar nessa semana em que a raiva parece tão intensa de qualquer ângulo que se olhe a situação...e justamente em meio a um ambiente tão transformador, como a Bienal do Livro sempre foi (e sempre será). 

É preciso um certo esforço para não simplesmente reagir, mas racionalizar o sentimento e ver como podemos fazer disso uma coisa positiva.  Embora não seja o mais fácil, é um caminho para retomar o diálogo...enquanto estamos só reagindo inflamadamente a tudo de errado que nos cerca parece que não conseguimos sair desse sentimento negativo instalado no inconsciente coletivo.

Precisamos fazer da indignação um mecanismo, um instrumento, não um limitador que nos isole e impeça de continuar se relacionando nesse mundo...

Já que não se pode viver sem sentir raiva, melhor tentar fazer dela uma aliada. #fica_a_dica


                                      




quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Conectados...e como isso pode ser bom!

Esse é o primeiro post deste ano (vergonha!)

Mas eu posso explicar o porquê.

Em 2018, eu tive um ano atribulado...desses que passam e a gente fez tudo no piloto automático, sabe? E lá pelo fim do ano decidi tudo que não queria mais e estabeleci algumas metas, como todo mundo faz, para o ano seguinte e comecei a correr atrás delas!

Tudo envolvendo o propósito de viver mais intensamente, com mais prazer, me dedicando ao trabalho que gosto de realizar, mas buscando novas oportunidades de aprendizado na carreira que escolhi, dividindo melhor o meu tempo, aproveitando com mais qualidade o tempo com os filhos, mas encontrando o tempo que precisava para mim, para ver os amigos, saber deles, me doar a quem eu admiro, com quem queria conviver mais, fazer viagens que sonhava há tempos...cuidar da minha aparência, pintar o cabelo, ouvir minha nova música favorita, enfim, fazer o que me desse vontade sem ter a menor preocupação com o olhar crítico externo.

E aí veio 2019: com trabalho em um lugar novo, totalmente diferente do que eu imaginava, tão leve que me permitiu muito mais do que pensava; veio uma amiga de infância estreitar nossos laços novamente, me levando para conhecer a dança do ventre, me curando com suas sessões de barras de acess; veio um convite por whatsapp de uma terapeuta e amiga para ir para o Egito relembrar um conhecimento adquirido lá há tantas vidas; veio uma amiga nova me falar sobre tethahealing; veio um livro me explicar o que, afinal de contas, estava acontecendo nesse ano...em que um acontecimento ia emendando no outro, como se respondessem aos meus anseios.

O livro "A Matriz Divina" do Gregg Braden foi recomendado por uma amiga, Deborah Souza, que conheci no Egito e passei a admirar e seguir no youtube. Ela tem um canal chamado Consciência Tetha que eu simplesmente adoro, com muitas boas indicações de leitura.

Eu comecei por este e não foi por acaso.


Ele respondeu tudo que eu sentia mas não estava entendendo exatamente como estava acontecendo.

Eu tinha decidido tão firmemente na minha cabeça o que eu queria que fosse diferente em 2019, que o Universo foi me atendendo das maneiras mais diferentes (às vezes totalmente diferente do que eu tinha planejado, sabe?) e eu fui topando. Eu simplesmente aceitei todos os convites que tive vontade de aceitar. Me recusei a deixar a dúvida entrar, o medo também bateu na porta várias vezes( e confesso que foi difícil) mas também nem deixei entrar. Eu fiz o que me deu vontade e tudo ao meu redor teve que se ajustar a isso (e esse tudo envolvia pais em vias de se aposentar, dois filhos pequenos, marido, casa, trabalho e todas as contas que todo mundo tem pra pagar, aquele pacotão completo!).

E o mais engraçado é que como eu estava decidindo fazer tudo com alegria, as pessoas ao meu redor também se contaminavam por esse sentimento e ficavam meio curiosas pra ver o que ia dar. Em nenhum momento eu ouvi uma palavra de desânimo, ou se disseram, eu simplesmente deletei (pode ser também...porque eu sou dessas...rsrsrs).

Aos que perguntavam: com quem as crianças vão ficar? eu respondia: Eles têm pai! 

Fim de papo.

E vida que segue! 

Lendo o livro fica fácil perceber como somos todos criadores da nossa própria realidade. Cada pensamento, cada decisão que tomamos firmemente quanto à nossa vida, quanto ao modo como vamos nos sentir em relação a alguém, como vamos nos portar em relação a uma situação, muitas vezes determina como os acontecimentos vão se desenrolar dali para frente. Se a coisa vai fluir ou empacar de vez.

Ninguém tem o poder de tirar a nossa paz, só nós mesmos. 
Ninguém tem o poder de tornar sozinho um ambiente pesado para todos, mas cada um de nós pode tornar ele mais leve.

Estamos todos conectados de alguma maneira por essa grande matriz divina que podemos ajustar, modificar, co-criar a todo momento, a maneira como nos comportamos, aquilo que emanamos para o mundo, pode mudar não apenas a nossa vida, mas contribuir para quem está a nossa volta.

Os tempos podem ser difíceis para todos, no que diz respeito ao cenário político e econômico, mas o que determina se você será pessoalmente afetado pela crise ou não, se a prosperidade e a alegria podem existir na sua casa, mesmo neste cenário coletivo, é a sua atitude diante dele. 

Libertar-se de crenças limitantes, expandir a consciência, mudar de sintonia, chame do que quiser, mas só uma reforma interior pode transformar o exterior. É preciso acreditar na vida que queremos ter, simples assim.

E quando a gente termina de ler esse livro dá uma vontade louca de perguntar: como ninguém me contou isso antes?

Bom, eu to contando pra todo mundo que eu encontro.

O Universo está aí pronto a responder à sua criação.

O que você tem pensado sobre você? sobre o seu autovalor? sobre os seus sonhos, aqueles de infância ou outros, sonhos novos? Deixe-se surpreender por eles...é tão bom! 

Aceite convites e retribua mensagens! Sinta aonde eles querem te levar! o que eles estão sinalizando?

No mínimo você pode descobrir que tinha uma vontade danada de dançar! Ou de correr! ou de cantar! 

E talvez tudo isso te torne mais leve.

Uma mãe mais leve, uma profissional mais feliz com o que faz todos os dias, uma mulher mais interessante, uma amiga mais divertida, uma irmã menos crítica.

Quem sabe? Que crença vamos modificar hoje? 

Universo, me surpreenda... que eu ADORO surpresas e 2019 ainda não acabou!







quinta-feira, 29 de março de 2018

Um propósito: fazer tudo com amor!

Tive a sorte de fazer uma sessão de fotos há uns dois anos com uma fotógrafa muito fofa, super carinhosa, com um olhar muito meio, que eu adorei. Curti tanto o trabalho dela que fui lá conferir a página no instagram e no facebook. Entre postagens de fotografia tinha uma linda mensagem falando sobre o movimento do amor livre ou awaken love.
Foi desta forma que eu conheci o Sri Prem Baba: um líder espiritual que buscou na psicoterapia e nos princípios do hinduísmo, as bases para o movimento Awaken Love, com o propósito de criar as condições para o despertar da consciência amorosa no mundo.
Passei a seguir ele no youtube.

Comprei um livro: Amar e ser Livre.
Era tudo que eu queria ouvir naquele momento!
Adorei a forma como ele expôs que o amor precisa de espaço, precisa ser livre, sem posse, sem disfarces, como precisamos amar a nós mesmos em primeiro lugar, estar bem e em paz, para amar o outro, como não podemos depender do outro pra ser feliz, como todo apego e todo medo só destroem a relação...a importância do autoconhecimento para não trazer nossos dramas passados para assombrar a relação, não repetir o padrão negativo com cada relação no futuro, permitir-se amar e ser amado no presente. Enfim, cuidar da criança carente e teimosa que todos carregamos em nós para a vida adulta sem perceber.

Comprei outro: Propósito. A coragem de ser quem somos.
Só reforçou em mim a noção de que estamos nesse mundo para amar e ser amado. Não há espaço para o desamor, não há tempo para a dúvida. É preciso se conhecer antes de tudo, pensar que mal ainda precisa de cura dentro de nós, em que área da vida ainda estamos perdidos, fazer do amor o nosso propósito. Criar filhos em outra sintonia, sem deixar que se repitam na formação deles padrões que identificamos como negativos na nossa história. Sobretudo quebrar um ciclo vicioso em que não nos realizamos, nos sentimos vítima do outro, pondo fim à troca de acusações, passando a ser o responsável por nosso propósito, ficando presente no nosso momento, cultivando a positividade e a alegria.

Era tudo que eu precisava ouvir!

Oração e meditação são grandes instrumentos para sair do piloto automático que nos faz um verdadeiro joguete na mão de influências que não são a nossa essência. 
Cada vez minha busca pelo autoconhecimento vai me levando além, vou mudando o foco, percebendo o que é a prioridade agora, para que eu consiga expandir a minha consciência, desapegar das emoções que me limitam e sintonizar com o amor que tudo liberta.

Nas palavras do autor:

"O amor é a luz que nos habita, é o que nos move neste pano. todos os males deste mundo existem por causa do amor adormecido em nós. E quando falo adormecido, estou me referindo a um estado inativo. Quer dizer que o amor está presente, porém adormecido ou desativado. Assim como uma semente que não é plantada não pode transformar-se numa árvore e dar frutos, o amor adormecido não pode cumprir sua meta de expansão da consciência.
[...]
Assim como o propósito do sol é iluminar e aquecer, o propósito do ser humano é amar. Por isso, eu sempre digo que tudo se resume ao amor."

Agora estou lendo o terceiro livro dele: Transformando o sofrimento em alegria.
Não vou parar de ler tão cedo, porque terminei e comecei de novo. Botei na mesa de cabeceira junto com o Evangelho segundo o espiritismo que é pra ver se entram por osmose durante o sono, o que facilitaria muito a minha vida....

Ele traz o que o autor chama "caminho do coração".

Procura mostrar como o autoconhecimento pode transformar nossos relacionamentos íntimos mais harmoniosos, pois passamos a nos observar mais, identificar quando nos deixamos levar por uma armadilha, por um sentimento que precisamos transformar. Isso é tomar consciência do que somos e deixar o amor falar mais alto. Ser honesto e verdadeiro, sem perder a gentileza. Não permitir que a conduta do outro tire a nossa paz, porque ela vem do estado constante de amor ao próximo ainda que não compreenda nosso propósito.

Difícil pra mim...continuo lendo.

Se conseguir identificar e trabalhar meus entraves já me dou por satisfeita, isso de amar o outro ainda que ele não nos ame ou compreenda, acho difícil pra caramba...a tal da minha criança ferida ainda exige reciprocidade, ainda quer ser a prioridade...e sigo relendo.

Quando o calo aperta tem um pequeno livro de mensagens dele que eu adoro, porque são uns pequenos trechos, lembretes diários que abro ao acaso e sempre tem tudo a ver com meu momento. Achei super legal para dar de presente. Fica a dica para quem quer conhecer mas de repente não quer uma leitura maior, nem está com tempo para os exercícios que os outros livros ensinam.

Os livros são super baratos, custam em torno de vinte ou trinta reais, presente bom, barato e super alternativo! Tem na amazon!







quarta-feira, 28 de março de 2018

Passando meus lidos a limpo!

Conversando com a tia Maria outro dia, ela me pergunta: menina, e aquele seu blog? não tá lendo mais nada, não? tem colocando alguma coisa lá?

Na hora respondi...poxa, sabe que eu tenho lido muito, mas não tenho tido tempo de colocar no blog?

Me senti traída e traidora...entre tormentas e turbulências da vida, às vezes fico meses sem escrever nada.

Essa semana tinha feriado. Prazos suspensos, sem processo para ler e relatar.

Fiquei com uma vontade danada de botar o blog em dia.

É muito mais gostoso quando a gente acaba de ler e vai correndo comentar sobre o livro ou quando acabou de escrever alguma coisa e posta na mesma hora, mas passar a limpo a leitura tem seu valor.
A gente já leu tem um tempo, então, o que ficou é o que marcou mais mesmo, livro ruim que a agente encosta e deixa pra lá, nem lembra de passar a limpo.

Então agora vou começar a fase no passando a limpo meus últimos lidos, o que significa que vai ter overposting...😜

Valeu pela lembrança tia Maria!

Vou aproveitar pra comentar a leitura do livro que li na sua casa: A origem, do Dan Brown, da editora Arqueiro.

Não é nem de longe a melhor aventura do Robert Langdon, mas o cenário escolhido para mim é um dos mais interessantes: Espanha! Adorei! As andanças do personagem principal dá uma vontade louca de conhecer Barcelona!

Achei super bacana a interação entre ciência e tecnologia versus religião e fanatismo que marcam todas as obras deste autor, mais uma vez abordada neste livro, mas confesso que faltou um certo romance ou uma personagem feminina mais envolvente...não achei que rolou uma química bacana desta vez, nem no livro, imagina quando virar filme.

Resumindo: o que tem de bom é o Robert Langdon em sua eterna busca pelo desvendar do mistério em cada pequena pista através da simbologia que levará ao fanático da vez.

É bom, mas vamos combinar que não dá pra ficar melhor que o Código Da Vinci...#suspiros.

Vale a leitura só pra matar saudade do Robert.

Fica a dica.




Alinhamento Energético: Luz!

Se há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia...o Espiritismo já me explicou alguns pela lei de causa e efeito; mas por mais que se estude sobre o espírito, sobre a reencarnação, sobre afinidades e virtudes que ainda precisamos desenvolver chega um momento na vida que a gente percebe que precisa se redescobrir. 
A gente conhece a teoria. Falta só a prática...só um detalhe né?
Sabe que fora da caridade não há salvação, que nada é por acaso, que a lei é do retorno e da sintonia, mas quem consegue orar e vigiar o tempo todo? 
Pode descrever todas as virtudes do homem de bem, mas como faz pra vivenciar cada uma delas sem esbarrar no orgulho e no egoísmo? 
Chega uma hora que não interessa mais quem está certo ou errado, quem agiu mal com quem, a gente quer seguir, para frente e para o alto, mas se sente sempre tropeçando em atitudes velhas. 
Para deixar o baú pra trás e seguir leve adiante, há que se conhecer, mergulhar na alma, buscar a origem, o que em nós projetamos no outro que tanto nos incomoda? Qual é de fato a carência que nos faz sentir desamor seja em que relação for? 
Vale terapia, meditação, tarde na praia, vale tudo para se conhecer melhor, iluminar nossas obscuridades e clarear o pensamento.
Conhecer nosso ponto fraco tem o poder de nos alertar para o tropeço iminente, acende a luz vermelha e nos torna mais atentos ao que podemos mudar: nós mesmos.
Nessas idas e vindas, de quem está à procura de si mesmo, já por duas vezes procurei a Mônica Oliveira. Na primeira vez, lembro que fui parar no alinhamento energético porque estava confusa e cheia de dúvidas no ano do vestibular como, aliás, todo adolescente que eu conheço. 
Entrei pra falar de um assunto, saí tendo resolvido outros que eu nem imaginava, mas com a certeza de que estava no caminho certo, era para a faculdade de direito que eu iria e pronto.
No ano passado voltei nela, procurei pela internet, liguei para uma amiga pedi o contato, cheguei no consultório de copacabana.
Senti a mesma conexão, como se ela falasse o que eu sentia mas não sabia expressar.
Trabalhamos as energias mais densas, deixamos aflorar os sentimentos mais sutis, canalizando com a energia divina que existe em todos nós e pedindo a cura daquelas experiências que me limitavam. 
É tão bom sentir que o mesmo poder que usamos para nos prender a um fato ruim da vida podemos usar para nos libertar. É a mesma força, é só inverter o sentido, se perguntar como uso isso a meu favor, o que eu tenho a aprender com essa experiência?
É um exercício.
Passar a borracha e mudar a sintonia é um exercício de vontade. Perdoar a si e ao outro é uma decisão. 
Minha terapeuta nessa época me apresentou o hoponopono, uma técnica que adotei e adoro que, em apertada síntese, utiliza a energia das expressões, "sinto muito", "eu te amo", "me perdoe" e "sou grato" para harmonizar as relações que por ventura estão em conflito no momento. Na verdade, para você se harmonizar consigo mesma em primeiro lugar.
Só o fato de visualizar essas palavras e trabalhar na energia delas já traz uma outra perspectiva da situação, nos devolve a paz, para recomeçar e tentar seguir em frente em outra sintonia que não seja a do conflito.
Para quem quiser conhecer mais sobre o alinhamento energético vale a leitura do livro lançado pela Mônica no ano passado que explica toda a sua caminhada, no desenvolvimento desta técnica de autoconhecimento: Fogo Sagrado - Alinhamento energético: a cura pelo amor. 
É uma leitura muito gostosa e que termina com um texto que nos ajuda nessa transformação que nos cabe:

"Posso hoje me libertar dos mais velhos padrões de comportamento. Agirei como seu eu fosse alguém bem melhor do que costumo ser. Hoje farei um treinamento com a generosidade, o bom humor, a confiança no meu destino e estarei plena nesta certeza, sem permitir influências. Liberto-me das grades da cadeia mental dos pensamentos. Eu os criei e, sendo assim, posso também criar pensamentos libertadores que farão de mim uma nova pessoa".

Todos podemos fazer melhor. Tentar mudar o outro é uma perda de tempo, tendo tanto a mudar em nós...mãos à obra! Luz e alegria!





Família e bagagens...

Tem autores que escrevem para a gente.
Eles não sabem, nem imaginam o alcance daquela palavra, mas por meio dela escrevem sobre nossas questões, falam de pessoas que lembramos vagamente ou de outros com quem convivemos todos os dias, descrevem lugares que nos são familiares e pintam imagens que temos na memória.
Ler os livros do Francisco Azevedo fez isso comigo, me fez sentir como se ele escrevesse para mim.
Comecei pelo "Arroz de Palma", no final do ano passado, minha leitura de recesso, pra fugir um pouquinho da reforma trabalhista.
A narrativa de um senhor que fala sobre suas memórias, desde a vinda da família de Portugal, até o seu casamento, a família que formou aqui no Brasil, a chegada dos filhos, os desafios e tradições familiares, a forma de lidar com os conflitos de gerações, tudo falava ao meu coração.
Gostei em especial da definição de família que o autor logo no início delineou em comparação com a culinária:

"...Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras, apimentadíssimas. Há também as que não tem gosto de nada  - seriam assim um tipo de "família diet", que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir".

E assim começa a narrativa dos amores, medos e reuniões de uma família portuguesa que fincou raízes no Brasil. Gente como a gente, cheia de contradições, desejos e culpas, mas que encontra a medida de cada emoção para uma vida feliz.
No início desse ano me deparei com o segundo livro que li dele, "Os novos moradores", editado pela Record. Foi amor à primeira leitura. Já a capa me conquistou. Uma capa amarela, com duas portas idênticas salvo pelo interior escuro de uma e um céu azul brilhante que se vê pela outra. 

Não somos todos assim? Verdadeira dualidade, buscando iluminar nosso interior?

A gente atrai o que precisa ler, como atrai as pessoas com quem precisamos aprender, os amigos que precisamos ajudar, os lugares em que precisamos vivenciar mais alguma coisa...senti isso mais uma vez lendo este livro.
É sobre amor, sobre maneiras de vivenciar o amor, sobre transparência e honestidade, consigo e com o outro, sobre ser livre e deixar livre, aceitando que as pessoas, os amores, as relações mudam mesmo, mas não deixam de ser intensas, muitas vezes à flor da pele, atraindo ou repelindo.

Abri o prefácio ainda na livraria e esse trecho me prendeu:

"...Por instinto de sobrevivência, somos todos caracóis. Vamos nos arrastando lenta e diuturnamente, carregando nossas bagagens secretas. Peso inútil. Até o fim. Tão bom seria, em dia abençoado, nos livrarmos dos velhos baús! Sem temor e sem defesa alguma, diríamos tudo ao outro e, com paciência zen, ouviríamos tudo do outro - as verdades mais sombrias vindo à tona - e, então, sem pôr em balança o certo e o errado, nos absolveríamos reciprocamente com desmedida generosidade, sem cobranças ou penitências. Céus, que alívio nos daríamos! Amores desalgemados, ninguém mais inconfesso a sete chaves. Anda, vem. Vamos sacudir nossos lençóis. Nos revirar, nos traduzir, nos decifrar. Vem, me abraça, me beija, me adentra. É para isso que estamos aqui. Nosso tempo é precioso e nossa carne é nosso ímã: atrai ou repele. Vem, que estamos do lado certo que chama. grudados e imantados, seremos vários, seremos um. E juntos nos libertaremos. Anda, vem. A verdade está tão perto..." 

Saí abraçada com o livro e só larguei quando terminei de ler.

Francisco Azevedo fala pra mim, sobre a minha família apimentada, sobre meus anseios de viver intensamente cada sentimento, verdadeira sobre o que sinto de bom e de ruim. Somos o que somos, se falhos, que ao menos sejamos verdadeiros, para sermos livres. Perto ou longe, o que tem que ser simplesmente é, nosso caminho vai esbarrando em outros, somos de carne e osso, mas se há amor, algo nos traz de volta ao rumo e vamos nos livrando das bagagem inútil para abrir espaço para novas emoções. 

"Os novos moradores" do Francisco Azevedo é para a nova moradora que pede passagem em mim, que redecora os espaços e se desfaz do que não traz alegria, que deixa a luz do céu entrar...

terça-feira, 27 de março de 2018

Mãe de menino

Eis que uma das mais divertidas tarefas de mãe é a escolha do livro, aquela leitura da noite, a contação de história da hora de dormir, a historinha rápida de gibi para entretenimento do domingo de manhã ou aquela pra distrair da colher que vem em direção à boca sempre fechada (como que recusando expressamente o avião que já sabe ser feijão).
Eu, modéstia à parte, sou boa na narrativa!
Em matéria de historinha: de chapeuzinho vermelho a três porquinhos, arraso nos efeitos especiais! Sou fiel ao enredo, mas dou aquela floreada pra deixar mais engraçado! Pausa intencional na hora do sopro à casinha de palha pra garantir o suspense...Sucesso garantido.
Já em se tratando de escolher o livro, sou chatinha.
Levo pra Bienal, livraria, coisa e tal...deixo cada menino livre a escolher.
Voltam eles com o livro sem história, aquele de pintar, de brincar, de ouvir músicas e sons, tudo menos uma boa história, sabe?! Dessas com início, meio e fim, deixando uma bela mensagem educativa...isso eles nunca escolhem.
Aí, lá vai a mamãe chatinha.
Mostro a primeira alternativa.
Oha esse aqui sobre o bolo de chocolate da Flávia...parece legal!
Olha esse aqui sobre o avô português...igual ao seu!
Olha esse aqui sobre o coelho que pensava...lembra do coelhinho da páscoa?
Olha isso, olha aquilo, vamos chegando a várias opções legais, eles ganham enredo, eu ganho momentos deliciosos de aconchego (e muita falação) que fazem chegar o soninho.
Aí tem o dia que o livro que eu escolho pra eles me lembra das minhas próprias leituras de infância, me lembra aquele que li na escola quando nem sonhava ser mãe de menino e eu rio de mim...já, já o Miguel vai aprender a ler, vai escolher as próprias leituras, vai deitar na cama e ler sozinho, sonhando os próprios sonhos pelas aventuras que imaginar.
Faz mal não...pelo contrário.
Faz bem.
Muito bem...
Se até lá, a gente se deparar de vez em quando com um poema do Drummond que nos faça rir ou dormir agarradinho já valeu! É isso que fica...
Tudo isso pra dizer que o livro "Menino Drummond" da Companhia das Letrinhas, com ilustrações da Angela Lago, foi um achado.
Vira e mexe entra na lista da hora do soninho e eu é que sonho, lendo para o Guel e o Thi poemas que sempre li, quando eles nem estavam aqui e que ainda vou ler para quem mais chegar...é o que fica!

Ontem li para eles:

"Quero

Quero que todos os dias do ano 
todos os dias da vida 
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos 
me digas: eu te amo.

Ouvindo-te dizer: eu te amo,
creio no momento que sou amado.
no momento anterior e no seguine como sabe-lo?"

[...]

Aí já viu...beijo, abraço, digo que amo mais que tudo no mundo...deita, fecha o olho e dorme, mamãe está aqui.

Eu sonho acordada, olhando para o maior amor do mundo.

Não sei até agora o que é mais gostoso, dormir agarradinhos na cama da mamãe ou ir ler na caminha de vcs...